O integrante do Queen que poderia ter sido Phil Collins
Por Bruce William
Postado em 18 de maio de 2026
Antes de Phil Collins virar baterista do Genesis, depois vocalista do Genesis e, mais tarde, um dos nomes mais populares do pop dos anos 80, outro músico famoso passou perto daquela cadeira: Roger Taylor, do Queen. A ideia parece meio estranha vista de hoje, porque Taylor ficou tão associado ao Queen que é difícil imaginá-lo em outro lugar. Mas, no começo dos anos 70, muita coisa ainda estava em aberto.
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O Genesis procurava um novo baterista depois da saída de John Mayhew. A banda ainda estava em fase de construção, antes do grande reconhecimento da era clássica com Peter Gabriel, e buscava alguém capaz de lidar com uma música que já começava a ficar mais elaborada, teatral e cheia de mudanças. Roger Taylor, por sua vez, era um baterista jovem, forte, com personalidade e já envolvido no ambiente musical britânico que também daria origem ao Queen.
Anos depois, Taylor confirmou à Classic Rock (via Far Out) que houve uma aproximação, em uma história que tem aquele jeito britânico de decisão importante que começa com uma audição, passa pelo bar e nunca é dita com todas as letras. "Bem, eles me convidaram para ir ao estúdio ouvi-los, depois fomos ao pub. Eles não disseram: 'Você quer entrar para o grupo?' Mas tive a impressão de que era isso que queriam, porque o baterista deles tinha saído."
O problema é que Taylor não se viu dentro daquele som. Ele não parece ter guardado antipatia pelos integrantes do Genesis, muito pelo contrário. A barreira era musical. "Eles são todos pessoas adoráveis, mas eu realmente não entendi a música, para ser honesto. Era um pouco progressiva demais para mim."
A frase tem uma certa graça porque vem justamente de um integrante do Queen, uma banda que também seria acusada de exagero, teatralidade e ambição fora do padrão. Mas o exagero do Queen era de outra natureza. Mesmo quando a banda empilhava vozes, guitarras e mudanças de clima, havia um instinto mais direto por trás de boa parte das músicas. Roger Taylor sempre teve esse lado físico, roqueiro, quase impaciente. Ele podia tocar em uma banda capaz de gravar "Bohemian Rhapsody", mas sua praia também passava por coisas mais imediatas, com impacto de refrão, energia de palco e uma certa sujeira que não combinava tanto com os labirintos progressivos do Genesis.
A escolha de não seguir adiante acabou beneficiando todo mundo. O Genesis encontrou Phil Collins, que tinha a técnica, a escuta e a flexibilidade necessárias para entrar naquele universo. Collins começou como baterista, mas depois assumiu os vocais após a saída de Peter Gabriel e se tornou peça central na transformação da banda. Roger Taylor ficou no Queen, onde não apenas tocou bateria, mas também cantou, compôs e ajudou a dar ao grupo parte de sua identidade mais direta e radiofônica.
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