Resenha - My Bloody Roots - Max Cavalera
Por Glauber Magalhães
Fonte: MAX CAVALERA - MY BLOODY ROOTS
Postado em 13 de setembro de 2013
No dia 27/08 no Circo Voador o SOULFLY fez um show histórico quando fechou a noite após o SUICIDAL TENDENCIES. Quando estava dando uma olhada nos produtos das duas bandas eu vi que já estavam vendendo a auto-biografia de Max Cavalera, não pensei duas vezes antes de garantir a minha.
Ao chegar no hotel no Rio após o show nem quis saber de olhar para o livro, pois estava cansado, sabia que tinha que trabalhar cedo no outro dia e tinha certeza que não conseguiria parar antes de ler no mínimo umas 50 páginas.
O prefácio de cara já é surpreendente, uma vez que foi escrito por Dave Grohl, um cara que eu sabia que sempre curtiu Sepultura e Soulfly, inclusive o chamando para a participação no Probot, mas não tinha idéia de que a devoção pelo cara era tão grande.
O livro narra de forma emocionante fatos da infância de meninos bem nascidos, filhos de um funcionário da embaixada italiana na capital paulista, do amor pelo Palmeiras e de como suas vidas mudaram de forma repentina gerando todo o ódio necessário para que os irmãos Cavalera pudessem converter tal raiva na essência daquela que até hoje é o maior nome do metal nacional dentro e fora do Brasil. Não tem como não se transportar para BH, ou Belô como Max chama a capital mineira durante todo o livro, naquele início dos anos 80
Para fãs da banda e de Max é muito legal entender como o embrião do Sepultura nasceu da mistura de dois shows COMPLETAMENTE diferentes que foram vistos por Max e Iggor (sim, durante todo o livro o nome é citado com 2 G's), sendo um do Queen no Morumbi, numa viagem de férias à SP e o outro numa cidadezinha chamada Lambari em MG, da clássica banda carioca Dorsal Atlântica.
A forma como é narrado elucida todo o começo, as roubadas (como a do Wagner que depois de ser expulso da banda formou o Sarcófago), o primeiro show, as tretas de adolescentes, o primeiro EP bancado pela Cogumelo e as mudanças de formação até acharem aquela que foi definitiva até a saída de Max em 1996. Seria injusto não citar o apoio incondicional da mãe Vânia Cavalera que além de ter influenciado Max no Candomblé, quando percebeu que a música seria certamente o futuro dos filhos, fez de tudo para ajudar seja cozinhando ou abrigando todos os amigos metaleiros que frequentavam sua casa em Belô no começo da banda.
É interessante conhecer a trajetória do início desde as gravações feitas de maneira tosca mas que nunca diminuíram o ritmo, tesão e a vontade de fazer a banda acontecer. É ótimo entender como se deu o envolvimento de pessoas importantíssimas para a carreira da banda como os olheiros e produtores da Roadrunner que assinou com o Sepultura para a gravação de Beneath The Remains ou de Gloria Cavalera que os agenciou de 89 até 96 quando o houve o racha que fez com que Max saísse da banda. Apesar de superficial, achei que foi bem explicada a versão de Max para o caso e totalmente compreensível as razões para que o vocalista deixasse a banda, uma vez que Glória foi uma das pessoas mais que responsável pelo estrondoso barulho que o Sepultura fez pelo mundo de 89 em diante, passando pelo ótimo Arise de 91 e chegando ao ápice com as obras primas Chaos A.D. de 93 e Roots de 96, porém no livro temos apenas as versões do casal para o racha mais doloroso na história do metal nacional o que obviamente torna a coisa parcial.
Passando por todas as tragédias pessoais como mortes de parentes próximos, o rompimento com a banda que formou e com seu irmão , o nascimentos dos filhos, o surgimento do Soulfly com o renascimento Max como musico, as diversas mudanças de formação e direcionamento no som de sua nova banda e a reconciliação com Iggor em 2006 que acabou gerando o ótimo projeto Cavalera Conspiracy são muito bem explicados na parte em que julgo mais visceral do livro.
Não espere um livro polêmico da parte de Max sobre os outros integrantes do Sepultura, aliás ele rasga elogios a Andreas Kisser e deixa clara a evolução musical em Schizophrenia quando o guitarrista entrou na banda, da mesma forma que por muitas vezes fala da limitação técnica de Paulo Jr que só passou a gravar os baixos a partir de Chaos A.D.
Em resumo é um livro ótimo, apesar de algumas partes que poderiam ser um pouco mais esmiuçadas, mas essa é a opinião de um fã, talvez alguém que não goste tanto do Sepultura o livro pode soar ainda melhor o que pode ser considerado um êxito enorme.
Tanto para fãs quanto para os apenas admiradores do Sepultura, Nailbomb, Soulfly e Cavalera Conspiracy a dica é que leiam o livro com o Ipod do lado com a discografia completa das 4 bandas, pois é interessantíssimo ouvir e perceber coisas que nunca tínhamos notado nos sons e que Max explica no livro.
Ler este livro só reforçou ainda mais a admiração que tenho por Max Cavalera desde os meus 10 anos de idade. O vocalista fala de vícios, religião, tristezas e alegrias sem nenhum tipo de pudor e é sensacional saber que o cara que se transforma em cima do palco, além de um ótimo músico, é um cara totalmente voltado a sua família e devoção ao metal. O resumo desse livro em apenas uma palavra: Visceral
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