A banda mais influente do rock alternativo dos últimos 40 anos? Barcinski explica
Por Gustavo Maiato
Postado em 12 de setembro de 2026
O jornalista André Barcinski publicou um vídeo em seu canal no YouTube para explicar por que considera o Melvins uma das bandas mais importantes do rock alternativo dos últimos 45 anos. O assunto tem motivo: a produtora que ele mantém com o sócio Leandro Carbonato escalou o grupo como atração principal da primeira edição brasileira do Levitation, marcada para o sábado, 23 de janeiro de 2027, no Complexo Tempo, em São Paulo. Será a volta da banda ao país 19 anos depois da única passagem, em 2008, também trazida pela dupla.

Criado em 2008 em Austin, no Texas, por um grupo de amigos liderado pelos integrantes do Black Angels, o Levitation chega ao Brasil em formato enxuto, para no máximo 4 mil pessoas. Além do Melvins, o elenco internacional reúne o Osees, de John Dwyer, que se apresenta com dois bateristas, o trio japonês Boris e o Frankie and the Witch Fingers, de Los Angeles. A cota nacional fica com o grind do Test, a psicodelia do Bike, o rock instrumental do trio Ema Stoned e o jazz rock do Bufo Borealis, grupo de Juninho, do Ratos de Porão.
Na avaliação de Barcinski, o rótulo de precursor de um único estilo não dá conta de uma banda formada em 1983. "As pessoas falam assim: 'Ah, o Melvins é pioneiro do grunge'. Pô, o Melvins surgiu cinco anos antes do grunge. 'Ah, o Melvins é pioneiro do stoner', mas eles surgiram dez anos antes do stoner. O Melvins é pioneiro de um monte de gêneros e subgêneros do rock. É impossível a gente falar de stoner, de sludge, de grunge, até de doom às vezes, sem falar do Melvins. Quem gosta de metal extremo gosta do Melvins. Quem gosta de Nirvana, Mudhoney e Pearl Jam gosta do Melvins", disse.
Os exemplos dessa influência aparecem em várias frentes. Kurt Cobain, lembrou o jornalista, tinha o Melvins como banda predileta, e o baterista Dale Crover chegou a tocar numa das primeiras formações do Nirvana. Até o Boris tirou o nome de uma música do grupo americano. No som, o Melvins começou no hardcore acelerado, na linha do Black Flag, virou a chave para faixas lentas de 15 a 20 minutos e, nos anos 1990, lançou "Houdini", que Barcinski coloca ao lado de "Bleach", "Nevermind" e "In Utero", do Nirvana, entre os grandes discos da era grunge.
Independência é a característica que ele mais destaca na trajetória da banda. Depois de uma passagem por uma grande gravadora nos anos 1990, o Melvins voltou a lançar discos pela Ipecac, selo de Mike Patton. Buzz Osborne cuida pessoalmente da carreira, a esposa dele assina capas e pôsteres feitos em casa, e o grupo segue na estrada com 100 a 150 shows por ano, pelas contas do jornalista. Ao Brasil, vem o quarteto formado por Osborne, Crover, o baixista Steven McDonald, do Redd Kross e do Off!, e o baterista Coady Willis, do High on Fire.
A escolha da atração principal, segundo Barcinski, conversa com o espírito do festival, que sempre recusou o apelo comercial. Na primeira vez que foi ao evento americano, em 2014, com a esposa e a filha, então com seis ou sete anos, ele não conhecia 70% das bandas e encontrou um ambiente sem área VIP, sem revista e sem polícia. A versão paulistana segue a mesma lógica, com ingressos apenas de pista e mezanino e meia-entrada solidária para todos. Ele resumiu assim o que viu no Texas:
"Era realmente um congraçamento. As pessoas estavam lá pela música. Não tinha essa das bandas tocarem, depois saírem correndo, irem embora. As bandas ficavam lá tomando uma com a galera e vendo o show das outras, indo no stand de merch e assinando coisas para o público. Era um clima de camaradagem total. E um clima de independência também muito forte, que eu acho que tem muito a ver com o Melvins."
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