10 músicas de rock e metal diretamente inspiradas pelo 11 de setembro
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de setembro de 2026
Os atentados de 11 de setembro de 2001 completam 25 anos nesta sexta-feira. Naquela manhã, quase 3 mil pessoas morreram quando aviões sequestrados pela Al-Qaeda atingiram as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, nos arredores de Washington, enquanto um quarto avião caiu em um campo da Pensilvânia. O choque não demorou a chegar aos estúdios, e o rock e o metal responderam de formas bem diferentes entre si.

Por isso, o Whiplash.Net resolveu reunir canções inspiradas nos ataques. Entre as bandas pesadas e os nomes do rock, há de tudo: tributos aos bombeiros, relatos de quem viu as torres desabarem, faixas escritas na cabeça de um sequestrador e até teoria da conspiração. Abaixo, dez dessas músicas e o que os próprios autores disseram sobre elas.
Rush – "Peaceable Kingdom" (2002)
Faixa de "Vapor Trails", disco que marcou a volta do trio canadense depois das tragédias pessoais de Neil Peart, "Peaceable Kingdom" foi pensada como instrumental. Alex Lifeson contou ao Jam! Showbiz que a música se transformou em uma meditação sobre os ataques. Sem dar entrevistas na época, Peart explicou em comunicado que o título vem das quase 60 versões que o pintor quacre Edward Hicks fez da mesma cena bíblica, e que a carta de tarô A Torre "parecia um reflexo arrepiante dos acontecimentos de 11 de setembro de 2001".
W.A.S.P. – "Hallowed Ground" (2002)
Blackie Lawless dedicou "Dying for the World", décimo álbum de estúdio do W.A.S.P., às vítimas dos atentados, e "Hallowed Ground" aparece no disco em duas versões, uma com a banda completa e outra acústica. No anúncio do lançamento, publicado pelo Blabbermouth, o vocalista contou que o trabalho nasceu de cartas de soldados de divisões de tanques na Guerra do Golfo, que entravam em combate ouvindo "Wild Child" e "Animal (F**k Like a Beast)". Depois do 11 de Setembro, a banda quis entregar material novo a eles. "Nós literalmente fizemos um álbum para ir matar gente ao som dele", declarou.
Bruce Springsteen – "The Rising" (2002)
Dias depois dos ataques, Springsteen saía de uma praia em Nova Jersey quando um motorista passou com o vidro aberto e gritou "Bruce, we need you" ("Bruce, precisamos de você"). O episódio, lembrado pelo National Catholic Reporter, está na origem de "The Rising", primeiro trabalho com a E Street Band completa desde 1984. Em entrevista à Associated Press reproduzida pela CBS News, o cantor descreveu o disco como a tradução de um sentimento que pairava no ar naquele momento: "As músicas que escrevi meio que acontecem nesse contexto."
My Chemical Romance – "Skylines and Turnstiles" (2002)
Gerard Way era estagiário do Cartoon Network em Nova York quando viu as torres desabarem. Segundo a Kerrang!, o choque o levou ao porão da casa dos pais, onde compôs "Skylines and Turnstiles", primeira música do My Chemical Romance, lançada em "I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love". A banda considera 12 de setembro de 2001 sua data de fundação. Nos 20 anos dos ataques, em publicação repercutida pela mesma revista, o grupo lembrou que o mundo mudou naquele dia e que "no dia seguinte começamos a tentar mudar o mundo".
Porcupine Tree – "Collapse the Light Into Earth" (2002)
Steven Wilson trabalhava em outra canção no estúdio de casa em 11 de setembro e, cerca de dois dias depois, escreveu a faixa que fecha "In Absentia". No documentário sobre o álbum, dirigido por Lasse Hoile e lançado pela Kscope em 2020, ele explicou que não se trata de uma música sobre os ataques, e sim de uma canção de amor impregnada daquele momento. "Para mim, era um réquiem para o 11 de Setembro", resumiu. Wilson comparou a faixa a "The Disintegration Loops", de William Basinski, obra que também carrega a atmosfera daqueles dias.
Bon Jovi – "Undivided" (2002)
Faixa de abertura de "Bounce", "Undivided" canta a união dos americanos após os ataques. Jon Bon Jovi explicou à Billboard que todo artista precisou repensar o que colocava no mundo depois daquele dia. "Para mim, foi inevitável", disse o vocalista, lembrando que o condado onde mora foi o mais atingido de Nova Jersey, com 163 famílias afetadas. Como recordou o Ultimate Classic Rock, o disco estreou em segundo lugar na parada Billboard 200, embora o cantor tenha avisado que não queria fazer um "álbum do 11 de Setembro".
Iced Earth – "When the Eagle Cries" (2004)
Balada de "The Glorious Burden", "When the Eagle Cries" saiu antes em versão acústica no EP "The Reckoning", com clipe dirigido por Brian Smith. Em entrevista ao Blabbermouth, Jon Schaffer disse que o vídeo captava tragédia, solidariedade e retaliação. "Ele me trouxe lágrimas aos olhos na primeira vez que o vi", contou. Os atentados também mexeram na formação: Matt Barlow, que já tinha gravado as vozes do álbum, perdeu o interesse pela banda e foi trabalhar na polícia de Georgetown, em Delaware. Tim "Ripper" Owens, ex-Judas Priest, regravou tudo.
Slayer – "Jihad" (2006)
Composta principalmente por Jeff Hanneman, com letra dividida com Tom Araya, "Jihad" narra os ataques do ponto de vista de um dos sequestradores e termina com palavras deixadas por Mohamed Atta, apontado pelo FBI como líder dos terroristas do primeiro avião. A faixa de "Christ Illusion", disco que marcou a volta de Dave Lombardo, foi comparada a "Angel of Death" e contribuiu para que a EMI recolhesse o álbum na Índia. Em entrevista de 2006 republicada pelo Louder, Araya disse que chocar nunca foi o objetivo e atribuiu a polêmica à ignorância alheia: "Não estamos endossando ações terroristas."
Testament – "The Evil Has Landed" (2008)
A resposta do Testament veio quase sete anos depois, em "The Formation of Damnation", disco que trouxe de volta Alex Skolnick e Greg Christian. O atraso tinha explicação. Em entrevista ao Metal-Rules, Chuck Billy contou que a banda praticamente não existia em 2001: o vocalista enfrentava um câncer, e todo o equipamento estava guardado em um depósito. "Naquele momento, eu não sabia se voltaria a tocar música algum dia", disse. A prioridade, segundo ele, era apenas viver e passar o máximo de tempo com a família.
Fear Factory – "Controlled Demolition" (2010)
Nem toda resposta foi homenagem. Em "Mechanize", álbum que marcou a volta de Dino Cazares após a reconciliação com Burton C. Bell, o Fear Factory abraçou a tese de que os ataques teriam sido uma operação interna, ideia rejeitada pela comissão oficial que investigou os atentados e responsabilizou a Al-Qaeda. No guia faixa a faixa divulgado pelo Blabbermouth, Bell questionou por que seria tão difícil acreditar em corrupção entre autoridades eleitas e afirmou que, considerando o pensamento alternativo, "talvez você veja que há verdade por trás da falsa bandeira" (ataque executado para parecer obra de outro grupo).
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