Os dois álbuns que fizeram Pete Townshend repensar o que a música podia ser
Por Bruce William
Postado em 29 de agosto de 2026
Em meados dos anos 1960, Pete Townshend já tinha ajudado o The Who a construir uma linguagem própria baseada em volume, confronto e singles explosivos. Ainda assim, dois álbuns lançados em sequência fizeram o guitarrista sentir que havia muito mais a explorar: "Pet Sounds", dos Beach Boys, e "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", dos Beatles.
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Townshend contou em sua autobiografia "Who I Am" que o impacto de "Sgt. Pepper's", lançado em 1967, foi imediato. "A onda de choque que causou desafiou todos os concorrentes; ninguém acreditava que os Beatles conseguiriam superar aquilo, ou que sequer se dariam ao trabalho de tentar", escreveu.
Pouco antes, ele já havia sido atingido por "Pet Sounds", de 1966. "God Only Knows" ficou especialmente marcada em sua memória, e Townshend chegou a chamar a música de "perfeita", além de definir Brian Wilson como um "gênio de verdade".
Os dois discos acabaram ocupando um lugar especial entre suas referências. "Para mim, Sgt. Pepper's e Pet Sounds redefiniram a música no século XX", escreveu Townshend. Segundo ele, atmosfera, essência, sombra e romance apareciam combinados de uma maneira que permitia descobrir algo novo a cada audição.
O guitarrista também lembrava que gostava de fumar maconha e ouvir repetidamente os dois álbuns, que chamava de seus favoritos. O mais importante, porém, era a sensação de que ambos apontavam para algum lugar ainda desconhecido. "Esses dois grandes álbuns indicavam o futuro, mas não ofereciam ferramentas, códigos ou processos óbvios que levassem até uma porta", explicou.
Essa inquietação ajuda a entender a transformação do próprio The Who. Depois da explosão juvenil de "My Generation", Townshend começou a perseguir projetos mais longos e conceituais, algo que culminaria em Tommy, de 1969, e posteriormente em trabalhos como Who's Next e Quadrophenia.
Assim, "Pet Sounds" e "Sgt. Pepper's" não entregaram a Townshend uma fórmula pronta. Fizeram algo talvez mais importante: mostraram que um álbum de rock podia ser tratado como uma obra inteira, cheia de camadas e ideias, e deixaram o guitarrista obcecado em descobrir qual seria o próximo passo.
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