O hit da Legião Urbana que foi mal interpretado como apologia ao fascismo
Por Gustavo Maiato
Postado em 13 de setembro de 2026
Um dos versos mais citados da Legião Urbana foi lido como defesa de autoritarismo quando saiu, em 1989. "Disciplina é liberdade", de "Há Tempos", faixa de "As Quatro Estações", chegou a ser acusada de flertar com o fascismo. O equívoco foi retomado por Juscelino Filho e Carla Cruz em live no canal Pitadas do Sal, durante conversa sobre o novo livro que analisa toda a obra de Renato Russo.
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O escritor reconstituiu a leitura da época e apresentou a interpretação que defende no livro. "O pessoal interpretou errado o disciplina e liberdade na época. Foi uma coisa de ah, olha, isso aqui é meio fascista, então quer dizer que você tem que andar na linha. E aí você conhecendo o Renato, autodisciplina é você ter disciplina interna, é você não se entregar aos vícios. Não é uma ordem política, tá falando do interior. Então conhecer é importante até para evitar essas confusões", afirmou.
A biografia do compositor, segundo ele, reforça esse sentido. "O Renato teve muito problema depois desse verso, ele teve muito problema com a heroína. É alguém que teve que se encontrar ali, teve que ter esse equilíbrio interno", observou Juscelino, para quem o verso descreve alguém tentando se organizar por dentro, e não alguém ditando conduta alheia.
Carla Cruz defendeu que conhecer a persona pública ajuda a ler a obra em vez de atrapalhar. "Quando tá ali impresso na nossa mente já, aquele artista, a gente consegue conectar fácil. É que a pessoa tá ali bem construída. Eu prefiro assim, porque eu acho que a gente tem mais facilidade de entender realmente o que ele quis dizer, conhecendo a persona", disse a escritora.
A pesquisa para o livro passou por entrevistas, encartes, manuscritos e uma bibliografia extensa justamente para reconstruir esse contexto. Na avaliação da dupla, é o desconhecimento da trajetória que abre espaço para leituras torcidas, tanto na direção do elogio automático quanto na da acusação apressada.
O tema voltou quando a conversa chegou ao uso político das letras da banda. Juscelino criticou tentativas de apropriação da obra em campanhas eleitorais e sugeriu, com ironia, que quem quisesse trilha sonora procurasse outro repertório. "Agora vai pegar letra do Renato Russo, bicho? Você não entendeu Legião Urbana na sua vida", disparou o escritor.
Confira o vídeo completo abaixo.
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