Judas Priest: um álbum criado em meio às provações, "Redeemer of Souls"
Resenha - Redeemer of Souls - Judas Priest
Por Tchelo Emerson
Postado em 06 de maio de 2023
O canal Metal Musikast no Youtube está revisitando toda a discografia do Judas Priest. A série JUDAS PRIEST - DISCOGRAFIA COMENTADA terá um total de 18 vídeos com resenhas detalhadas. São muitas informações e curiosidades sobre cada um dos álbuns de estúdio da banda britânica
No ano passado, a banda Judas Priest teve vários motivos para comemorar. Além de completar 50 anos de atividade, os ingleses foram nomeados para o Rock and Roll Hall of Fame, oportunidade em que convidaram os ex-membros K.K. Downing (guitarrista e um dos fundadores da banda) e Les Binks (bateria) para uma festejada participação no evento.
As celebrações continuaram na estrada, já que o Judas Priest fez uma turnê mundial que passou pelo Brasil, com participação na primeira edição do KNOTFEST em 18 de dezembro, no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, e no dia 15 do mesmo mês na casa de espetáculos VIBRA, também na capital paulista.
Em 2023, o Judas Priest vai realizar uma turnê europeia com as bandas britânicas Saxon e Uriah Heep.
O décimo sétimo vídeo da série traz uma resenha completa do álbum "Redeemer of Souls", que foi criado em meio a dramas pessoais envolvendo alguns integrantes da banda.
Você pode ver o vídeo completo no player a seguir
O 17º álbum da discografia do Judas Priest foi lançado no dia 8 de julho de 2014. Na época, o vocalista Rob Halford estava enfrentando provações pessoais, já que o seu pai estava no leito de morte. Halford teve que viajar num período livre entre shows da turnê para velar e enterrar o pai que acabara de falecer. Como se não bastasse, a mãe do vocalista apresentava quadro avançado do mal de Parkinson e teve que ser transferida para um lar para idosos.
A turnê continuava e os problemas não paravam de chegar. O ex-empresário de Halford em sua carreira solo resolveu processá-lo judicialmente pedindo indenização no valor aproximado de 50 milhões de dólares.
Os dramas aconteciam também com outros integrantes do Judas Priest. Durante todo o processo de composição e gravação de "Redeemer of Souls", o guitarrista Glenn Tipton apresentava dificuldades para tocar guitarra. Ao final do processo de gravação do disco, Glenn foi diagnosticado com mal de Parkinson, o que abalou muito seus companheiros de banda.
Lembrando, ainda, que o guitarrista K. K. Downing havia saído da banda em 2011 e a banda estava com um substituto, o novato Richie Faulkner, que havia tocado na banda da filha do baixista Steve Harris (Iron Maiden), Lauren Harris.
Em meio a tudo isso, a banda resolveu gravar o álbum no estúdio localizado nos anexos da casa de Glenn Tipton, tendo o próprio guitarrista como produtor, ao lado de Mark Exeter (que havia trabalhado no disco de despedida do Black Sabbath, 13.
Todas as circunstâncias descritas acima certamente impactaram no resultado final de "Redeemer of Souls". Embora se trate de um trabalho que colocou a sonoridade do Judas Priest novamente no campo do heavy metal tradicional (após o experimentalismo progressivo do álbum anterior, Nostradamus), boa parte da base de fãs criticou bastante o disco.
As principais críticas recaíram sobre a produção um tanto crua (a timbragem incomum das guitarras, o excesso de graves no som da bateria e algumas "estouradas" no som dos pratos foram alguns dos pontos apontados nas críticas. Além disso, algumas músicas deixam evidente que faltou um "acabamento" nas composições, como em Metalizer, por exemplo, que mais parece uma música em fase de demo.
A capa foi feita, mais uma vez, por Mark Wilkinson, que estava com a banda desde "Ram it Down". A arte da capa faz referência direta às capas de "Painkiller" e "Sad Wings of Destiny". Alguns fãs reclamaram da repetição de temas em diferentes álbuns.
O título "Redeemer of Souls" busca conexão com a própria história da banda, com títulos como "Screaming for Vengeance" e "Defenders of the Faith". Na tradição judaico-cristã o Redentor das Almas é o Messias ou Jesus Cristo. Rob Halford sempre gostou de transitar próximo a temas bíblicos quando escreve letras para o Judas Priest.
O álbum vendeu 32 mil cópias na primeira semana de lançamento, alcançando a 6ª posição da Billboard. Em um ano e meio os números estavam em 110 mil cópias vendidas em todo o mundo, o que foi considerado um bom marco, já que a indústria musical havia sofrido profundas mudanças após a popularização da pirataria de cd's e do compartilhamento de arquivos digitais compactados (MP3).
Os destaques do disco são a faixa-título, um power metal com ótimo trabalho de voz a cargo de Rob Halford; a música "Halls of Valhalla", um viking metal inspirado pela série transmitida em plataforma de streaming que fazia muito sucesso desde 2013; e "Battle Cry", calcada no heavy metal tradicional com grande influência de Iron Maiden trazida por Richie Faulkner, já que se originou de um riff composto pelo guitarrista novato.
Curiosamente, a faixa que encerra o tracklist de "Redeemer of Souls" se chama "Begging of the End", em referência direta à música que abre o disco de despedida do Black sabbath, "The End of Beggining". A coincidência não fica apenas no jogo de palavras com o título, mas também na sonoridade, pois é uma música que se amoldaria perfeitamente ao repertório do Black Sabbath.
Pouco tempo depois foi lançada uma versão dupla em CD, com 5 músicas que sobraram das sessões de gravação, "Snakebite", "Tears of Blood", "Creatures", "Bringit On" e "Never Forget". Glenn Tipton disse na época que não esram pesadas o suficiente para figurar no álbum.
O vídeo é o décimo sétimo da série chamada "JUDAS PRIEST. - DISCOGRAFIA COMENTADA", que vai abordar curiosidades sobre todos os álbuns da banda britânica, que é considerada por muitos a precursora do próprio heavy metal.
METAL MUSIKAST no Youtube é um novo canal para os fãs de metal encontrarem muita informação e histórias sobre as principais bandas de várias vertentes do metal.
Outras resenhas de Redeemer of Souls - Judas Priest
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