Metallica: biografia detalhada sobre o ex-baixista Cliff Burton

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Por Mário Pescada, Fonte: Biografia Cliff Burton
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Nota: 8

Ninguém pode subestimar o que a curtíssima passagem de Cliff Burton pelo METALLICA causou à banda e à música pesada em geral. Os três maiores discos do grupo foram feitos com ele e o quarto apresenta muito material escrito com ele. O METALLICA, três décadas depois da morte de Cliff, ainda toca obrigatoriamente várias músicas do começo da sua carreira com satisfação e orgulho.

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Clifford Lee Burton nasceu dia 10 de fevereiro 1962 em Castro Valley, um lugarzinho pouco conhecido de San Francisco, EUA. Filho de uma professora com um engenheiro, foi o caçula de três irmãos e desde muito cedo gostava de ler e ouvir música. Na escola, era comum encontrá-lo lendo livros sobre música clássica nos intervalos das aulas.

Começou aprendendo piano. O rock veio logo depois e o seus dias eram preenchidos com LYNYRD SKYNYRD, EAGLES, TED NUGENT, AEROSMITH, ZZ TOP, MISFITS e algumas coisas de jazz fusion. Para Cliff, não importava o estilo, importava o conteúdo. O baixo entra na sua vida por opção pessoal e desde muito jovem ele dizia que seria o melhor baixista para honrar seu irmão Scott, morto por conta de um aneurisma cerebral fulminante.

Como a prática leva a perfeição, logo o então estudante superou seu primeiro professor de baixo e teve que procurar outro mais avançado. Superou esse segundo também. Cliff chegava a praticar uma média de 6 horas por dia.

Ele aprendeu não só a prática, mas aprofundou na teoria, estudando compassos, harmonias, tempos, tablaturas, etc. Essa parte teórica foi fundamental para que mais tarde, James e Lars se desenvolvessem. Lars: "o modo como eu e James compomos música foi todo moldado quando Cliff estava na banda e foi bastante moldado em torno da contribuição musical de Cliff: ele nos ensinou sobre harmonias e melodias e todo esse tipo de coisa".

Uma de suas primeiras bandas foi a EZ STREET com seu amigo Jim Martin, guitarrista que fez muito sucesso posteriormente com o FAITH NO MORE e depois abandonou tudo para plantar abóboras. A banda foi rebatizada depois para AGENTS OF MISFORTUNE (em referência ao disco "Agents Of Fortune" (1976) do BLUE OYSTER CULT). O som? Chapado meu amigo, cheio de efeitos, psicodelia, fruto dos ensaios no meio da floresta a base de cogumelos alucinógenos e maconha - muita maconha. Ah, tem vídeo dessa época no Youtube!

Em 1980 Cliff se forma no ensino médio e consegue uma vaga na Chabot College, visando ser músico profissional. Conseguiu o apoio dos pais sob uma condição: se depois de formado eles não vissem nenhum progresso e ele não estivesse sobrevivendo como músico, teria de arrumar um outro emprego e começar algo diferente.

Entra na banda TRAUMA que tocava heavy metal tradicional com toques glam. Uma banda sem muita expressão, conforme testemunhas da época - exceto pelo seu baixista cabeludo que agitava muito seu baixo Rickenbacker. Foi nessa época que James, na banda CHAMPION, conheceu Cliff e criou ali uma boa impressão do seu futuro parceiro de METALLICA.

Uma curiosidade: você já deve ter reparado na forma que Cliff tocava, com os dedos bem abertos, não é? Pois bem, quando pequeno um anzol de pesca (um de seus hobbies) prendeu ao seu dedo e rompeu um tendão. Como forma de adaptação, ele tocava com a mão mais aberta e o dedo mindinho da sua mão direita ficava esticado.

Pouco tempo depois, lá estava James e Lars convencendo Cliff a entrar para o METALLICA, que nessa época era James, Lars, Dave Mustaine e o baixista Ron McGovney. Agradeçam a Lars pela entrada de Cliff: foi ele quem desde o momento que viu o baixista no palco o quis na banda. O encontro de Cliff com o METALLICA foi providencial: Cliff estava insatisfeito com o TRAUMA e o METALLICA não se dava bem em Los Angeles porque ali a cena era o glam, não o thrash metal apreciado em San Francisco. Como Ron era o saco de pancadas de todos e não se dava bem com ninguém, sobretudo Lars, era hora dele dizer tchau para a banda.

Cliff estava um passo adiante dos demais membros do METALLICA: muito habilidoso com seu instrumento, tinha boas noções de guitarra, escutava vários estilos, conhecia teoria musical e acabava controlando os impulsos de Kirk, o hiperativo Lars e os sempre bêbados Dave Mustaine e James Hetfield. Também era tido com o gente boa, sempre brincalhão e com opiniões fortes, mas bem baseadas. Todos os entrevistados destacam o quão amoroso o cara era.

O METALLICA já tinha participado da coletânea "Metal Massacre" (1982) com a música "Hit The Lights", ainda com Ron McGovney no baixo (um erro de grafia na prensagem apresentou a banda como METTALICA). Causaram um certo burburinho na cena da época, mas como haviam muitas bandas surgindo, acabaram relegados.

Graças a demo "No Life 'Til Leather" (1982) que foi parar nas mãos de John Zazula, proprietário de uma loja de discos e promotor de shows, as coisas deslancharam para a banda. Ele decidiu apadrinhar a banda levando os caras para sua casa e mesmo com pouquíssimos recursos investir nos garotos. Mas nem tudo ia tão bem assim: Dave Mustaine já começava a dar trabalho demais por conta das constantes bebedeiras, agressividade e cenas vexatórias. Era hora de uma nova substituição na banda.

Entra em cena Kirk Hammett, então guitarrista do EXODUS. Detalhe: Kirk entrou no METALLICA sem Dave ter saído. Explico: enquanto o cara voava para San Francisco, Dave era acordado de mais uma bebedeira daquelas e comunicado que estava fora da banda. Era hora de Mustaine voltar para casa - cruzando os EUA de ônibus.

A entrada de Kirk ajudou a banda não só com menos excessos como criou ali um parceiro para Burton, já que James e Lars eram muito mais próximos do que com qualquer um na banda. Ambos eram mais reservados, estudiosos e tinham afinidades, como o gosto por filmes e quadrinhos de terror.

Cliff ajudou o METALLICA a se transformar aos poucos. De um grupo formado para beber cerveja e tocar covers dos seus ídolos, passou a ser uma banda focada, preocupada com sua performance, postura e disposta a ser alguma coisa na então nascente era thrash metal - ainda que na época os próprios membros não tivessem ideia do que estavam ajudando a criar. Ok, já existia o MOTORHEAD e VENOM, mas as bandas da Bay Area de San Francisco pisaram mais fundo no acelerador.

Chega 1983 e John Zazula decidiu lançar por conta própria, via sua gravadora Megaforce Records, o debut "Kill 'Em All" (1983). O disco foi gravado em apenas dua semanas em Nova Iorque.

O resultado é um dos melhores discos de estreia de uma banda de metal. Um disco cru "graças" ao desinteresse do então produtor, muita adrenalina e aquele ímpeto juvenil que geraram dez pedradas: a empolgante "Hit The Lights", "The Four Horsemen", os riffs cavalares de "Motorbreath", a herança clara de Dave Mustaine em "Jump In The Fire", "(Anesthesia) Pulling Teeth" com Cliff dedilhando seu Rickenbacker cheio de efeitos e pedais wah wah durante quatro minutos, a veloz "Whiplash", "Phantom Lord", "No Remorse", a obrigatória até hoje nos shows "Seek & Destroy" e "Metal Militia" (que saudades de escutar esse riff de abertura no extinto Fúria Metal da MTv!).

O disco proporcionou a primeira tour para o METALLICA, a "Kill 'Em All For One" ao lado do RAVEN cruzando os EUA em um ônibus por 6 meses.

Mal o debut esfriou nos ouvidos dos fãs e os caras já partiram para compor "Ride The Lightning" (1984) gravado na Dinamarca. Antes, uma tour com o VENOM, a "Seven Dates Of Hell" por alguns países da Europa. A banda ia ganhando nome no underground graças a troca de fitas e correspondências com outras pessoas.

Mesmo já chamando a atenção das pessoas pelo seu jeito singular de tocar, Cliff ainda treinava todos os dias e achou tempo para a "banda" SPASTIK CHILDREN com James na bateria e amigos para fazer um som louco e sem propósito nenhum.

"Ride The Lightning" foi um passo além na carreira do METALLICA. Você reconhece ali a sonoridade do "Kill 'Em All", mas é impressionante como que o disco deu um salto sobre seu anterior. Letras mais maduras, produção mais limpa, novas experimentações que geraram novo contrato com outra gravadora, vendas robustas, mais fãs e reconhecimento da mídia especializada. Ali, o METALLICA começava a ficar grande. Das 8 músicas, 6 tem participação direta de Cliff.

"Fight Fire With Fire" abre o disco com seus riffs velozes e bumbos duplos; depois a faixa-título "Ride The Lightning" é daquelas ideais para bater cabeça junto com o andamento; a épica "For Whom The Bell Tolls" com seu solo de baixo evidenciando o talento e criatividade de Cliff; a primeira "balada" "Fade To Black", que, se por um lado desagradou os fãs radicais que já chamavam a banda de vendidos nessa época, mostrou uma faceta nova a muitos roqueiros que até hoje se emocionam com sua melodia e letra carregada; a bem estruturada e dinâmica "Trapped Under Ice"; "Escape" mais voltado para o heavy do que o thrash e que nunca foi executada ao vivo; o hino "Creeping Death" cantada a pleno pulmões até hoje e a instrumental "The Call Of Ktulu" claramente inspirada pelas preferências literárias de Cliff sobre ficção científica e terror, sobretudo H. P. Lovecraft.

Os dois álbuns anteriores criaram os alicerces necessários para o que viria a seguir, com músicos mais dedicados aos seus instrumentos, mais maduros e já começando a sentir uma certa pressão e cobrança. Com ele, o METALLICA se tornou adulto.

"Master Of Puppets" (1984) é um dos discos de thrash mais aclamados de todos os tempos, item obrigatório na coleção de qualquer um que diga gostar de metal, disputando cabeça a cabeça como o melhor de todos junto com o brutal "Reign In Blood" (1986) do SLAYER. Um disco pesado, complexo e com músicas longas e bem trabalhadas. A abertura "Battery", com sua entrada em violão, é só o começo de muito peso, depois "Master Of Pupptes" sobre a relação entre usuários e traficantes de drogas, "Welcome Home (Sanitarium)" deve ter causado arrepios nos fãs radicais antigos com sua introdução melódica e os vocais de James mais moderados, "The Thing That Should Not Be", segundo Cliff, foi uma espécie de continuação de "The Call Of Ktulu" com seu ar sombrio, mais uma vez inspirada nos contos de terror e ficção de H.P. Lovecraft, "Disposable Heroes" uma das músicas mais pesadas do disco com muito peso, velocidade e palhetadas no pré-refão, "Leper Messiah" que foi dedicada aos evangelistas de televisão, "Orion" faixa instrumental onde o talento de Cliff mais uma vez deixou sua marca, apesar de todos os membros irem muito bem em seus respectivos instrumentos e "Damage, Inc." fechando essa obra-prima como um soco no estômago.

Surge a honra de abrir para OZZY OSBOURNE pelos EUA e depois Europa como headliner tendo o ANTHRAX como banda de abertura. Bem pés no chão, Cliff disse em uma das poucas entrevistas concedias: "não ligamos para o que a mídia de massa diz ou escreve. As vendas de discos falam por si só...nós só fazemos o que fazemos". Em outra declaração, dessa vez sobre a continuação da turnê "Damage Inc. Tour", algo que poderia ter ocorrido: "Talvez iremos para a Austrália, talvez para a América do Sul"...sim meus amigos - talvez - Cliff Burton teria tocado aqui no Brasil. Já pensaram?

Após essa entrevista, a última de Cliff, a banda subiu ao palco e fez seu show em Estocolmo. Embarcaram no ônibus rumo a Copenhague. Na hora de decidir onde iriam dormir, como de costume, Kirk e Cliff disputaram nas cartas...e Cliff perdeu.

Cliff Burton morreu aos 25 anos por volta das 6:45 horas da manhã do dia 27 de setembro depois que o ônibus que levava a banda derrapou e o motorista perdeu o controle batendo contra o meio-fio e então tombando. Todos dormiam, então não há relatos precisos sobre o que realmente aconteceu. Depois que conseguiram sair do ônibus, ainda atônitos com tudo, no meio do frio, James foi o primeiro a achar Cliff embaixo do ônibus tombado com as pernas para fora. Até hoje não se sabe exatamente o que ocorreu: o motorista alega que a pista estava escorregadia e com gelo, mas não choveu e nem nevou horas antes, investigações não conseguiram dizer se houve ou não falha mecânica e foi diagnosticado que ele nem bebeu e nem dormiu ao volante.

A revista Kerrang! chegou a fazer uma bela homenagem em página dupla, preta, escrito: "O maior músico, o maior headbanger, a maior perda, um amigo para sempre". Anos depois foi construído por fãs um memorial em pedra próximo ao local do acidente.

O funeral ocorreu dia 7 de outubro em Castro Valley onde seu corpo foi cremado ao som de "Orion", uma das suas performances mais famosas. Seu baixo Rickenbacker foi devolvido à sua mãe Jan.

O METALLICA quase acaba, mas os sobreviventes decidem que seria melhor seguir em frente e que isso deixaria Cliff orgulhoso. "A pior coisa que poderíamos ter feito era ficar sentado emburrado em um quarto de hotel nos lamentando. Quanto mais se pensa sobre isso, mais se afunda", disse Kirk.

Decisão tomada, a banda logo recruta depois de alguns testes o jovem Jason Newsted, então baixista do FLOTSAM AND JETSAM. Jason era fã da banda, de Cliff, já sabia todas as músicas de cor, mas teria de entrar no lugar de uma grande pessoa, com sua sombra sempre por perto. E como esse cara sofreu nas mãos dos outros membros..."você está aqui no lugar de Cliff, então é isso que merece", teria dito James uma vez depois de mais um trote.

A banda reúne material novo, algumas ideias de Cliff e lança em 1989 "...And Justice For All", um disco quase que progressivo para os padrões anteriores. Além do pouco crédito dado a Jason, um fato que até hoje gera polêmicas é a forma como seu baixo foi propositadamente tratado nas mixagens, quase inaudível - você com certeza já deve ter lido alguma matéria aqui no Whiplash sobre isso. O processo de Jason foi solitário: enquanto ele gravava de dia, o resto da banda gravava de noite e havia pouco suporte da parte técnica com ele. Jason sofreu muito na época, o resultado ficou aquém do esperado e as críticas foram pesadas.

A redenção veio com o multiplatinado "Metallica" (1991). Graças ao amadurecimento, reconhecimento maior da banda com relação a Jason e as contribuições do produtor Bob Rock, o baixo novamente voltaria a ter uma posição de destaque na banda. Ali, o METALLICA alcançava o topo do heavy metal de onde reina até os dias de hoje. "Nós nunca teríamos escrito harmonias de guitarra, músicas instrumentais ou com melodias tão complexas sem Cliff. Não estaríamos onde estamos hoje", disse James.

Ao final, o autor faz uma breve passagem pelo Load (1996), Reload (1997), Garage Inc. (1998), a briga com o Napster, a saída de Jason, a entrada de Trujillo e alguns fatos.

Durante o livro há diversos testemunhos de músicos como Scott Ian (ANTHRAX), Alex Webster (CANNIBAL CORPSE), Tom Araya (SLAYER), Dave Ellefson (MEGADETH). Ao final, o capítulo "Nas palavras dos outros" traz mais alguns, de gente como Mikael Åkerfeldt (OPETH), Jeffrey "Mantas" Dunn (VENOM), Alex Skolnick (TESTAMENT), Nick Oligveri (ex-QUEENS OF THE STONE AGE), Dave Pybus (CRADLE OF FILTH) e jornalistas - todos unânimes em reconhecer Cliff como uma pessoa única e influente para o metal.

É verdade que muitos fatos são conhecidos pelos fãs, mas o trabalho que o autor teve de levar detalhes ao público é digno de aplausos. Tudo muito bem detalhado, diversas fontes, deixando pontos de vistas sobre o mesmo assunto nivelados. E o melhor, sem soar cansativo. Um ponto negativo é com relação às fotos que mereciam ter sido impressas em um papel de melhor qualidade, mas nada que desabone o livro.

Com relação ao que seria o METALLICA hoje caso Cliff estivesse vivo, ficarão sempre aquelas questões: existiria o black album? Load e Reload? A parceria com LOU REED? Ele seguiria tocando metal ou algo diferente? Mesmo vivo, a banda ainda existiria? Fato é que ninguém sabe e nunca saberá, Kirk já deixa claro no prefácio do livro (e eu concordo inteiramente com ele): "é impossível especular sobre o que Cliff teria feito se tivesse continuado vivo", mas com certeza teríamos na ativa um cara introspectivo, cheio de estilo com suas calças boca de sino e com uma baita pegada nas quatro cordas.

Cliff Burton: a vida e a morte do baixista do Metallica
Autor: Joel Mclver
Editora: Gutemberg - 240 páginas
Preço médio: R$ 33,00

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Sobre Mário Pescada

Mineiro, leitor compulsivo, ouvinte de todas as vertentes do rock - do blues ao grindcore. Valoriza mais a honestidade e entrega em cima do palco do que a técnica. Guarda os flyers dos shows que vai como se fossem relíquias.

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