Nenhuma música ruim em toda vida? O elogio que Bob Dylan não costuma fazer por aí
Por Gustavo Maiato
Postado em 21 de fevereiro de 2026
Ao longo da carreira, Bob Dylan construiu uma reputação quase inatingível como compositor - ainda que ele próprio tenha admitido, indiretamente, que nem tudo em sua discografia seja impecável. Justamente por isso chama atenção quando o artista afirma que outro músico jamais escreveu uma canção ruim. Para Dylan, esse nome é Gordon Lightfoot. As entrevistas foram reunidas pela Far Out.
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Quando Lightfoot faleceu, Dylan declarou que o canadense partiu "sem nunca ter feito uma música ruim". E não era apenas emoção do momento. Em entrevistas anteriores, ele já havia reforçado a admiração: "O Gordon está por aí há tanto tempo quanto eu. 'Shadows', 'Sundown', 'If You Could Read My Mind'. Não consigo pensar em nenhuma de que eu não goste".
Em conversa com Bill Flanagan, em 2011, Dylan incluiu Lightfoot entre seus compositores favoritos, ao lado de nomes como Jimmy Buffett, Warren Zevon, Randy Newman, John Prine e Guy Clark. Ao falar sobre esse grupo, resumiu o sentimento com uma frase reveladora: "Toda vez que ouço uma música dele, é como se eu desejasse que durasse para sempre".
A admiração era mútua. Lightfoot já declarou à Forbes que Dylan foi uma "enorme influência", ainda que seus estilos fossem diferentes. Questionado sobre qual música de Dylan mais o marcava, respondeu sem hesitar: "Há tantas. Vou ficar com 'Blowin' in the Wind'".
A relação entre os dois também ganhou contornos simbólicos quando Lightfoot foi introduzido no Hall da Fama da Música Canadense. Dylan participou da homenagem e brincou: "Eu sei que ele já recebeu essa oferta antes, mas nunca aceitou porque queria que eu viesse entregá-la".
Mais do que elogios protocolares, o reconhecimento de Dylan parece refletir algo mais profundo: a consistência rara de Lightfoot. Enquanto muitos compositores alternam fases brilhantes com momentos irregulares, o canadense construiu uma obra marcada por clareza narrativa e elegância melódica. Talvez seja isso que Dylan quis dizer ao sugerir que não há "elo fraco" em seu catálogo.
Curiosamente, o próprio Dylan tentou se aproximar do som de Lightfoot. Ao falar sobre a influência dele em John Wesley Harding, admitiu: "Eu pensei que, se ele conseguia aquele som, eu também poderia. Mas não conseguimos". No fim, restou a admiração à distância - de um mestre reconhecendo outro.
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