Garbage: não queríamos ser caracterizados só como a banda do produtor do Nirvana

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Scream & Yell
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Uma das bandas que influenciaram gerações, o GARBAGE, estará no Brasil em dezembro para dois shows promovendo o seu mais recente lançamento, "Strange Little Birds". Praticando uma mistura de guitarras pesadas com elementos de música eletrônica, a banda formada por Shirley Manson, Butch Vig, Steve Marker e Duke Erikson, já lançou seis álbuns de estúdio e vendeu mais de 17 milhões de discos com sucessos como "Only Happy When It Rains" e "Stupid Girl" . Douglas Elwin Erikson, o Duke, guitarrista e membro fundador da banda, conversou conosco sobre vários assuntos como o escapismo na música de hoje, a decisão de não se aproveitar, no início da banda, do fato de que Butch Vig tinha sido o produtor do "Nevermind", do Nirvana, sobre como conseguem manter a mesma formação desde quando começaram e, claro, sobre o "Strange Little Birds" e sobre os shows no Brasil. O quarteto se apresenta em 10/12 no Tropical Butantã, em São Paulo, e em 11/12, no Circo Voador, no Rio de Janeiro. A abertura dos shows ficara por conta da potiguar FAR FROM ALASKA na capital paulista e da BBGG no Rio.

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Daniel Tavares: Em primeiro lugar, é um prazer falar com você. Vocês estarão se apresentando no Brasil e ambos os shows estão praticamente sold-out. Por favor, nos conte o que os fãs que já compraram ingressos para esses shows podem esperar deles e porque os outros fãs devem correr para comprar os tickets restantes, se é que ainda haverá algum quando publicarmos esta entrevista.

Duke Erikson: Bem, eles podem esperar que nós estejamos muito empolgados porque nós amamos ir ao Brasil. Nós estivemos lá antes e amamos ir à América do Sul. Os fãs são tão encorajadores, entusiásticos, tão apaixonados.É realmente uma grande experiência pra gente. Nós realmente estamos buscando por isso. Eu acho que o GARBAGE, como uma banda ao vivo, eu acho que estamos tocando melhor do que em qualquer outra época, mesmo depois de fazer isso por vinte anos. Certamente a Shirley tem se mostrado muito bem ao vivo. Ela tem dado tudo o que tem todas as noites. Então eu acho que os fãs podem esperar realmente um show apaixonado por parte da banda também. Nós vamos estar fazendo um monte de canções populares, todos os hits, muitos deles, mais algumas coisas obscuras. E nós provavelmente vamos tocar algumas canções do nosso novo álbum "Strange Little Birds".

Daniel Tavares: Ambos os shows estão praticamente sold-out. E há meses à nossa frente antes da data dos shows [a entrevista foi realizada em setembro]. O que significa pra você fazer shows com ingressos esgotados meses antes da data de sua realização?

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Duke Erikson: É absolutamente surpreendente e eu estou surpreso, mas também muito, muito empolgado. E estou muito agradecido aos fãs por terem mostrado tanto interesse no GARBAGE. Nós não presumimos, não tomamos isso como uma coisa garantida. Nós temos muita sorte de ter fãs ao redor do mundo assim. Sim, eu estou chocado. É maravilhoso ter shows sold-out com essa antecedência. É em novembro que vamos não é? É apenas fantástico. Obrigado por me contar isso.

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Daniel Tavares: Sim, ainda não estão sold-out, mas estão quase. Eu acredito que os ingressos não vão durar muito tempo. Vamos falar sobre seu álbum mais recente, "Strange Little Birds". Vamos falar do seu álbum mais recente, "Strange Little Birds". Já faz algumas semanas desde que ele foi lançado. E como você vê a recepção a ele?

Duke Erikson: Bem, nós não temos dado... nós, quer dizer, certamente eu, eu não presto muita atenção às críticas, resenhas e tudo isso, mas, do que eu tenho ouvido falar e de algumas que eu tenho lido, tem havido uma ótima resposta da crítica. Mas a coisa mais importante é que temos recebido uma ótima resposta dos fãs, que estão realmente empolgados com o álbum. Nós, como banda, estivemos focados muito mais, estávamos muito de acordo com tudo quando fizemos este álbum. Em álbuns anteriores nós meio que tínhamos tudo espalhado em todos os lugares, ideias diferentes, canções diferentes e as canções tinha uma relação meio esquizofrênica de uma canção para outra, com padrões esquizofrênicos, porque as canções eram muito diferentes, mas neste álbum eu acho que nós meio que estávamos na mesma sintonia. E eu acho que estávamos na mesma sintonia sobre como este álbum deveria soar. E então eu acho que há uma continuidade, há uma espécie de linha através de todo o álbum que faz com que as canções trabalhem juntas. Então, eu acho que é um dos nossos melhores discos. Certamente tem algumas das melhores letras da Shirley e melhores performances vocais por todo o álbum.

Daniel Tavares: Antes do lançamento de "Strange Little Things" nós vimos uma foto com uma lista de vinte e duas canções que vocês estavam trabalhando no álbum. A maioria delas nós podemos encontrar no disco, não todas com os mesmos nomes, mas eu posso reconhecer, por exemplo, "If I Lose You"/"If I Lost You", mas existem dez ou mais músicas que não foram lançadas. Vocês tem planos para lançar essas dez canções em uma versão deluxe, ou outro álbum, o que você acha que vai acontecer?

Duke Erikson: Bem, sempre que nós gravamos um álbum nós costumeiramente trabalhamos em vinte ou mais canções até que nós refinamos para um punhado delas. Então, todo álbum tem muitas ideias de canções que são colocadas na mesa, mas são deixadas na lata, por assim dizer. Uma hora ou outra nós podemos retornar a elas, mas, sabe, aquelas são ideias que são meio que exploradas e descartadas e deixadas no chão em geral. E eu não sei o quão frequentemente as pessoas realmente voltam para esse tipo de coisa porque é o trabalho que foi feito na busca de uma ideia em particular. Então, se nós decidirmos que uma dessas ideias pode ser encaixada em um álbum posterior ou poderia funcionar no ponto onde estivermos em um ano ou dois é possível voltar para uma, mas, minha memória me diz que a maioria das vezes nós nunca voltamos para essas canções. Talvez até as revisitemos de uma forma ou de outra, mas nós veremos.

Daniel Tavares: Shirley Manson e também o Butch Vig disseram que a música popular hoje é, tipo, feliz demais. Você compartilha esses sentimentos sobre a música hoje? Não a sua música, mas a música em geral, a música popular em geral.

Duke Erikson: Eu acho que obviamente a música popular tem um tom escapista de falsa felicidade. Existe muita música por aí que não é assim, mas eu acho que não era dessas que ela estava falando. Eu acho que ela se referia às mais populares, as grandes estrelas, sabe, à música que está no rádio e nas coisas mais populares, mas eu... eu acho que compartilho isso. Eu acho que, não que eu esteja interessado em estar em uma banda escapista ou interessado em encarar a realidade com a cabeça erguida, se pudermos, mas, sabe, eu acho que existe espaço para todas. Há espaço para todas. A música popular sempre passa por fases onde a parte mais popular é meio que um doce, realmente, sabe. Nada de realmente significância, mas que está lá só para puro entretenimento, puro divertimento. E haverá uma fase em que a música popular tenha algum tipo de posição política ou tente na verdade importar socialmente e tente endereçar as coisas acontecendo no mundo. Temos passado por fases como essa e eu não posso imaginar que não vamos passar por outra fase como essa onde a música realmente comece a importar mais do que ser apenas feliz.

Daniel Tavares: Sobre a saúde do Butch Vig. Ele teve alguns problemas recentemente. Ele virá ao Brasil ou será substituído nesta turnê.

Duke Erikson: Ele está indo bem até agora. E tem tocado muito bem. Nós todos nos divertimos. É bom tê-lo de volta. Então eu posso apenas assumir que ele estará no Brasil também.

Daniel Tavares: No começo, de certa forma, vocês tentaram esconder, ou pelo menos não enfatizar o trabalho do Butch como produtor no álbum "Nevermind", do NIRVANA. O que pode ser considerado uma espécie de, eu não sei, autossabotagem ou algo parecido no início da banda. Isso foi uma decisão mútua ou foi só dele? Você acha que algo seria diferente agora se, no começo, vocês dissessem que estavam começando a banda com um dos produtores de um álbum como o "Nevermind"?

Duke Erikson: Eu acho que o Butch e todos nós não queríamos ser categorizados como a banda dele. Nós não queríamos que o GARBAGE fosse categorizado como a sua banda. Nós queríamos ter sucesso ou nem ter sucesso, mas por nossos próprios méritos. Nós queríamos ser lembrados pela nossa música ou não por quem quer que seja que acaso estivesse na banda, sabe? Então, eu acho que foi uma decisão feita por todos nós. Eu realmente não me importo das pessoas falarem sobre o Butch ter produzido o "Nevermind". Eu acho que agora as pessoas entendem que nessa banda nós todos escrevemos, nós todos produzimos. Nós somos iguais nessa banda. Não há certamente sentimentos ruins sobre os quais nós falemos. Por agora eu realmente não me importo se falem disso ou não. [risos]

Daniel Tavares: E vocês tem trabalhado juntos, tocado juntos por mais de 20 anos agora, mesmo antes que o GARBAGE fosse formado...

Duke Erikson: Ai. [risos]

Daniel Tavares: Qual o seu segredo para continuar juntos com a mesma formação por tantos anos enquanto outras bandas mal ficam por três anos com os mesmos membros? E vocês são os mesmos quatro desde que começaram.

Duke Erikson: Bem, é, existem muitas formas de responder a essa questão, mas, é só que eu... em cada banda em que estive eu tomei a decisão de ser amigo das pessoas com quem estou e não apenas estar em uma banda como alguma forma de movimento da carreira. Você tem que se sentir como alguém absorvido pela família. Você deve se sentir bem quando se senta numa sala para fazer música com as pessoas, especialmente se você faz isso noite após noite. Você tem que ser amigo, tem que gostar das pessoas com quem você trabalha. De outra forma, a música sofre e tudo o mais. Então, eu acho que todos nós quatro olham em como estar numa banda. E eu tenho tocado com o Butch por quase quarenta anos. E eu não consigo me imaginar trabalhando com ninguém mais, realmente. Eu quero dizer, eu tenho trabalhado [com outras pessoas] ao longo desses anos, colaborei aqui e ali, mas, sabe, nós continuamos voltando um para o outro e o Steve se envolveu não muito tempo depois e, quando Shirley se juntou à banda, foi como se nós a conhecêssemos por um longo tempo. Então, nós apenas tivemos sorte. O segredo é: tivemos sorte.

Daniel Tavares: Existe uma pergunta que eu sempre faço a todos os meus entrevistados. O que você conhece da música brasileira? Existe algum artista ou banda que você goste ou mesmo que tenha tido qualquer influência na sua música, no seu estilo de tocar, de compor ou que você escute em casa?

Duke Erikson: Bem, vou te dizer que a primeira vez que tomei conhecimento da música brasileira ou qualquer coisa que se pudesse ouvir da música brasileira foi quando eu era garoto, era o Sergio Mendes, que era extremamente popular nos Estados Unidos. Ele tinha uma popularidade maciça. Quando apareceu eu me apaixonei por aquele som, por aqueles ritmos através daquilo e explorei um pouco mais. Eu acho que isso é o que posso pensar que possa ter tido mais importância para mim.

Daniel Tavares: Vamos terminar com uma mensagem. Por favor, sinta-se à vontade para se comunicar com todos os fãs brasileiros do GARBAGE. Você pode convidá-los para ir ao show ou dizer qualquer outra coisa que queira.

Duke Erikson: Eu estou muito empolgado para ir ao Brasil e estou muito excitado para tocar também para nossos fãs por aí. É uma honra pra gente ser convidados para tocar aí. Então nós nos sentimos sortudos.




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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