Metallica: "Agora eu era herói e meu cavalo só falava inglês"
Resenha - Black Album - Metallica
Por Ricardo Cunha
Fonte: Esteriltipo Blog
Postado em 17 de julho de 2020
Nota: 10 ![]()
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Com esse disco o Metallica declarava ao mundo que o Heavy Metal era legal. Não importava sua classe, sua cor e nem suas preferências musicais, você poderia ser/fazer o que quisesse e ainda assim gostar de Metal. Os comandantes da indústria musical elegeram a banda como núcleo de uma estratégia em nível mundial, e com a ajuda da MTV, venderam-na para todo um mundo em processo de globalização. Dessa forma, o Metallica, tal como outros anteriormente a ele, era a bola da vez. E eles se saíram muitíssimo bem no papel de heróis da música Heavy Metal moderna. Fatalmente, a banda tornou-se embaixatriz do "estilo americano" para todo o mundo. E o grupo foi tão competente na representação do seu papel que não deu mais espaço para que outros pudessem também ser a bola da vez.
Paralelamente, no Brasil, as coisas iam de mal a pior, mas o governo dizia que tudo ia melhorar. Eu, que nada tinha de criticidade sobre o que acontecia no meu próprio país, também não teria sobre o que acontecia na indústria da música e, como efeito, passei a ouvir exclusivamente bandas gringas (não sabia nada da língua inglesa, mas ouvia somente bandas que cantassem em nesta língua). Não parecia haver mal naquilo, mas como todo tipo de alienação, havia e há. Todavia só depois de algum tempo pude entender o quanto muitos como eu, foram e são responsáveis pelos rumos perigosos que uma nação idiotizada como a nossa pode tomar […]. Paradoxalmente, a mesma banda que alienava, deixava pistas que poderiam levar à ativação um super-poder, o da auto-consciência.
Voltando ao cerne, o Black Album é uma obra tão cheia de atributos que a crítica parece vazia. Parece, mas é necessária. Diria mesmo que se trata de mais do que um disco de sucesso de uma banda de rock (metal, não!). Trata-se sobretudo de uma poderosa peça de marketing cuidadosamente pensada, dirigida e executada com o propósito inevitável de vender, vender e vender. É tecnicamente perfeito: peso e melodia estão equilibrados na medida certa, as composições são grudentas e fáceis de assimilar e os riffs, entram na mente com a mesma facilidade que uma faca entra numa melancia. Apesar de tudo, para o bem ou para o mal, fez a diferença na vida muita gente, inclusive na deste que humildemente vos escreve.
FONTE: Esteriltipo Blog
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