10 álbuns dos anos 70 que já foram chamados de heavy metal
Por Bruce William
Postado em 10 de maio de 2026
Hoje parece fácil separar hard rock, heavy metal, proto-metal, glam, sleaze, arena rock e todas as gavetinhas que apareceram depois. Nos anos 1970, porém, a coisa era bem menos organizada. A expressão "heavy metal" ainda era usada de maneira solta, muitas vezes até com tom pejorativo, para descrever bandas que soavam mais pesadas, mais barulhentas ou mais agressivas do que o rock herdado dos anos 1960.
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A Loudwire reuniu dez discos daquela década que, em algum momento, já foram tratados como heavy metal, mesmo que hoje muitos deles sejam classificados de forma mais confortável como hard rock ou rock clássico. A graça da lista está justamente nessa zona cinzenta: nem todos esses álbuns soam como metal aos ouvidos atuais, mas vários ajudaram a montar o vocabulário que o gênero usaria com mais força nos anos seguintes.
Alguns exemplos são quase inevitáveis. "Machine Head", do Deep Purple, lançado em 1972, aparece como uma espécie de manual de peso, técnica e riffs marcantes, com "Smoke On The Water" virando uma das portas de entrada mais famosas para guitarristas iniciantes. "Led Zeppelin IV", de 1971, também entra nessa conversa por faixas como "Black Dog", "Rock And Roll" e "When The Levee Breaks", além da construção crescente de "Stairway To Heaven", que parte de um clima suave e vai acumulando tensão até explodir.
A lista também passa por discos que ajudaram a empurrar o hard rock para uma linguagem mais direcionada ao metal. "Ritchie Blackmore's Rainbow", de 1975, trouxe Ronnie James Dio em uma fase que já apontava para temas mais sombrios, riffs mais definidos e uma imagética que depois ficaria muito associada ao próprio Dio. Já "Phenomenon", do UFO, de 1974, aparece como um elo importante entre o hard rock de base blues e o som mais preciso que influenciaria a New Wave of British Heavy Metal, especialmente por causa da guitarra de Michael Schenker em faixas como "Doctor Doctor" e "Rock Bottom".
Nos Estados Unidos, "Montrose", lançado em 1973, entra por outro caminho. O álbum de estreia da banda de Ronnie Montrose, com Sammy Hagar nos vocais, não tinha o clima sombrio de um Black Sabbath, mas trazia uma escrita direta, riffs secos e uma força que ajudou a definir uma ideia de rock americano pesado. Algo parecido vale para "Van Halen", de 1978, que hoje costuma ser colocado mais no campo do hard rock festivo, mas que chegou com o "brown sound" de Eddie Van Halen e abriu caminho para muito do que explodiria depois no glam e no chamado hair metal.
O AC/DC aparece com "Highway to Hell", de 1979, um caso curioso porque a banda nunca precisou de atmosfera sombria ou grandes conceitos para soar pesada. O peso vinha da precisão dos riffs de Angus e Malcolm Young, da voz cortante de Bon Scott e de uma simplicidade quase brutal. No mesmo campo de impacto físico, mas por outra via, a Loudwire cita "Alive!", do Kiss, de 1975, disco ao vivo em que a banda parecia maior, mais alta e mais explosiva do que realmente era nos álbuns de estúdio.
Também entram na lista "Rocks", do Aerosmith, lançado em 1976, e "In Trance", do Scorpions, de 1975. No caso do Aerosmith, o álbum foi importante para músicos que depois fariam parte do metal, do hard rock sujo e do sleaze, com uma sonoridade mais crua em faixas como "Nobody's Fault". Já o Scorpions, ainda com Uli Jon Roth, aparece em uma fase mais psicodélica e dramática, bem diferente do grupo que faria sucesso mundial nos anos 1980, mas já com elementos que ajudariam a moldar parte do metal europeu.
O ponto principal não é dizer que todos esses discos "são metal" no sentido moderno da palavra. A própria lista funciona melhor quando vista como retrato de uma época em que o gênero ainda estava sendo descoberto em tempo real. Algumas bandas estavam mais perto do blues pesado, outras do rock de arena, outras de uma pegada mais teatral ou europeia. Mas, para quem ouvia aquilo nos anos 1970, antes de Judas Priest, Iron Maiden e toda a geração seguinte deixarem as fronteiras mais nítidas, o impacto era simples: aquilo soava pesado. E, muitas vezes, era pesado o bastante para ser chamado de metal.
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