Love Street: HQ dos anos 90 inspirada em música do The Doors
Por Adriano Carlos Tardoque
Fonte: Blog Sonoro Panegírico
Postado em 03 de março de 2013
No ano de 1999, o primeiro número da minisérie The Sandman Presents: Love Street foi lançado nos EUA. Inspirada em uma música de mesmo nome, gravada pela banda The Doors, como a segunda faixa álbum Waiting for the Sun (1967), o autor Peter Hogan buscou em sua adolescência a ambientação ideal para imaginar como teria sido conviver nos anos de rebeldia, com uma lenda das HQ’s: John Constantine, um manipulador de forças sobrenaturais entre o céu e o inferno, criado pelos geniais Alan Moore, Steve Bissette e Totleben John, do selo Vertigo, braço da DC Comics. Usando como fundo a atmosfera da paz e amor, que adornava a mentalidade dos jovens que propunham uma transformação do mundo nos idos anos 60, sob a influência da Era de Aquário, tendo os hippies como mestres de cerimônias e mediadores dos conhecimentos ocultos, Hogan procura não somente usar Constantine como uma peça do seu "alter ego" em uma história sobrenatural, mas posicionar-se criticamente sobre sua geração.
Em texto publicado originalmente na seção On the Ledge da revista (que na edição brasileira de 2002, apareceu na contracapa do volume um), escreveu: "Em 1968, eu era muito parecido com a versão adolescente de John Constantine (...) Como ele eu fingia ser alguns anos mais velho, para poder trabalhar na imprensa clandestina e fumar maconha nos quartos de Notting Hill, com meus amigos hippies de vinte e tantos anos – o equivalente a fugir de casa para se juntar a um circo. Eu vi bandas importantes de graça no Hyde Park, aprendi a andar descalço em qualquer lugar (...), e fiz várias coisas idiotas. Felizmente, o mundo era mais inocente na época (...) E é claro, a diversão não durou. "Eu odiei o que os hippies se tornaram," Constantine comenta em Love Street, e eu concordo – o começo dos anos setenta foi realmente perigoso, o clichê hippie que as pessoas lembram. Mas eu adorava como eles começaram, e de uma certa forma, eu ainda gosto. Questionaram e arriscaram, criaram livros estranhos, trazendo muito barulho e cor para o mundo; entrar no jogo gargalhando sem medo de passar por idiota enquanto buscavam a sabedoria. Resumindo, eram todos os bons motivos para ser adolescente (...)"Por outro lado, como a maioria dos adolescentes eram um pouco bagunceiros. Verdade seja dita, havia várias boas atitudes sociais e conceitos filosóficos (além das roupas) que agora admitimos que foram testados pela primeira vez na época, e não há como negar que era um processo interessante, mas também era altamente tapado e carecia de qualquer tipo de senso discriminatório. Eu odeio falar mal dos mortos, mas Timothy Leary era um idiota perigoso – embora na época, ele geralmente gozava de do mesmo respeito que Buda. E não deixe ninguém lhe enganar dizendo que os anos sessenta eram anos dourados. Eles foram, na realidade muito sombrios, um tempo cinzento, onde todos aqueles grandes discos e programas de TV que as pessoas lembram vieram bem lentamente, na verdade em doses pequenas, e brilharam como diamantes em meio a tanta lama. Você pode ir comprar o melhor agora – apenas agradeça por não precisar escutar o resto, ou tenha que lidar com aquele mundo".
A história se passa em dois momentos: no presente (1999), quando uma amiga sua e de John Constantine encontra-se em estado terminal em um hospital. Com o desenrolar dos fatos, a ação volta para o ano de 1968, quando um grupo de amigos que vive do ideário hippie concentra-se em uma festa promovida por um guru espiritual. Acidentalmente, após manusear e repetir algumas frases de um livro mágico, um deles liberta uma entidade que toma o corpo de uma jovem (a mesma que no futuro está morrendo). A reunião dos amigos no presente, que estavam no evento passado, é a única alternativa de libertar a alma da amiga para descansar em paz. A confluência com os Perpétuos (personagens do universo Sandman) acontece neste momento, pois por alguma razão, Lorde Morpheus, o mestre dos sonhos está desaparecido à quase 50 anos (que numa conta rápida equivaleria ao período da das duas grandes guerras mundiais e explosão da sociedade de consumo), e seus companheiros do além estão em busca de alguma forma de trazê-lo de volta. Ao recorrer ao encontro de amigos para rememorar o passado e, juntos lutarem pela liberdade da alma de outro amiga Peter Hogan recorre não somente a nostalgia pela memória das vivências, mas ao que verdadeiramente reconhece como aquilo que ficou de todas as experiências. E não obstante, a música, como neste caso, é o veículo de viagem no tempo, criação e reconstrução de sentimentos:
"Love Street não é apenas sobre 1968. É ambientado também em 1999, e é como as histórias acabam. Sobre amizades que voltam a brilhar após décadas de separação, sobre ser honesto com você mesmo e mãos ideais de sua juventude conforme você cresce. Será que eu ainda acredito que o amor é tudo que eu preciso? Resposta não. Mas eu acredito que é tudo que realmente importa."
Referência: Sandman Apresenta "Hellblazer - Love Street", de Peter Hogan, Michael Zulli e Vince Locke. Editora Brain Store. 2002.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A maior banda do Brasil de todos os tempos, segundo Andreas Kisser do Sepultura
Regis Tadeu esclarece por que Elton John aceitou tocar no Rock in Rio 2026
Guns N' Roses anuncia valores e início da venda de ingressos para turnê brasileira 2026
As 3 bandas de rock que deveriam ter feito mais sucesso, segundo Sérgio Martins
Os melhores covers gravados por bandas de thrash metal, segundo a Loudwire
O disco do Dream Theater que Felipe Andreoli levava para ouvir até na escola
Hall da Fama do Metal anuncia homenageados de 2026
James Hetfield deu o "sinal verde" para vocalista do Paradise Lost cortar o cabelo nos anos 90
Queen considera retornar aos palcos com show de hologramas no estilo "ABBA Voyage"
A maior canção já escrita de todos os tempos, segundo o lendário Bob Dylan
O baterista que ameaçou encher Ronnie James Dio de porrada caso ele lhe dirigisse a palavra
A melhor banda ao vivo de todos os tempos, segundo o lendário Joey Ramone
Bruce Dickinson não sabe se o Iron Maiden seria tão grande se ele não tivesse voltado à banda
Para Edu Falaschi, reunião do Angra no Bangers Open Air será "inesquecível"
Os quatro clássicos pesados que já encheram o saco (mas merecem segunda chance)

A marcante música dos Doors que começou folk, ganhou sotaque latino e virou criação coletiva
O Jim Morrison que Roger McGuinn viu de perto, longe do mito do "Rei Lagarto"
"Estúpidos de doer"; a adorada banda que, para Lou Reed, concentrava tudo que ele odiava
SOAD: quando Shavo quase matou Brent Hinds em briga na MTV
Compridas: As músicas mais longas de grandes bandas


