Quando Ritchie Blackmore falou merda e perdeu a amizade de um rockstar maior que ele
Por Bruce William
Postado em 10 de maio de 2026
Ritchie Blackmore nunca foi exatamente conhecido por medir palavras. O guitarrista do Deep Purple e do Rainbow construiu uma reputação não apenas pelo estilo marcante na guitarra, mas também por opiniões duras sobre bandas, cenas musicais e tendências que, em sua visão, não tinham a força ou a autenticidade que ele esperava do rock.
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Essa postura apareceu em vários momentos. Blackmore olhava com desconfiança para movimentos muito abraçados pelo público ou pela imprensa, e nem sempre poupava nomes grandes. Quando o punk ganhou força, por exemplo, ele esteve entre os músicos que não enxergavam ali a mesma profundidade musical que seus defensores apontavam. Algo parecido ocorreu quando o Fleetwood Mac explodiu com Rumours: Blackmore preferia uma música mais intensa e não se empolgou com aquele lado mais suave do rock.
Mas uma das declarações mais delicadas envolveu os Rolling Stones. Segundo a Far Out, Blackmore e Mick Jagger chegaram a se aproximar nos anos 1970, em uma relação que poderia ter rendido uma amizade interessante entre dois nomes centrais do rock britânico. Jagger, inclusive, teria ficado impressionado com o guitarrista, chamando Blackmore de o melhor que já tinha visto.
A situação mudou em 1978, quando Blackmore falou sobre os Stones em entrevista à Trouser Press. Ele disse que não tinha muito interesse pela banda, acusou o grupo de pegar riffs de Chuck Berry e ainda soltou uma frase que não deixava grande espaço para diplomacia. "Eu não gosto deles", afirmou, mesmo dizendo também que respeitava os Rolling Stones.
A fala não surgiu do nada dentro da visão musical de Blackmore. Ele já tinha demonstrado incômodo com parte da cena britânica dos anos 1960, que via como excessivamente bonita, polida ou artificial. Bandas como Beatles e Hollies entravam nesse pacote, e ele chegou a se mudar para a Alemanha por um período para se afastar daquele ambiente. Para Blackmore, as coisas só voltaram a ficar mais interessantes quando Jimi Hendrix apareceu e trouxe outra dose de perigo ao rock.
O problema é que, no caso dos Stones, havia também uma relação pessoal em jogo. Anos depois, em conversa com Cameron Crowe, Blackmore lembrou que vários nomes grandes falavam bem dele naquela época, incluindo Jagger. Mas a declaração contra os Stones encerrou a aproximação. "Depois eu detonei os Stones na imprensa, e aquele foi o fim daquela amizade", disse.
A crítica de Blackmore tocava em um ponto real da história dos Rolling Stones: a banda sempre bebeu muito no rhythm and blues, no blues elétrico e em guitarristas como Chuck Berry. Só que há uma diferença entre reconhecer influências, transformar uma linguagem e simplesmente acusar alguém de roubar ideias. Os próprios Stones nunca esconderam suas fontes, e boa parte de sua força veio justamente da maneira como filtraram esse repertório para um novo público.
No caso de Blackmore, a frase ficou como mais um exemplo de sua franqueza atravessada. Ele podia admirar certos músicos, desconfiar de outros e mudar de rota sem muita preocupação com as consequências sociais. Com Mick Jagger, a consequência parece ter sido simples: a amizade que começava a se formar não passou pelo teste de uma entrevista impressa.
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