Alex Steinweiss: o inventor das capas de discos
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collector's Room
Postado em 28 de setembro de 2010
No início da indústria fonográfica, os Lps eram vendidos acondicionados em capas padrão. Não haviam capas exclusivas para cada disco. Os vinis vinham embalados em artes feitas em série, produzidas em papel kraft, com o logotipo da gravadora estampado e o título e intérprete tipografados identicamente. O formato padrão eram os discos de 10 polegadas (com cerca de 25 centímetros de diâmetro) e 78 RPM.
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O ponto inicial para essa mudança ocorreu em uma bela tarde de 1939, quando o desenhista Alex Steinweiss, nascido no Brooklyn, em Nova York, em 24 de março de 1917, conseguiu marcar uma reunião com a diretoria da gravadora mais antiga do mundo, a Columbia Records. O momento era propício, afinal a Columbia havia sido recentemente adquirida pela CBS, e seus executivos ansiavam por novidades. Steinweiss conseguiu convencer o alto escalão da gravadora de que cada disco deveria ser tratado individualmente, e o ponto principal para isso seria acondicionar cada LP em uma capa exclusiva. Para mostrar aos executivos de que sua ideia funcionava, Steinweiss levou amostras de seu trabalho, mostrando que cada capa poderia ter um desenho próprio, de acordo com a música que o LP trazia. No final da reunião, Alex Steinweiss saiu empregado pela Columbia como o primeiro diretor de arte de uma companhia de discos.

O primeiro trabalho de Steinweiss foi o álbum "Smash Songs Hits by Rodgers and Hart", lançado em 1940. O disco foi um sucesso, e inaugurou uma nova era na indústria fonográfica. As principais gravadoras perceberam que aquela inovação dava um grande resultado, e começaram a investir maciçamente em capas exclusivas. Vale lembrar que naqueles primeiros tempos não havia a fartura de títulos disponíveis que há hoje nas lojas, e o comportamento padrão do consumidor era chegar com uma lista com os itens que desejava e entregá-la ao vendedor, que providenciava os discos. Com o aumento da quantidade de LPs nas lojas, a capa passou a ter papel fundamental na hora de atrair os consumidores, e isso ficou evidente a partir da ideia inovadora de Steinweiss.
No final dos anos quarenta, a Columbia introduziu o formato long-playing em seu catálogo, e os discos passaram a ser fabricados em um formato maior – 12 polegadas, cerca de 31 centímetros de diâmetro -, podendo armazenar uma quantidade maior de faixas – geralmente 6 de cada lado, enquanto o de 10 polegadas tinha apenas quatro faixas em cada um dos lados. O formato maior abriu a possibilidade de um trabalho gráfico mais elaborado, e mais uma vez Steinweiss foi inovador, elaborando um esquema de dobras para as capas que se tornaria padrão em todo o mundo.
O desenhista ficou na Columbia entre os anos de 1939 e 1945, período no qual produziu aproximadamente 2.500 capas de discos. Após deixar de ser contratado exclusivo da Columbia, Alex abriu a sua própria empresa de design de capas, e desenvolveu trabalhos para várias gravadoras como Remington, Decca, RCA, London, além de alguns trabalhos para a própria Columbia.
Seu trabalho foi tão inovador que ele acabou criando sua própria fonte, que usou na maioria de suas capas. Esse lettering, batizado como Steinweiss Font, acabou ganhando o seu nome e é utilizado até hoje nos mais diversos trabalhos.
Alex Steinweiss trabalhou criando capas de discos até 1973, quando se afastou da indústria fonográfica e começou a desenhar posteres para a Marinha, ilustrações para revistas e grandes empresas.
Para quem se interessar pelo seu trabalho, em 2000 foi lançado um livro chamado "For the Record: The Life and Work of Alex Steinweiss", escrito por Alex em parceria com Jennifer McKnight-Trontz, onde ele relata o seu processo criativo, fala como surgiram algumas de suas capas mais famosas e conta a história de sua vida, tudo, é claro, acompanhado por generosas imagens de seu trabalho.
Se você visitar a cidade de Sarasota, na Flórida, é capaz de trombar com Steinweiss pelas ruas. O artista vive nessa pequena cidade desde 1974, anônimo e em paz, sem que as pessoas desconfiem que o seu trabalho revolucionou a forma de vender e consumir música.
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