Por que IA vai imitar melhor Chico Buarque do que Renato Russo, segundo escritor
Por Gustavo Maiato
Postado em 06 de setembro de 2026
Jocelino Filho, do canal Musicália, afirmou que uma inteligência artificial tem mais facilidade para reproduzir o estilo de Chico Buarque do que o de Renato Russo. A declaração foi feita em live no canal Pitadas do Sal, ao lado de Carla Cruz, com quem assina "Renato Russo - Todas as Canções", livro de quase 500 páginas dedicado à obra do compositor. A provocação já havia sido feita por ele em outra entrevista, e desta vez veio acompanhada de justificativa.
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"É mais fácil simular uma letra do Chico Buarque do que do Renato Russo. Em épocas de IA, se você pedir para uma IA faça uma coisa meio Chico Buarque, ela vai ter mais facilidade do que você pedir uma coisa mais Renato Russo. Por uma série de questões, e essas questões a gente foi encontrando conforme a gente foi escrevendo", disse o escritor.
A diferença, na leitura dele, é de estrutura. Chico opera dentro de um método reconhecível, comparado a um trabalho de ourivesaria: "Ele trabalhava a letra de uma música que encaixava perfeitamente na métrica daquela melodia. Você falava assim: só um ourives mesmo para lapidar e ficar perfeito", afirmou. Onde há padrão identificável, há molde a copiar.
Renato caminha na direção oposta, e é aí que a imitação trava. "O Renato, como é mais dionisíaco nesse sentido, é mais solto, então você não vai ter uma estrutura tão clara ali, é mais sentimento, mais alma. É mais difícil identificar. Ele pega letras absurdas e encaixa e fica bonito. E a gente canta, a gente decora fácil, porque ele faz isso muito bem. É a dicção dele", explicou o autor.
Essa dicção, segundo Jocelino, é justamente o que projetos posteriores não conseguiram reproduzir ao musicar letras inéditas deixadas pelo compositor. O elemento central da obra, para ele, resiste tanto à máquina quanto ao imitador humano: "Sempre que eu falo do Renato Russo, eu falo de uma coisa que é essencial na obra dele, que é uma coisa mais difícil de se fazer, de se reproduzir, que é profundidade com simplicidade. É muito difícil fazer o que o Renato fazia."
Carla Cruz acrescentou que a simplicidade era escolha, não limitação técnica. "Se ele quisesse explorar um outro lado que fosse mais caxias na hora de compor, ele poderia também. Mas ele tinha essa necessidade de conseguir deixar claro e de ter interesse em fazer dessa forma que fosse mais simples de se entender", observou a escritora.
Escrito em três meses para coincidir com os 30 anos da morte de Renato Russo, o livro cobre do Aborto Elétrico às gravações finais. A dupla já havia assinado "50 Anos de Sonho de Sangue", sobre as letras de "Alucinação", de Belchior. O financiamento coletivo do novo projeto já atingiu a meta
Confira o vídeo completo abaixo.
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