Regis Tadeu explica por que o Slipknot deve agradecer de joelhos a Eloy Casagrande
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de setembro de 2026
O Slipknot saiu do transe criativo, e o responsável por isso tem nome e sobrenome, na visão de Regis Tadeu. Em vídeo publicado em seu canal no YouTube, o jornalista analisou "Arsenal", nova música da banda e a primeira gravada em estúdio por Eloy Casagrande desde sua chegada ao grupo. Para ele, a faixa marca o fim da ressaca criativa dos mascarados e mostra como o baterista transformou o que poderia ser "mais do mesmo" em uma pancada sonora de respeito.

Com a atenção voltada para as baquetas, Regis descreveu o que ouviu na gravação. "Essa música nova traz conduções de bateria absurdamente quebradas, repletas de acentuações fora dos padrões, fora dos clichês, com polirritmias e soluções rítmicas surpreendentes. Mesmo que leigos afirmem que tudo ali não passa de uma sequência de viradas rápidas o suficiente para impressionar garotos na internet, a verdade é que quem conhece o mínimo de música ouviu um sopro de inteligência rítmica, de métrica precisa, e uma ignorância técnica, no bom sentido, de dar inveja a qualquer baterista", afirmou.
O impacto, segundo o crítico, vai além da técnica e alcança a identidade da banda. "Fica evidente em cada compasso o quanto o estilo, ao mesmo tempo refinado e devastador, do Eloy já afeta o Slipknot de uma forma absurdamente positiva. Ele simplesmente pegou o som da banda pelo colarinho e deu uma chacoalhada que os caras não sentiam há mais de uma década", disse. Regis também classificou como irretocável o videoclipe dirigido por M. Shawn Crahan, o Clown, integrante do grupo, e o descreveu como visualmente tenso, fiel à energia violenta e claustrofóbica trazida pela nova bateria.
As comparações com os antecessores de Eloy, que toca ao vivo com o Slipknot desde 2024, continuam inevitáveis, admitiu o jornalista. Ele definiu o falecido Joey Jordison como um baterista genial e absurdamente criativo, divisor de águas no som nu metal da banda, dono de velocidade frenética, linhas de condução memoráveis e assinatura original. Já Jay Weinberg, filho de Max Weinberg, veterano da E Street Band de Bruce Springsteen, segurou a onda com garra, técnica assustadoramente competente e peso cavalar, sem precisar de maquiagem instrumental.
"De uns tempos para cá, quando o Eloy entrou na banda, ele vem unindo o melhor dos dois mundos e elevou o patamar rítmico do Slipknot. Além de ser um baterista espetacularmente rápido, ele tem uma pegada analógica, tem um arsenal de pancadas rítmicas sem precisar usar triggers e outras traquitanas eletrônicas. E tem uma precisão metronômica assustadora."
Os shows reforçam a tese. De acordo com Regis, a presença de Eloy no palco rendeu uma chuva de elogios de publicações especializadas em bateria, como a revista Modern Drummer e o site Drummerworld, e devolveu a raiva a clássicos como "People = Shit" e "Disasterpiece", cujos grooves pareciam perdidos no piloto automático das turnês anteriores. Ele observou que o baterista respeita as partes originais e ainda preenche os espaços com ghost notes (notas fantasmas, tocadas em baixa intensidade), além de uma dinâmica de pratos e uma firmeza de tempo que deixam a banda mais coesa do que nunca.
Na conclusão, Regis afirmou que o Slipknot teve a sorte de encontrar e, principalmente, escolher "um monstro do calibre do Eloy" e projetou o que pode vir por aí. "Se essa nova música for o aperitivo correto e verdadeiro do que vem pela frente num álbum completo, os integrantes da banda já podem agradecer de joelhos ao Eloy por ele ter ressuscitado e, principalmente, renovado o peso da banda", declarou.
Confira o vídeo completo abaixo.
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