Por que Bruno Sutter votou contra levar o Massacration à Europa: "Não quero"
Por Gustavo Maiato
Postado em 12 de setembro de 2026
Bruno Sutter foi o único integrante do Massacration a votar contra a recente passagem da banda pela Europa. Em entrevista ao Mariutti Team Podcast, o vocalista contou que perdeu a votação interna por quatro a um. Hoje ele comemora a derrota, depois de apresentações lotadas em Londres, no Vagos Metal Fest e em Lisboa.
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O convite inicial veio no começo do ano, do Vagos Metal Fest, que Bruno descreve como o maior festival de metal de Portugal. A proposta cresceu quando Felipe, hoje gestor do grupo Hermes e Renato, de onde o Massacration nasceu, avisou que tinha contatos para marcar datas em Londres e em Lisboa. Para Bruno, a ideia de tocar na Inglaterra só piorou o cenário, por causa da barreira do idioma.
"Eu votei contra. Falei: 'Cara, não quero, não quero'. A gente vai ter que começar tudo de novo. Ninguém conhece a gente lá fora. Poxa, a gente já está beirando 50 anos de idade. Isso aí é rolê para quando tem 20 anos, passar uns perrengues. (...) Eu fui voto vencido. E, cara, graças a Deus, porque eu mesmo caí na minha própria armadilha dessa síndrome de vira-lata", admitiu.
A surpresa começou na chegada a Londres, onde a comunidade brasileira é enorme. Faltavam cerca de 50 ingressos para esgotar o show no Underworld, casa de metal da cidade que receberia o Arch Enemy na semana seguinte. A lotação se completou numa quinta-feira. Antes, um pocket show no restaurante Made in Brasil, em Camden, também esgotou. Na plateia havia alemães, irlandeses e um casal italiano com os frangos da capa na cabeça e o recibo do disco comprado em 2006.
No meet and greet depois do show, Bruno passou uma hora e meia tirando fotos e percebeu um fenômeno que não esperava. "Muitas pessoas estavam emocionadas de ver o Massacration porque lembravam de casa, lembravam do Brasil, lembravam do pai, lembravam da mãe, lembravam de quando eram crianças. E aí me bateu essa epifania: onde tiver uma comunidade brasileira, a gente tem muita oportunidade de fazer um show bem-sucedido", contou. A contratante local, Cátia, disse nunca ter visto tanto merchandising vendido.
No Vagos, o desafio era outro, porque num festival só uma minoria conhece a banda. O Massacration subiu ao palco à uma da manhã, depois do Godsmack, atração principal do dia, e o público não arredou o pé. Bruno comparou a reação à cena de "Rocky IV" em que a plateia russa começa vaiando o lutador e termina gritando seu nome. As esquetes ajudaram na conquista, com Felipe em cena como Axl Rose e, depois, como Max Caganeira.
Em Lisboa, no dia seguinte, a maioria da plateia era de fãs portugueses, ainda mais eufóricos que os brasileiros, segundo Bruno. O público chegou a jogar uma boneca inflável durante o show inteiro, e o Detonator terminou cantando com ela. O vocalista voltou convencido de que o Massacration tem espaço fora do Brasil e lembrou a brincadeira de um influenciador português: "Se a gente importou o Deco, a gente precisa importar o Massacration também".
Confira o vídeo completo abaixo.
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