A música que, para Pete Townshend, herdou o papel rebelde do rock and roll
Por Bruce William
Postado em 12 de setembro de 2026
Pete Townshend não acha que o rock simplesmente "perdeu" para o rap ou para o hip-hop. Para ele, aconteceu algo mais interessante: a função cultural mudou de mãos. O que antes vinha da rua, da juventude e da sensação de confronto com o mundo passou a aparecer com mais força em outro lugar.
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Ao falar sobre essa mudança em conversa com o Iorr, o guitarrista do The Who lembrou que o rock and roll nasceu como música de rua. "Mas os músicos brancos e seu público deixaram de ficar na rua e começaram a ficar em restaurantes." Foi aí que rap e hip-hop ocuparam o espaço. Townshend não tratava esses estilos como inimigos do rock, mas como continuadores de uma função que o próprio rock já havia exercido décadas antes: falar diretamente com quem estava do lado de fora, refletir tensão social e oferecer algum tipo de identidade ou escape. "O rap e o hip-hop são a música da rua hoje"
Ele dizia ser grande admirador de rap e chegou a citar Eminem como alguém cuja postura lembrava o tipo de trabalho que ele próprio tentava fazer quando jovem. Não pela sonoridade, obviamente, mas pela capacidade de transformar conflito, frustração e ambiente social em música que falava diretamente com determinada geração.
Para Townshend, essa era a parte que importava. Sua função como compositor nunca foi apenas fazer discos ou escrever canções tecnicamente boas. Havia também a ideia de oferecer esperança, catarse e algum tipo de saída simbólica para quem ouvia.
Foi justamente nesse contexto que ele defendeu que rap e hip-hop haviam se tornado a nova "música da rua", ocupando um lugar que o rock and roll já tivera em outros tempos. A declaração aparece em uma entrevista daquele período e ajuda a entender por que Townshend rejeitava a ideia de que um gênero simplesmente tivesse "matado" o outro. "Meu trabalho não era vender discos. Era dar esperança às pessoas, dar a elas algum tipo de escape".
A visão também combina com a própria história do The Who. Desde os primeiros anos, a banda se alimentou de inquietação juvenil, choque geracional e uma sensação constante de confronto com o mundo adulto. Townshend parecia reconhecer que esse impulso não desapareceu - apenas encontrou outra linguagem.
Na cabeça dele, portanto, a questão não era saber se o rock continuava sendo grande ou popular. Era entender onde estava, naquele momento, a música capaz de falar diretamente com a rua. E, para Pete Townshend, essa resposta já havia mudado havia bastante tempo.
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