O hit dos Beatles que Paul McCartney mandou um "é ruim, mas é bom"
Por Gustavo Maiato
Postado em 12 de setembro de 2026
Paul McCartney nunca escondeu o carinho por "One After 909", uma das primeiras composições da parceria com John Lennon, mesmo reconhecendo que a faixa está longe de ser uma obra-prima. Como relembra a revista britânica Far Out, o músico resumiu a relação com a canção em uma frase registrada no livro "Many Years From Now": "Não é uma grande música, mas é uma das minhas grandes favoritas."
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A história da faixa começa no fim dos anos 1950, quando Lennon tinha por volta de 17 anos e compor ainda era um passatempo de adolescente, não um trabalho. Em 1963, os Beatles tentaram gravá-la durante a sessão do terceiro single, "From Me to You", numa época em que precisavam de material próprio. A falta de tempo e quatro tentativas sem resultado satisfatório fizeram o grupo deixar a ideia de lado.
Nos anos seguintes, a dupla abandonou a dependência dos covers de R&B e construiu identidades próprias como compositores. "Rubber Soul", de 1965, mudou o rumo criativo da banda sob influência de Bob Dylan e abriu caminho para a fase psicodélica de "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" e "Magical Mystery Tour". Mesmo com esse salto, os Beatles resgataram a velha canção nas sessões de "Let It Be", em 1969, por pura nostalgia.
"'One After 909', daquele LP lá, eu escrevi quando tinha 17 ou 18 anos. A gente sempre escreveu separado, mas escrevia junto porque às vezes curtia muito e também porque diziam: 'Bem, vocês vão fazer um álbum juntos e despachar umas músicas', como se fosse um emprego", contou Lennon em entrevista à revista Rolling Stone em 1970.
O título também carrega uma obsessão antiga do compositor, que anos depois ainda assinaria "Revolution 9" e "#9 Dream". "Eu morava no número 9 da Newcastle Road. Nasci no dia 9 de outubro, o nono mês (sic). É só um número que me segue por aí, mas, numerologicamente, parece que eu sou um número seis ou três ou coisa assim, mas tudo faz parte do nove", explicou Lennon sobre a fixação.
Para McCartney, a faixa funciona como um retrato da juventude ao lado do parceiro. "Ela me traz ótimas lembranças de mim e do John tentando escrever uma música de trem de carga, meio blues", recordou. Sobre o resgate da canção, ele acrescentou: "Era um número que a gente não costumava tocar muito, mas que sempre gostava de fazer, e nós o redescobrimos. Havia algumas músicas que a gente se perguntava por que nunca tinha lançado; ou o George Martin não gostava delas o suficiente, ou preferia outras."
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