Rush: Os 10 bateristas listados por Neil Peart como suas principais influências
Por André Garcia
Postado em 27 de abril de 2022
Neil Peart, o eterno baterista do Rush, é um nome garantido nas listas de maiores bateristas do rock por sua técnica apurada e impressionante precisão. Ao longo de décadas com o trio canadense, ele incontáveis vezes impressionou os fãs com sua capacidade de criar coisas complexas de tocar, mas simples de apreciar, e sempre com a seriedade e exatidão de uma máquina.
Sua dedicação ao instrumento era tamanha que, embora já fosse aclamado como um dos maiores do mundo desde os anos 70, por toda sua vida ele teve a humildade de seguir aprendendo e se aprimorando com aulas particulares.
No site oficial do Rush estão relacionados os bateristas que Peart listava como suas principais influências: Gene Krupa, Keith Moon, Mitch Mitchell, Ginger Baker, Michael Giles, John Bonham, Michael Shrieve, Phil Collins, Bill Bruford e Billy Cobham.
Garimpando as entrevistas dele, a Rock and Roll Garage encontrou suas declarações sobre (quase) todos os nomes citados acima.
Gene Krupa
Gene Krupa foi um baterista americano de jazz, famoso por seu estilo performático e cheio de energia. Embora tenha sido mais popular nos anos 50, se manteve na ativa até pouco antes de sua morte, em 1973.
"Ele foi o primeiro baterista de rock, em muitos sentidos. Sem Gene Krupa, não teria havido um Keith Moon. Ele foi o primeiro baterista a ser o centro das atenções. Foi o primeiro baterista a ser reconhecido por seus solos, porque eles eram bastante extravagantes. Ele fazia basicamente coisas fáceis, mas sempre fazia elas parecerem espetaculares."
Keith Moon
Baterista do The Who, se tornou conhecido por seu estilo louco, selvagem e excêntrico, tanto nos palcos quanto fora deles: costumava destruir quartos de hotel, já jogou uma limusine na piscina e até já explodiu a bateria num programa de TV.
"Para mim o herdeiro [de Gene Krupa] no rock 'n' roll foi provavelmente Keith Moon. Eu vejo muitas semelhanças entre os estilos deles tocarem. Embora Keith Moon fosse ainda mais relaxado e desleixado, foi um baterista que realmente cativou minha imaginação. Ele era tão livre, e aquela liberdade o tornava tão empolgante... Aquilo abriu minha cabeça."
Mitch Mitchell
Mitch Mitchell era um promissor baterista de jazz quando foi recrutado para tocar com Jimi Hendrix, chamando atenção de todos com seu estilo único por misturar a sutileza jazzística com o rock pesado.
"Foi numa manhã de sábado, durante minha aula de bateria no Conservatório Musical de St. Catharines, em Ontário. Eu lembro que meu professor colocou um disco para eu ouvir e me disse: 'Isso muda tudo!' Era 'Are You Experienced', de Jimi Hendrix, com Mitch Mitchell e sua bateria artística e inovadora."
Ginger Baker
Ginger Baker foi um proeminente baterista de jazz que atingiu o estrelato ao formar o Cream com Eric Clapton e Jack Bruce. Ele tocou também no supergrupo Blind Faith, liderou a Ginger Baker's Air Force e tocou com Fela Kuti em seu primeiro álbum.
"O Cream com certeza pode ser chamado de a primeira banda progressiva. Eles estavam rompendo as amarras do pop. O feito mais notável de Ginger Baker foi ter feito o que pode se considerar o primeiro solo de bateria do rock. E eu, um garoto de 15 anos na época, pensava: 'É isso aí! É esse tipo de baterista que eu quero ser!'"
Michael Giles
Michael Giles após integrar o excêntrico trio Giles, Giles and Fripp, se destacou no rock progressivo como co-fundador do King Crimson. Já tocou também com Roger Glover, baixista do Deep Purple.
"Ah, enorme [influência]. Era tudo que eu queria, ele era tanto disciplinado quanto empolgante. Ele mergulhava tanto naquilo que fazia… mas aquilo era delimitado em uma estrutura. A construção das viradas dele e seu senso harmonioso e orquestral era incomparável — e muito subestimado.
John Bonham
John Bonham foi recrutado por Jimmy Page após a separação do Yardbirds para cumprir a agenda da banda, o que deu origem ao Led Zeppelin. Combinando velocidade, técnica, potência e peso, é um dos mais influentes bateristas do rock pesado.
"Quando eu estava começando, bem garoto, John Bonham e Led Zeppelin eram novidades. John Bonham sempre fazia aqueles grandes triplets com seu bumbo gigantesco. Eu tinha dois pequenos bumbos na época, então peguei eles e fiz tipo um triplet de quatro batidas, como a minha variação daquilo. Com o passar do tempo eu fui encontrando diversas formas de desenvolver aquilo, e também de aplicar às músicas, não apenas aos solos."
Phil Collins
Phil Collins entrou para o Genesis como baterista em 1970, que em pouco tempo se consagrou uma das maiores bandas do rock progressivo. E fez parte também da banda de jazz fusion Brand X.
"Foi uma enorme influência para mim nos anos 70, e permanece sendo até hoje. As baterias que ele gravou nos tempos do Genesis e do Brand X foram grandes feitos técnicos, mas ainda assim muito musicais, e até mesmo líricos. Além disso, seus padrões rítmicos teciam a complexidade da música enquanto forneciam uma suave e fluída pulsação a ela, e estendiam os instrumentais."
"As viradas dele eram criativas e empolgantes, que ganhavam vida com energia e variedade, enquanto sua técnica refinada estava sempre a serviço da música. Até mesmo nas viradas Phil aplicava o dinamismo de um baterista de jazz. Ele me inspirou a tentar incorporar aquela sensibilidade em minha própria abordagem."
Bill Bruford
Bill Bruford é considerado o principal baterista do rock progressivo por ter sido um dos fundadores do Yes e ainda ter feito parte do King Crimson. Como se não bastasse, ele ainda assumiu as baquetas de Phil Collins tanto no Genesis quanto no Brand X.
"É um dos meus bateristas preferidos. Eu o admiro por inúmeros motivos. Eu gosto das coisas que ele toca, e da forma como ele as toca. Eu gosto da música que ele fez em todas as bandas pelas quais passou."
Billy Cobham
Billy Cobham é um baterista de jazz proeminente no final dos anos 60 e ao longo da década seguinte, período onde tocou com nomes lendários, de Miles Davis a James Brown.
"É um lendário baterista moderno de jazz. [Ele] influenciou toda uma geração de bateristas com seu trabalho com o Mahavishnu Orchestra, Miles Davis, Quincy Jones, Freddy Hubbard, George Benson, muitos lançamentos do selo CTI [Records] nos anos 70, com a própria banda dele, o Dreams, e mais recentemente com Peter Gabriel."
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