As duas músicas mais importantes de qualquer álbum do The Cure, segundo Robert Smith
Por Gustavo Maiato
Postado em 09 de maio de 2026
Para Robert Smith, a chave de um álbum do The Cure não está necessariamente no maior hit. O vocalista disse à Uncut (via Far Out) que, para ele, duas faixas definem o caminho de qualquer disco da banda: a primeira e a última.
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"Fundamental na história da banda é que, se eu sei quais são as músicas de abertura e encerramento, o álbum está meio pronto", afirmou Smith. A lógica é simples. Quando ele descobre como o disco começa e termina, todo o resto passa a fazer mais sentido.
A ideia funciona quase como a estrutura de um filme. A faixa inicial estabelece o clima, apresenta o mundo daquele álbum e convida o ouvinte a entrar. A última música fecha o arco, dá o tom da despedida e mostra para onde aquela viagem deveria chegar.
Por isso, nem sempre essas canções são os maiores sucessos. Em "Disintegration", por exemplo, o disco abre com "Plainsong" e termina com "Untitled". Os hits mais lembrados, como "Pictures of You", "Lovesong" e "Lullaby", aparecem no meio do caminho.
Smith prefere começar com algo mais atmosférico do que explosivo. A abertura, em sua visão, precisa criar cena. É menos um golpe direto e mais uma introdução cinematográfica, como créditos iniciais que preparam o público para a história.
Essa forma de pensar combina com o próprio método de criação do The Cure. Smith sempre teve uma relação peculiar com o estúdio. Em "Just Like Heaven", por exemplo, chamou sua companheira Mary para assistir à gravação vocal porque queria se sentir desconfortável e cantar "com uma ponta de tensão".
Em outros momentos, ele usou a pressão sobre a própria banda como combustível, fazendo os músicos tocarem como se aquela pudesse ser a última chance do grupo. O resultado foi uma discografia em que clima, tensão e narrativa contam tanto quanto refrãos.
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