As bandas "pesadas" dos anos 80 que James Hetfield não suportava ouvir
Por Bruce William
Postado em 31 de janeiro de 2026
Antes de virar uma instituição do metal, o Metallica nasceu com aquele espírito de banda que quer tocar mais pesado do que o bairro inteiro. E, quando Hetfield foi perguntado se o thrash existiria sem o glam (ou sem a raiva do glam), ele respondeu: "Provavelmente não. Havia um ódio enorme por aquilo, e isso alimentou muito do thrash."
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Na sequência, ele puxou o cenário onde essa implicância tomou forma. Hetfield lembrou que a banda cresceu em Los Angeles "bem no coração do glam", "no auge do glam", com "seus Mötley Crües, seus Ratts, seus Poisons", tudo baseado ali. E descreveu a sensação de ser "a figura odiada", só que, segundo ele, aqueles grupos ainda eram mais odiados por eles.
Vale notar o detalhe: essa fala não aparece como "piada de internet". Ela vem de uma entrevista com o programa sul-africano MK Ondergrond e foi republicada por veículos de metal, inclusive o Blabbermouth.net. É dali que a Far Out puxou a frase pra montar o texto.
O que ele está descrevendo é bem específico de época: a convivência forçada com o "pacote" glam na cidade, com visual, baladas e estética dominando clubes, rádios e a cena. Pra um grupo que queria soar agressivo e rápido, aquilo virava o inimigo perfeito, inclusive como combustível pra escrever, tocar e se diferenciar.
E aí entra uma ironia histórica que o próprio Metallica acabou encarando. Hetfield comenta que, quando a banda usava violão, era porque curtia referências como Iron Maiden e Led Zeppelin, mas o ambiente ao redor associava acústico a "balada melosa". Esse tipo de leitura torta já tinha aparecido quando "Fade to Black" abriu com violão em "Ride the Lightning" e, anos depois, voltou em escala maior na era do "The Black Album".
No meio disso, a fala do Hetfield ajuda a entender por que a rivalidade thrash x glam ficou tão marcada. Além da música, era também uma questão de postura e de "território". Ele ainda completa dizendo que eles eram expulsos de clubes porque achavam que eram punk rock. É o tipo de lembrança que deixa claro que a briga era bem menos teórica do que parece hoje.
Resumindo, o que havia naquele momento era uma banda jovem, num lugar específico, cercada por um som e uma estética que ela não queria representar. Dá até pra discordar do ranço, mas é difícil negar que essa antipatia virou parte do motor que empurrou o thrash pra frente, e o próprio Hetfield descreveu isso do jeito mais simples possível: o ódio ajudou a fazer a roda girar.
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