Resenha - A história não contada do Motörhead - Joel McIver
Por Natália Ribeiro
Fonte: Metal Ground
Postado em 09 de junho de 2014
O prefácio do livro é escrito por outro personagem ilustre do rock n’ roll, Sir. Glenn Hughes, Deep Purple, Black Sabbath, Black Country Communion … declarando sua admiração por Lemmy e corroborando a ideia de que o vocalista do Motörhead é o próprio rock n’roll personificado.
Nota: 9,25
A divisão dos capítulos foi feita de forma cronológica, começando antes de 1971, até 2011, ano em que foi lançado pela primeira vez lá fora. Embora o livro seja organizado de forma linear, a história da banda, em termos de sucesso e reconhecimento, traça um caminho bastante tortuoso, são vários bons e maus momentos e isso só faz crescer minha admiração.

O que o livro deixa claro é o que o Motörhead sempre procurou seguir seus instintos e sua intuição, apesar de hoje terem conquistado seu lugar no hall de "banda para a eternidade", a história mostra que a banda sofreu duros golpes das gravadoras e da "indústria" da música. É como se eles não quisessem o Motörhead lá, mas tinham que engoli-los, e o sabor não era nada agradável.
Até hoje o Motörhead é uma banda que faz parte do mainstream, mas dispensa esse glamour por saber o que tudo aquilo representa e o quanto aquilo custa. Lemmy não gosta da ideia de "rock star", ele toca porque é aquilo que ama fazer e vive disso há quase 50 anos. Ele sabe que não existe nenhum glamour em dormir em vans fedorentas, usar roupas sujas e se alimentar mal. É claro que hoje em dia a banda não passa mais por isso, mas ele tem plena consciência de que o Motörhead só é o que é hoje porque já passaram muito por isso.

Boa parte do livro é dedicada à Lemmy, assim como tudo relacionado ao Motörhead. Prepotência? Eu não diria isso. Sempre que tem a chance Lemmy fala da importância de seus colegas de banda e deixa claro que todo dinheiro que ganham com o Motörhead é divido igualmente.
Foi ele quem sempre esteve lá, sempre foi o cara mais velho e mais experiente da banda, não que isso queira dizer algo sobre como ser um líder, mas Lemmy sempre esteve lá não só para o Motörhead, mas também para o próprio rock n’roll. Em 1957, com 12 anos, teve contato com Bill Haley com "Rock Around The Clock", que não o impressionou muito, foram Little Richard, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry e Fats Domino que o fizeram perceber que "algo" estava acontecendo e que poderia mudar a sua vida.
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Parece algo que existe dentro de nós, correndo em nosso sangue e que fica adormecido, até que seja acionado por algo e nosso corpo e mente passam a encarar o mundo de uma outra forma. Não parece algo que vem de fora para dentro, mas sim um sentimento que vem de dentro para fora.
"‘Que diabos é isso?’, e todo mundo mudou… Lembro-me de antes disso: era tudo terrível antes do rock’n’roll".
Daí ele dormiu no sofá da casa da mãe do John Lord, foi roadie do Jimi Hendrix, tocou no Hawkwind, montou o Motörhead, tentou ensinar alguma coisa de baixo para o Sid Vicious, excursionou com Dio, escreveu músicas para Ozzy Osbourne e teve o Metallica tocando em sua festa de aniversário surpresa, com todos os integrantes vestidos de Lemmy.

O Motörhead nunca fez parte de nenhuma tendência, talvez por isso tenha sobrevivido a todas elas. Durante anos a mídia tentou rotulá-los de algo, e lá se foi o Punk, a NWOBHM, o Thrash Metal, o Grunge o New Metal… e o Motörhead continua.
"Somos uma das poucas bandas que nunca vai deixar você decepcionado. Sempre fomos fiéis a tudo que acreditamos."
Os 25 avos descontados na nota desta resenha é uma implicância como subtítulo "a história não contada", pois na verdade o que temos é um trabalho minucioso de McIver em organizar relatos e entrevistas de diversas fontes num recorte de tempo de mais de 40 anos.
Esse livro é um pedaço significativo da história do rock.
Titulo: A história não contada do Motörhead

Preço Capa: R$44,90
http://www.idealshop.com.br/a-historia-nao-contada-do-motorhead.html
ISBN: 978-85-62885-19-8
Ano: 2013
Páginas: 276
Tradução: Renato Puppi Munhoz
Autor: Joel McIver
Editora: Edições Ideal
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