"Dias do vinil estão contados", diz site que aposta no CD como o futuro
Por Bruce William
Postado em 08 de abril de 2026
Volta e meia aparece alguém decretando a morte de um formato físico em nome de outro. Agora foi a vez da Far Out apostar que os dias do vinil estariam contados e que o CD seria o verdadeiro futuro da audição musical fora do streaming. A lógica do texto é simples: o CD ocupa menos espaço, é mais barato, costuma ser mais portátil e ainda entrega a sensação de posse física sem exigir estante reforçada, toca-discos, agulha, limpeza e toda a liturgia que o vinil pede. Para quem quer escapar um pouco da tela sem transformar a audição em ritual, a tese tem seu apelo.

A questão é que uma coisa é defender o CD como opção prática. Outra bem diferente é dizer que o vinil está com os dias contados. E aí os números não ajudam muito essa ideia. No relatório global da IFPI, a receita dos formatos físicos subiu 8% em 2025, puxada em grande parte justamente pelo vinil. O mesmo relatório aponta que o desempenho global dos CDs e vídeos musicais tinha caído em 2024, parcialmente compensado pela alta do vinil. Ou seja: se existe hoje um formato físico que continua empurrando esse mercado para cima, esse formato ainda é o bolachão.
Nos Estados Unidos, a distância continua clara. A RIAA informou que, em 2025, o vinil vendeu 46,8 milhões de unidades, contra 29,5 milhões de CDs, e gerou mais de três vezes a receita do rival. Já em 2024, o vinil também tinha superado o CD em unidades, 44 milhões contra 33 milhões, com os CDs até mostrando uma leve alta de receita naquele ano. Em outras palavras: o CD não morreu, mas está longe de ter passado o vinil na conversa de mercado.
No Reino Unido, o quadro vai na mesma linha. A BPI informou que 2024 marcou o 18º ano seguido de crescimento do vinil no país. Então, se alguém quiser sustentar que o CD está voltando como alternativa prática, barata e simpática, tudo bem. Agora, cravar que o vinil está perdendo o bonde parece bem mais difícil de defender. O que existe hoje, na prática, é uma convivência entre formatos com funções diferentes.
E talvez seja justamente aí que a discussão fique mais interessante. O vinil venceu como objeto de desejo, item de coleção, peça de decoração afetiva e experiência tátil mais "cerimonial". O CD, por sua vez, tem vantagens concretas que muita gente redescobriu: ocupa menos espaço, custa menos, toca fácil e pode ser uma forma bem mais pé no chão de ter música física em casa. Para quem quer ouvir disco sem transformar isso em operação logística, ele realmente faz mais sentido em muitos casos.
Então a provocação da Far Out funciona mais como gatilho de debate do que como diagnóstico sólido. O CD pode até voltar a ganhar respeito e espaço, sobretudo entre gente cansada de streaming, algoritmo e assinatura mensal. Mas, olhando os dados mais recentes, o vinil ainda está longe de ser um formato em retirada. Pelo contrário: continua sendo o formato físico que mais movimenta dinheiro, atenção e fetiche. Declarar sua morte agora parece menos análise e mais vontade de chamar clique.
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