A banda mineira que o RPM sonhava alcançar antes de estourar, segundo Paulo Ricardo
Por Gustavo Maiato
Postado em 09 de maio de 2026
O RPM virou um dos maiores fenômenos comerciais do rock brasileiro nos anos 1980, mas o objetivo inicial da banda era bem mais modesto. Em entrevista ao Pânico, Paulo Ricardo disse que o grupo não imaginava chegar ao nível de popularidade que atingiu. Segundo ele, o sonho era alcançar o patamar do 14 Bis, banda mineira formada por músicos ligados à cena progressiva e à música brasileira dos anos 1970.

A declaração surgiu quando Paulo comentava o impacto do sucesso do RPM. O cantor afirmou que, por ter escrito sobre música antes da fama, conhecia bem artistas internacionais como Ozzy Osbourne e Iron Maiden, mas isso não o preparou para viver o fenômeno por dentro. "Quando é com você, é sempre diferente. Quando você escreve, é uma coisa. Quando você vive, é outra", disse.
Paulo explicou que não havia precedente, no rock brasileiro, para o tamanho que o RPM alcançou. Até então, segundo ele, fenômenos daquele porte pareciam restritos ao cenário internacional ou aos grandes nomes da MPB. "Todo o fenômeno do rock era internacional. Não havia um precedente nesse nível para eu achar que isso pudesse acontecer", afirmou.
Foi nesse contexto que ele citou o 14 Bis como referência. "Para você ter uma ideia do tamanho das coisas, o nosso grande sonho era chegar ali no patamar do 14 Bis", contou. O apresentador reagiu com surpresa, e Paulo reforçou a admiração pela banda. "Para nós, o 14 Bis foi uma banda que veio do Terço, né? Quando o Flávio Venturini terminou o Terço, ele montou o 14 Bis. Uma grande banda."
O cantor também lembrou sua ligação afetiva com a cena musical de Minas Gerais. "Eu era muito fã dessa cena de Minas", afirmou, citando Beto Guedes e o ambiente musical que cercava artistas daquele período. Para Paulo, aquele universo representava um modelo de prestígio artístico e popular que o RPM desejava alcançar.
O que aconteceu depois superou qualquer projeção. O RPM lançou discos de enorme vendagem, fez turnês lotadas e chegou a ganhar um Globo Repórter especial dedicado à banda. "Era uma coisa que a gente não esperava que pudesse acontecer. E quando aconteceu, foi surreal", disse Paulo.
Segundo ele, o sucesso parece inacreditável até hoje. "É surreal até hoje. Ainda bem que tem livros e vídeos para mostrar que aconteceu mesmo", afirmou. O cantor citou o Globo Repórter como um registro preciso daquela fase. "É um registro bem preciso."
Confira a entrevista completa.
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