A imposição de Renato Russo na Legião Urbana que deu certo, segundo Regis Tadeu
Por Gustavo Maiato
Postado em 03 de setembro de 2026
Regis Tadeu afirmou que o segundo álbum do Legião Urbana resultou de uma transição premeditada, e não de um acaso de estúdio. A análise está em vídeo publicado em seu canal no YouTube, dedicado aos 40 anos de "Dois", lançado em 1986. Para o jornalista, o disco marca o momento em que a banda abandona a sonoridade pós-punk do trabalho de estreia e assume um formato pop folk. A mudança, segundo ele, partiu de uma decisão consciente de Renato Russo.
Legião Urbana - Mais Novidades
O crítico descreve o processo como uma imposição interna. Renato teria interrompido a composição de canções calcadas em guitarra, baixo e bateria para gravar uma série de fitas demo ao violão, com apelo abertamente folk. O material foi entregue a Dado Villa-Lobos, Renato Rocha e Marcelo Bonfá acompanhado de uma exigência: a banda precisava adotar uma nova sonoridade e, por consequência, uma nova linguagem.
A motivação, na leitura de Regis, era estratégica. Ele descreve Renato Russo como um sujeito obcecado pela história do rock e pelas estratégias de marketing da música pop, muito acima do padrão do meio punk da época. O vocalista sabia que o modelo anterior funcionava como camisa de força e não pretendia passar a carreira gritando palavras de ordem contra o sistema. Queria, segundo o jornalista, o topo do mercado brasileiro, e não escondia isso de quem convivia com ele.
O projeto original era ainda mais ambicioso. Regis conta que Renato planejava um álbum duplo, batizado de "Mitologia e Intuição", vetado pela gravadora por razões comerciais - a banda tinha apenas um disco lançado até então. A ideia central sobreviveu ao corte, porque o violão assumiu protagonismo absoluto no resultado final, com arranjos que o crítico compara a canções feitas para serem tocadas ao redor de uma fogueira.
Da fase anterior, restaram poucos vestígios. O jornalista aponta "Metrópole" e "Fábrica" como as faixas que preservaram a urgência sonora do disco de estreia, próximas do espírito de "Geração Coca-Cola". O restante do repertório, segundo ele, abriu o país para a poesia de Renato Russo em estruturas pop inegáveis, caso de "Quase Sem Querer", "Andrea Doria" e "Eduardo e Mônica", que viraram hits radiofônicos imediatos.
Regis rejeita, porém, a leitura de que o álbum seja apenas ameno. Ele identifica uma tensão sofisticada que atravessa o trabalho, presente na eletricidade dúbia de "Daniel na Cova dos Leões", no lamento noturno de "Música Urbana 2" e na desilusão existencial de "Índios". O ponto alto dessa tensão, na avaliação dele, é "Tempo Perdido", faixa que sintetizou a urgência de uma geração e virou hino da juventude brasileira daqueles anos.
O legado, quatro décadas depois, aparece resumido em uma frase do vídeo. Para o jornalista, o disco provou que o rock nacional podia combinar densidade poética, requinte nas composições e público de massa ao mesmo tempo. Ele destaca ainda que a banda escapou da armadilha do segundo álbum também na parte visual, ao lançar um disco praticamente sem capa, em tom ocre, na contramão do padrão estético da época.
Confira o vídeo completo abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A maior e melhor banda de metal de todos os tempos, segundo Jerry Cantrell
O guitarrista que mais inspirou James Hetfield, do Metallica, segundo o próprio
O melhor compositor dos últimos 100 anos, segundo Ritchie Blackmore
O disco do Metallica que está entre os álbuns que mudaram a vida de Richie Faulkner
O baterista idolatrado por Neil Peart e Stewart Copeland; "o auge inalcançável"
A banda que Slash diz merecer mais fama: "Um dos melhores rocks crus de todos os tempos"
O disco gravado por Rob Halford que Metal Hammer considera um dos piores do Judas Priest
"Eu odeio"; a canção que o Depeche Mode foi obrigado a lançar e vendeu mais de meio milhão
Para Steve Harris, década de 1990 foi uma época muito estranha
A canção dos anos sessenta que fez Iggy Pop se livrar do blues e virar um "monstro"
É verdade que John Paul Jones toca piano em "She's a Rainbow", dos Rolling Stones?
A música de Renato Russo que ganhou prêmio de solo de guitarra sem ter guitarra
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
"Black Album", do Metallica, completa 850 semanas entre os mais vendidos nos EUA
O cantor com quem Paul McCartney sempre quis trabalhar e finalmente conseguiu
A definição do que é a Legião Urbana, nas palavras de Renato Russo
A canção da Legião Urbana sobre a qual Dado Villa-Lobos errou em seu livro
O hit da Legião Urbana que foi mal interpretado como apologia ao fascismo
Por que IA vai imitar melhor Chico Buarque do que Renato Russo, segundo escritor
Os clássicos do rock nacional que são os favoritos de Lito Sousa, do Aviões e Músicas
A reação de Carlos Trilha quando gravadora propôs R$ 400 por sua obra na Legião Urbana


