A banda que o Metallica disse nunca mais querer levar para a estrada de novo
Por Bruce William
Postado em 23 de fevereiro de 2026
A ideia parece perfeita no papel: duas bandas gigantes do rock pesado dividindo a estrada, estádios cheios e uma turnê com cara de evento histórico. Só que, nos bastidores, a convivência entre Metallica e Guns N' Roses passou longe desse cenário ideal e acabou virando uma experiência que o grupo de James Hetfield deixou claro que não tinha vontade de repetir.
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A bronca do Metallica não era com a ideia de tocar em estádios ou dividir cartaz com banda grande, pois isso eles já faziam, estavam acostumados. O ponto era o dia a dia da turnê e, principalmente, o comportamento de Axl Rose em vários shows, com atrasos e apresentações começando fora do horário. Isso pesou a ponto de James Hetfield falar publicamente que a experiência não era algo que eles queriam repetir.
Em entrevista à Rolling Stone repercutida pela Far Out, Hetfield resumiu: "Eles são um tipo diferente de banda - e eu uso a palavra 'banda' meio livremente. É um cara e mais alguns caras. Nós queríamos mostrar às pessoas que havia algo um pouco mais progressivo e mais pesado do que o Guns N' Roses, e fazer isso do nosso jeito. Mas foi difícil seguir em frente lidando com o Axl e a atitude dele. Não é algo que a gente gostaria de fazer de novo."
Outro ponto que ajudou a deixar essa turnê com fama ruim foi o caos em um dos shows mais lembrados do período, em Montreal, em 1992, quando Hetfield sofreu queimaduras em um acidente com pirotecnia. Depois, o Guns N' Roses encerrou a apresentação mais cedo, e a situação saiu do controle com tumulto e quebra-quebra. Esse episódio virou símbolo de uma excursão que já estava tensa.
Jason Newsted, por sua vez, bateu muito na tecla da pontualidade do Metallica. A fala dele vai nessa linha: "Nós escolhemos tocar primeiro, claro, porque queríamos tocar no horário. A gente entrega. É tipo entrar às 8:01. Estamos no palco às 8:01. Sempre foi assim." E ele ainda completou, sobre o outro lado da dobradinha: "Eles tocavam depois da gente, e entravam no palco na hora que decidissem entrar. Trinta minutos de atraso, uma hora, duas horas..."
Essa dualidade entre os dois grupos acabou virando parte da narrativa da turnê: de um lado, uma banda obcecada por execução, agenda e consistência ao vivo; do outro, uma operação mais imprevisível, dependente do humor e das condições da noite. Para quem comprava ingresso, era uma loteria que nem sempre terminava bem.
A excursão foi de fato gigantesca em alcance e repercussão, mas deixou um gosto amargo no Metallica. E talvez esteja aí a parte mais interessante dessa história: às vezes a turnê é histórica no cartaz, nas fotos e nos números - e um inferno nos bastidores.
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