A música em que Geddy Lee viu a história do Rush passar diante de seus olhos
Por Bruce William
Postado em 13 de setembro de 2026
Quando o Rush gravou "Clockwork Angels", ninguém precisava provar mais nada. Eram quase quatro décadas de banda, dezenas de turnês e uma carreira construída justamente à base de fazer o que bem entendiam. Ainda assim, uma das últimas músicas daquele álbum acabou fazendo Geddy Lee olhar para trás de um jeito pouco habitual.
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A faixa era "Headlong Flight". Em entrevista ao The Guardian em 2018, o baixista percebeu nela algo que ia além da história criada por Neil Peart para o disco. "Há algo em 'Headlong Flight' que, para mim, é quase sobre a história da minha banda. É autobiográfica de certa forma."
O que mais impressionava Geddy era a sensação de velocidade. "Quarenta anos nessa carreira e ela passa assim", disse. A ideia central da música poderia ser resumida, segundo ele, numa frase: "Eu gostaria de poder fazer tudo de novo." E completou: "É verdade."
Isso é especialmente interessante porque "Clockwork Angels", lançado em 2012, era um álbum conceitual elaborado por Peart. Geddy até brincou na mesma entrevista que mal conseguia entender os próprios discos conceituais. Para ele, porém, isso nunca foi essencial: música e letra criavam uma imagem e, às vezes, essa imagem bastava para que uma canção funcionasse.
"Headlong Flight" nasceu justamente dentro dessa estrutura ficcional, mas acabou permitindo outra leitura. O personagem olha para sua jornada, para riscos, fracassos e conquistas sem desejar apagá-los. Geddy enxergava ali algo muito parecido com a própria trajetória do Rush.
Também havia uma ironia nisso. A banda passara boa parte da carreira resistindo a sugestões externas sobre como deveria soar. Quando gravou 2112, por exemplo, estava preparada para afundar comercialmente em vez de fazer o disco que a gravadora queria. Décadas depois, aquela insistência havia resultado em arenas lotadas e numa carreira que o próprio Geddy gostaria de reviver.
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