Heavy Metal: A História Completa (Ian Christe)
Por Paulo Henrique de Assis Faria
Postado em 24 de dezembro de 2012
Lançado inicialmente em 2003, com o título Sound of the Beast: The Complete Headbanging History of Heavy Metal, o livro que é vendido no Brasil com o nome "Heavy Metal: A história completa" mostra um apanhado interessante sobre o estilo mais pesado, controverso e apaixonante do rock. Escrito pelo jornalista suíço Ian Christie, a obra possui quase 500 páginas e, apresenta um guia histórico interessante, sobretudo para quem está iniciando como apreciador do Metal.

Christie começou bem suas escritas ao creditar o surgimento do Heavy Metal graças à influência exercida pelo Hard Rock inglês do Led Zeppelin e Deep Purple. Logo depois foi preciso e categórico em afirmar que o Black Sabbath foi o grande pai do estilo. Contou detalhes desconhecidos do grande público, como o processo de gravação do primeiro disco do Sabbath, lançado em 13 de fevereiro de 1970, além das primeiras experiências em turnê nos Estados Unidos. Deu destaque às principais revistas e publicações especializadas em Metal como a inglesa Kerrang! e disponibilizou também várias fotos exclusivas de grandes ídolos da cena.
No segundo capítulo deu o mais que merecido destaque ao movimento The New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM) ou em tradução literal "A nova onda do heavy metal britânico". Nessa parte as super bandas Judas Priest e Iron Maiden são exaltadas como líderes e principais bandas do conglomerado metálico e, outros grandes nomes ingleses como Def Leppard, Saxon, Motörhead e Diamond Head não são esquecidos.

Outro ponto forte do livro são as ótimas entrevistas com os Metal Gods Ronnie James Dio e Rob Halford, além de grandes figuras como Gene Simmons (Kiss), Dave Mustaine (Megadeth) e Dee Snider (Twister Sister), que em seus respectivos depoimentos mostraram-se verdadeiros paladinos da cena headbanger. Christie acertou também ao relembrar os constantes ataques conservadores que o Heavy Metal sofreu de políticos e líderes religiosos nos Estados Unidos, principalmente na década de 1980. Cena americana inclusive, que na época oitentista foi a responsável pelo surgimento do Big Four (Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax) e boa parte dos grupos de Hard Rock, também conhecidos como Glam Metal (Motley Crüe, Ratt, Quiet Riot, Poison, Guns n’ Roses, etc), que levaram o movimento Metal a patamares de popularidade jamais alcançados antes. O Metallica nessa parte e em relativa porção do livro é sem dúvida a banda que mais tem destaque. Acredito que o quarteto de San Francisco realmente é inegavelmente um dos grupos mais importantes para a cena metal, mas Christie ao dar enfoque exagerado a eles deixou de lado muitas outras igualmente relevantes.
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Outra derrapada literária ocorreu no 15° capítulo, quando ao abordar a globalização do metal, sobretudo no Brasil, só dá destaque ao Sepultura e simplesmente passa por cima de importantes representantes nacionais como Angra, Dr. Sin e Korzus, que possuem um vasto público no país, na Europa e até mesmo no Japão. Acredito que o mais correto seria Ian Christie fazer ao menos mais dois capítulos citando e comentando sobre os estilos e bandas importantes que deixou de lado. Afinal, o metal é grande demais para se limitar a cinco ou seis subgêneros.
Apesar dos pesares a obra é um exemplar interessante para quem quer conhecer um pouco mais o Heavy Metal mundial. Você certamente não vai jogar dinheiro e tempo fora em encará-lo; só acho que Christie deveria – ao menos por hora – mudar o nome do seu livro para Heavy Metal: A história (in)completa.

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