Bumblefoot: o tempo fará justiça ao Chinese Democracy
Por Ygor Gomes
Fonte: Gaffa
Postado em 09 de outubro de 2010
O web site Australiano Gaffa recentemente conduziu uma entrevista com Ron "Bumblefoot" Thal, guitarrista do GUNS N' ROSES. Alguns trechos dessa conversa seguem abaixo.
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Gaffa: Você tornou-se membro do GUNS N' ROSES anos antes do lançamento de "Chinese Democracy", mas você acabou tocando em todas as canções. Até que ponto você adicionou novas partes, e até que ponto você refez partes existentes dessas canções?
Thal: Eu não refiz parte nenhum. Eu apenas adicionei meu próprio material. E depois no estúdio é que faríamos as decisões — vamos deixar isso assim, vamos tirar isso, vamos fazer isso mais alto, vamos fazer isso mais baixo — mas tudo que eu toquei foi o meu próprio material, se era base ou solo.
Gaffa: Você ou outra pessoa fizeram um esforço especial para se certificar que seu material estivesse em todas as faixas?
Thal: Nós só ficamos um grande tempo dentro de estúdio, e eu continuei tocando, e tocando, e tocando — até que nós acertássemos o som! Eu trabalhei no material que ainda não havia sido lançado, também. Eu quero dizer, há uma grande quantidade de músicas dessa época, e eu toquei em praticamente todas elas. Então nós decidimos o que tirar das músicas, e eu tenho certeza que em algum outro momento vai acontecer com as outras músicas existentes. E eu estou certo de que nós poderíamos escrever algumas músicas agora, com a atual formação, e fazer algo completamente novo.
Gaffa: Você está se aproximando de seu quinto aniversário como membro da banda. Qual a diferença de ser membro do GUNS N' ROSES agora, do que quando ingressou?
Thal: Bem, eu não sou mais o novato agora! No começo, eles não sabiam o que diabos fazer comigo, mas agora eu acho que eles já sabem. O bom e o mau. E o feio. E o muito feio! Quando eu entrei, tenho certeza que eles pensaram, "Quem é esse cara que a cegonha simplesmente deixou na nossa porta?" Tommy [Stinson, baixo], que sempre foi um cara punk, sabe que eu cresci com um monte dessas coisas, e nos conectamos nesse nível. Eu e Richard [Fortus, guitarra] estaríamos tocando e falando sobre as antigas músicas do YES. E atualmente, a primeira música que eu e Richard juntos aprendemos a tocar foi "Rock N' Roll Hoochie Koo"! Nós mandamos e-mails, telefonamos e escrevemos quando estamos em lados diferentes do continente, e quando estamos do mesmo lado, nós pegamos e tocamos. Frank [Ferrer] trouxe sua bateria para minha casa na semana passada e nós tocamos durante muitas horas, e na semana anterior nós fomos até a casa do Sebastian Bach e tocamos também.
Gaffa: Qual a sua opinião sobre a recepção de "Chinese Democracy"?
Thal: É como qualquer outro álbum — algumas pessoas vão amá-lo, algumas irão odiá-lo, e algumas não se importarão da mesma maneira. Em termos de produção, você pode olhá-lo de duas maneiras. Ou é como "The White Album", ou como "Pet Sounds" – uma grande declaração pessoal. Houve muita produção, e isso foi bom, frágil equilíbrio de ter tudo exatamente certo. Para mim, isso é mais como uma orquestração. Não foi como uma simples gravação de rock, e eu acho que isso deveria fazer com que as pessoas parassem durante um minuto para pensar, porque eu acho que muitas delas estavam esperando por um "Appetite II". Com álbuns como "Use Your Illusion", as coisas estarão sempre voltadas nessa direção, e se você pegar todos esses anos de evolução e repentinamente sair para fora da casca com uma coisa como esta, definitivamente irá chocar as pessoas.
Gaffa: Chris Cornell falou sobre o que ele pensa sobre álbuns que devem ser revistos após dez anos de seu lançamento, porque é aí que eles serão vistos no contexto adequado. Você acha que ele está certo?
Thal: Oh, totalmente. Quando "Chinese Democracy" foi lançado, ele ainda tinha toda a bagagem de álbuns anteriores ligados a ele. "Demorou todo esse tempo para ser feito, e rumores dizem que foi realmente caro! E não possui os integrantes originais da banda!" E isso muda a opinião das pessoas sobre o que elas estão ouvindo, até quando elas estiverem com isso tudo na cabeça. Mas se você der um tempo e olhar para trás, todas as outras coisas não são mais relevantes, e você estará olhando para isso justamente do jeito que realmente é — um álbum, uma coleção de músicas — e você começa a analisá-lo com uma nova abordagem. Então eu acho que quanto mais o tempo passar, as pessoas começarão a apreciar mais o álbum.
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