As duas bandas de metal que James Hetfield não suporta: "Meio cartunesco"
Por Gustavo Maiato
Postado em 10 de maio de 2026
James Hetfield ajudou o Metallica a transformar o thrash metal em uma força mundial, mas não se empolgou com alguns caminhos que o peso tomou nos anos 1990. Segundo a Far Out, o incômodo do vocalista vinha de uma mudança de cenário. Enquanto o Metallica havia construído sua reputação com "precisão, habilidade técnica e canções bem amarradas", o nu metal passou a valorizar "atitude e imediatismo", muitas vezes no lugar da complexidade musical.
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Em entrevista à Playboy, Hetfield citou diretamente Limp Bizkit e Rage Against the Machine. "Limp Bizkit me parece meio cartunesco", afirmou. Depois, completou: "Não gosto de um cara apenas gritando. Como Rage Against the Machine: aquilo não era cantar, era apenas um cara meio irritado, dizendo a opinião dele."
A crítica atingia dois nomes importantes da época, mas por motivos parecidos. O Rage Against the Machine misturava metal, funk, punk e hip-hop, com letras políticas e vocais inflamados de Zack de la Rocha. O Limp Bizkit, liderado por Fred Durst, virou um dos rostos do nu metal, com visual exagerado, riffs simples e discurso provocativo. Para Hetfield, esse tipo de som parecia distante do que ele entendia como música pesada.
A Far Out observa que a frustração de Hetfield refletia "uma mudança mais ampla no que definia a música pesada". O Metallica vinha de uma escola em que o peso dependia de riffs precisos, mudanças de andamento e construção. Já parte das bandas dos anos 1990 apostava mais em impacto direto, groove e raiva vocal.
Essa antipatia de Hetfield por certas vertentes do rock pesado não começou nos anos 1990. Nos anos 1980, o alvo era outro: o glam metal. Em entrevista ao programa sul-africano MK Ondergrond, o músico disse que talvez o thrash nem existisse sem a reação contra aquele estilo. "Provavelmente não. Havia um ódio enorme por aquilo, e isso alimentou muito do thrash."
Hetfield lembrou que o Metallica cresceu em Los Angeles "bem no coração do glam", "no auge do glam", cercado por bandas como Mötley Crüe, Ratt e Poison. Para um grupo que queria tocar rápido, agressivo e sem maquiagem, aquela estética de cabelo armado, baladas e pose virou uma espécie de inimigo natural.
A Far Out resume esse contraste ao dizer que, no começo dos anos 1980, o Metallica era "a representação mais precisa do que o heavy metal tinha a oferecer", enquanto outras bandas apareciam na MTV com visual glamouroso e, para Hetfield, artificial. Esse choque ajudou a formar a identidade do thrash.
A ironia é que o próprio Metallica também enfrentou críticas quando tentou mudar. "Fade to Black", com violão na abertura, já havia causado estranhamento em parte do público em "Ride the Lightning". Depois, discos como "Load", "Reload" e "St. Anger" mostraram uma banda tentando dialogar com novas fases do rock pesado, nem sempre com boa recepção dos fãs.
Ainda assim, a diferença central permanece. Hetfield podia aceitar evolução, mas não parecia aceitar o que via como caricatura ou pose vazia. Nos anos 1980, isso apareceu na rejeição ao glam de Mötley Crüe, Ratt e Poison. Nos anos 1990, reapareceu na crítica a Limp Bizkit e Rage Against the Machine.
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