Eric Clapton elege o melhor baterista que existe, mas muitos nem sabem que ele toca
Por Bruce William
Postado em 18 de maio de 2026
Quando Eric Clapton elogia um baterista, a comparação vem pesada antes mesmo de ele terminar a frase. O sujeito passou pela fase do Cream ao lado de Ginger Baker, conviveu com músicos de estúdio de alto nível e trabalhou em gravações nas quais a cozinha precisava segurar guitarras, vozes e arranjos com precisão. Por isso chama atenção que, em 1974, ele tenha apontado como "o maior baterista do nosso tempo" um artista que quase ninguém apresenta primeiro como baterista: Stevie Wonder.
Eric Clapton - Mais Novidades
A surpresa vem justamente daí. Stevie costuma ser lembrado pela voz, pelo piano, pela gaita, pelas composições e por uma sequência absurda de discos nos anos 70. Mas a bateria também fazia parte do pacote desde cedo. Ainda criança, antes de virar estrela da Motown, ele já tocava vários instrumentos, e a gravadora logo percebeu que aquele menino não era apenas um cantor mirim com carisma. Havia ali um músico completo, capaz de entender a canção por dentro, não apenas de interpretá-la.
Nos anos 70, essa habilidade apareceu em gravações que muita gente conhece sem necessariamente saber quem está atrás do kit. "Superstition" talvez seja o caso mais famoso. A música abre com uma bateria seca, elástica, cheia de balanço, antes de o clavinet entrar com aquele riff que grudou para sempre na história do funk e do soul. Também há bateria de Wonder em "You Are the Sunshine of My Life" e "Boogie On Reggae Woman", exemplos citados pela DRUM! ao analisar sua maneira pouco convencional de tocar.
O detalhe interessante é que Stevie não toca como um baterista tentando provar serviço. Kevin Carnes, dos Beatnigs, observou que sua pegada é relaxada, menos metronômica, com variações de chimbal e pequenas mudanças de um refrão para outro. Não é aquele tipo de bateria quadrada, limpinha, feita para impressionar professor de conservatório. Ela respira junto com a música, cresce aos poucos e vai colocando enfeites sem deixar o groove escapar.
Talvez seja isso que tenha impressionado Clapton. Vindo de um guitarrista que sempre falou muito em "feel", a escolha faz sentido. Stevie Wonder não parecia abordar a bateria como um território separado de sua musicalidade. Ele pensava como compositor, cantor, tecladista e arranjador ao mesmo tempo. A bateria entrava como parte emocional da canção, não como demonstração isolada de técnica. E isso pode pesar mais do que qualquer virada espetacular.
Também existe uma ironia boa nessa história, ressalta a Far Out: Clapton poderia ter escolhido Ginger Baker, que nunca foi exatamente um baterista discreto e que passou a vida lembrando ao mundo que não se considerava apenas um roqueiro batendo forte. Poderia citar algum nome do jazz, do blues ou dos grandes estúdios. Em vez disso, destacou Stevie Wonder, justamente um músico cuja bateria muita gente ouve há décadas sem registrar que é ele mesmo tocando.
Essa é uma daquelas situações em que a fama em uma área acaba escondendo outra. Stevie Wonder é tão grande como cantor e compositor que sua bateria vira quase um detalhe lateral, embora esteja no centro de algumas gravações enormes. Clapton, ao chamá-lo de "o maior baterista do nosso tempo", não estava apenas fazendo um elogio curioso. Estava apontando para um tipo de músico que não precisava se apresentar como baterista para tocar bateria com personalidade. Stevie sentava no instrumento e fazia o que sempre fez melhor: colocava a música inteira para andar.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O clássico absoluto do Metallica cuja introdução foi inspirada em uma música do Venom
A música gravada pelo Iron Maiden que foi uma "dor de cabeça" para Paul Di'Anno
10 discos de heavy metal lançados de 1970 a 1993 que são essenciais, segundo o CRH
O músico que só gostava do Pink Floyd na fase Syd Barrett
O álbum mais vendido da história e que nunca chegou ao primeiro lugar das paradas
Ex-baixista do Death Angel, Dennis Pepa enfrenta câncer em estágio 4
Os 5 melhores discos do Metallica, segundo o Classic Rock History
Randy Blythe não foi avisado sobre mudança de logotipo do Lamb of God
O dia em que Brian May e Tony Iommi viram Eddie Van Halen brincar com uma guitarra
Sepultura anuncia "The Last Ceremony", que será realizado no dia 5 de novembro
Metallica volta a tocar música que estava fora dos seus shows desde 2008
A banda de rock nacional dos anos 1980 que Lobão comparou com o Palhaço Carequinha
Os 40 anos de "Reign in Blood", obra-prima do Slayer e um dos maiores clássicos do thrash metal
O erro que James Hetfield admite ter cometido com Jason Newsted no Metallica
Pastor que "inspirou" Iron Maiden, Genesis e Ozzy Osbourne morre aos 86 anos


Por que Eric Clapton aceitou virar músico de apoio de outro artista nos anos oitenta
Quando Eric Clapton viu pela TV o que era ser um verdadeiro músico de verdade
10 rockstars que já estão na casa dos 80 anos de idade e seguem na estrada
Como o fim de um dos maiores supergrupos abriu caminho para um clássico que antecipou o metal
Os músicos que Eric Clapton continua ouvindo para nunca esquecer o que realmente importa
A banda que Eric Clapton não compreendia, e queria tocar com eles pra ver como funcionava
O álbum de Eric Clapton que ele apostou que seria um fiasco, e vendeu 26 milhões de cópias
Por que Eric Clapton escolheu ignorar Bob Dylan: "Eu era realmente contra por princípio"
O genial e inovador músico brasileiro que Eric Clapton tentou conhecer mas não conseguiu


