Soulfly: Max Cavalera se aprofunda no novo disco
Por Nacho Belgrande
Fonte: Vue Weekly
Postado em 26 de março de 2010
Lendo "Omen": Max Cavalera se aprofunda no último disco do SOULFLY
Por Eden Munro, publicado originalmente no Vue Weekly.
Max Cavalera tem martelado Metal por muito tempo, começando com o debut do SEPULTURA de 1986, "Morbid Visions". Desde que separou-se da banda depois de "Roots", de 1996, Max lançou seis álbuns com o SOULFLY e um com o CAVALERA CONSPIRACY. Ele falou com o Vue Weekly recentemente sobre o vindouro sétimo disco do SOULFLY, "Omen".
Quanto tempo demorou para fazer o "Omen"?
Max Cavalera: "Provavelmente um ano e meio ao todo, mas o tempo em estúdio foi de um mês. O tempo de gravação foi de cerca de 17 dias que usamos para gravar tudo e o resto foi usado para mixar, então eu o fiz em um tempo muito bom".
Você gosta de trabalhar depressa?
Max Cavalera: "Sim, gosto. Eu gosto de muitas das ideias originais. Eu não curto mudar as coisas demais porque eu acho que você arruina a canção quando começa a mudá-la demais e quando começa a pensar demais nela. Eu acho que a ideia original se perde em meio ao processo, então muito do que você ouve no disco do Soulfly é a ideia original, é bem próximo de onde se originou, quando o riff saiu pela primeira vez. Nós gostamos de manter isso assim, e é por isso que nossa gravação é um pouco mais rápida que a de outras bandas".
É como capturar aquele momento na vida da banda, então?
Max Cavalera: "Sim, é aquele momento do disco. O estilo que o álbum representa é onde a banda está no momento, e eu curto isso porque eu olho pros álbuns mais antigos, desde o Sepultura até o Soulfly, e eu posso ver onde a minha cabeça e onde a banda estava na época. Muito tempo atrás a gente costumava passar mais tempo no estúdio e isso fodia com tudo, arruinando a canção a ponto de não gostarmos mais dela, e isso era péssimo. Eu aprendi naqueles primórdios a não fazer mais isso: se a ideia original é boa, animadora, mantenha-a, dance de acordo com a música e vá junto".

Você chegou a um ponto onde disse, "OK, tá na hora de fazer um disco novo," e daí começa a escrever canções ou você tinha coisas do passado que cavou pra esse?
Max Cavalera: "Eu cavei um pouco do passado. Talvez 20 por cento de 'Omen' foi de material de antes e o resto foi todo novo que eu fui e gravei sabendo que seria para o disco.
Eu estava apenas escrevendo e escrevendo e escrevendo sem parar até que eu soube que tinha coisa suficiente, e eu apenas parei de compor naquele ponto e fui pro estúdio com o material e transformei tudo em canções. Normalmente eu faço isso assim: eu escrevo os riffs originais em um gravador de 4 pistas com uma bateria eletrônica, então são quase como canções. Elas são quase canções completas com todas as partes diferentes e tudo mais e a banda aprende aquelas e daquelas quatro pistas cada uma se torna uma canção do disco e nós apenas mudamos um pouco mais, fazendo coisas como acrescentar bridges e solos e refrões e coisas do tipo, mas a canção real é criada nesse gravador de 4 pistas. O espírito das quatro faixas é realmente muito importante pra fazer o disco: é de onde o sentimento do disco virá".
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Max Cavalera: "Sim, eu de fato escrevi mais do que eu preciso, então há algumas coisas que restaram que eu andei pensando que possa usar com o Cavalera Conspiracy. Eu tenho que ouvi-las de novo e me certificar que elas se encaixam no Cavalera Conspiracy, e caso sim, eu provavelmente as usarei".
Quando você está escrevendo, você sabe de cara se a canção vai ser pra uma das bandas em particular?
Max Cavalera: "Vez por outra, e algumas vezes eu as escuto de novo e posso de fato mudá-las de modo que elas sirvam pra outra banda. Então elas podem se encaixar no Cavalera Conspiracy se eu mudá-las um pouco sabendo como Igor [Cavalera, irmão e baterista do Cavalera Conspiracy] toca, porque eu sei que o Igor toca diferente. É bem fácil de fazer, na verdade, mudar as canções pra que sirvam pro Cavalera Conspiracy".

Você gravou alguns covers para faixas extras de "Omen". Como você decidiu as canções?
Max Cavalera: "Elas foram escolhidas pelos meus filhos porque eles tocaram bateria nelas. Zyon, meu filho mais velho, escolheu 'Refuse/Resist' do Sepultura, e Igor, o mais novo, escolheu "Your Life, My Life" do Excel, uma banda hardcore de Venice que ele curte – coisa bem underground. Foi escolha deles e foi legal que eu não tive que escolhê-las porque eu venho escolhendo covers minha vida toda e foi bom dar um tempo".
Foi sua primeira vez gravando com seus filhos?
Max Cavalera: "No estúdio sim. Foi demais, foi bem estimulante e eles mandaram ver. Eles sabiam as músicas, eles ensaiaram, então eles estavam prontos pra isso. E apenas por estar no estúdio com eles foi um grande momento. Eles não tem bandas nem nada ainda, eles apenas tocam bateria porque eles gostam. Ambos escolheram a bateria – eu não sei porque nenhum deles pegou um instrumento diferente de modo que pudessem estar numa banda juntos. Mas os dois escolheram a bateria, então eu gravei com os dois tocando em canções diferentes".

Você sempre convidou outros músicos pra gravar com você. O que há em colaborar com pessoas de fora da banda que lhe leva a essa abordagem?
Max Cavalera: "Eu gosto muito. Eu sempre gostei desde os dias do Sepultura. A colaboração sempre foi algo enorme e é apenas algo que traz outro nível a canção, e você tem que ouvir o artista em uma maneira diferente que você normalmente o faz. Por exemplo nesse disco você pode ouvir Greg [Puciato] do Dillinger Escape Plan cantando em uma música estruturada normal, não numa estrutura caótica como o Dillinger, então é legal ouvir a voz dele no estabelecimento normal de uma canção".
Mágica pode acontecer quando você pega pessoas que não estão acostumadas a tocar uma com a outra todo dia e as põe juntas.
Max Cavalera: "Exatamente isso. Uma das razões pelas quais eu o faço é um monte de coisa boa que sai disso. É inesperado, desse jeito é bem excitante".

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