Bruce Dickinson: Álbum mais próximo do Iron Maiden do que da sua carreira solo
Resenha - Mandrake Project - Bruce Dickinson
Por Leonardo Machado
Postado em 09 de março de 2024
Nota: 8 ![]()
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Enfim, os fãs (já quase desiludidos!) puderam escutar músicas novas da carreira solo do Bruce Dickinson, com o lançamento do álbum "The Mandrake Project", que ocorreu no dia 1º de março de 2024. Afinal, a espera foi longa: foram quase 20 anos desde o último lançamento ("Tyranny of souls"), em 2005. Desde o início, as informações foram sendo divulgadas de forma devagar e misteriosa: não seria apenas um projeto musical, mas um álbum conceitual relacionado a uma história em quadrinhos criada pelo próprio Bruce Dickinson (e de mesmo nome do álbum), cuja HQ seria lançada simultaneamente (nesta resenha, vamos se ater apenas ao lado musical do lançamento).
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A longa espera, atrelada ao trabalho de marketing elevaram as expectativas às alturas, principalmente com o lançamento do single e videoclipe de "Afterglow of Ragnarok".
O novo álbum "The Mandrake Project" possui 10 músicas. E conforme prometido pelo Bruce em algumas entrevistas que antecederam o lançamento, está recheado de belos refrões e excelentes riffs.
Ignorando o longo tempo de espera, comecei minha primeira audição das músicas, uma a uma, curioso, e afoito, à procura de algo. Talvez aquele peso característico, ou aquela obscuridade sonora marcantes do álbum "Chemical Wedding", ou uma balada tão genial quanto as pérolas musicais "Arco f Space", "Jerusalem" ou "Navigate the Seas of the Sun", que marcaram a carreira solo do Bruce Dickinson. Procurei novamente, e incessantemente durante esta primeira semana após lançamento, porém, não encontrei. O que encontrei foram apenas lampejos das fases anteriores da carreira solo, e sim, boas músicas, com belos refrões e excelentes riffs.
Não estou aqui condenando o artista a viver do passado, sempre mantendo a mesma sonoridade de álbuns anteriores. Ainda mais o Bruce Dickinson, que sempre foi um artista fora da caixa e curva, principalmente por causa da sua total liberdade criativa.
Somente depois que não encontrei o que eu buscava, que me dei conta de que VINTE ANOS se passaram, e muita coisa aconteceu durante este tempo: foram 4 álbuns de estúdio e turnês mundiais com o Iron Maiden, câncer de língua, e ainda tivemos a pandemia...
No "Making of" do novo álbum divulgado no seu canal oficial no YouTube, o Bruce chegou a falar este seria talvez o álbum da sua carreira solo com maior participação sua. Logo, menos participação do guitarrista Roy Z do que nos trabalhos anteriores.
E talvez seja por isso que, sonoramente falando, este álbum está mais próximo dos trabalhos mais recentes do Iron Maiden do que da carreira solo do Bruce Dickinson. A começar pela música "If Eternity Should Fail" lançada em 2015 pelo álbum do Maiden "The Book of Souls", e presente no novo álbum solo leve ajuste arranjos e no nome, passando para "Eternity has Failed". Apesar da excelente música, este para mim foi o ponto fraco do álbum, pois foi uma música bastante trabalhada na turnê de 2015 do Maiden, e acabou ficando como "repeteco" desnecessário. Outro exemplo é também ótima "Mistress of Mercy": apesar da entrada estar mais à esquerda do espectro "Carreira solo-Iron Maiden", o refrão e o solo são "puro suco" Maiden.
Com o lançamento deste novo álbum, está nítido que a relação de simbiose entre o Bruce e o Iron Maiden está mais forte do que nunca. Atualmente, vemos mais presença do Bruce Dickinson no som do Maiden, assim como mais presença do Maiden no som do Bruce.
Para finalizar a resenha, apesar de não ter me surpreendido o "The Mandrake Project" é um ótimo álbum, com ótimas músicas. Como destaques, cito a primeira, "Afterglow of Ragnarok", pela sua agressividade, e a última a épica "Sonata (Immortal Beloved)", talvez a única que carrega o clima sombrio do passado, pois era uma música escrita muitos anos antes, e que o Bruce resgatou para o novo álbum.
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