Metallica: o que faz do "Black Album" algo tão grandioso?
Resenha - Black Album - Metallica
Por César Costa
Postado em 18 de dezembro de 2018
Era inicio da década de 90, os restos mortais daquele Metal tradicional dos anos 80 por pouco não foram totalmente comburidos pela explosão do Grunge, algumas bandas clássicas que alcançaram seu auge na década anterior quase deixaram de existir, não foi o caso do METALLICA. Para iniciar a nova década a banda resolveu apostar na inovação, novo som, novo visual, tudo novo. Com um ar moderno e bem experimental para a época, O homônimo "Metallica", mais conhecido como "Black Album", foi um passo extremamente ousado na carreira do quarteto californiano.
Na produção em si, a qualidade das composições é impecável, é nitidamente perceptível que a abordagem da banda em estúdio seguiu por caminhos muito diferenciados, deixando um pouco de lado a fúria do Thrash oitentista e optando por arranjos mais simplistas, mas com muita sofisticação e uma certa complexidade técnica. Algo que também chama atenção é a mudança na voz de James Hetfield em relação aos trabalhos anteriores, optando por melodias vocais bem trabalhadas e interpretações muitas vezes bem melancólicas, juntamente com riffs bem definidos, uma bateria com mais groove, e linhas de baixo dando um contorno perfeito. O resultado de todos estes fatores é um som com muito peso, mas sem deixar de lado boas harmonias, melodias, e letras excelentes.
A grande ironia em toda essa história, é o fato de que Bob Rock produziu o álbum, o cara que havia trabalhado anteriormente com bandas como: KINGDOM COME, AEROSMITH, BON JOVI, MÖTLEY CRÜE… Citando alguns exemplos. Bandas que eram vistas como uma completa antítese ao que o METALLICA era e representava em seus primeiros anos, tanto na forma de se vestir, na forma de pensar e principalmente na forma de produzir música. Quanto a receptividade da nova fase da banda, muita gente ficou de nariz em pé, a novidade não foi bem aceita pelo público mais tradicionalista do Metal, mas o fato é que Bob Rock conseguiu extrair o máximo de qualidade e criatividade de James Hetfield, Lars Ulrich, Jason Newsted, e Kirk Hammett. O resultado obviamente pode ser percebido quando se ouve as composições do Álbum Negro.
O disco foi duramente criticado pelos fãs mais "tr00zões", e ao mesmo tempo, muito apreciado pelos mais diversos tipos de públicos, adoradores de boa música, desde ouvintes do clássico Heavy Metal com mente mais aberta, até ouvintes de música pop, unindo dois extremos. O "Black Álbum" veio pra quebrar todos os paradigmas impostos no mundo do Metal, e impulsionar aqueles 4 caras crescidos sob o sol quente da Califórnia ao conhecimento de um público astronomicamente mais abrangente, ampliando exponencialmente o reconhecimento de seu trabalho.
Com uma sonoridade completamente diferente do que a banda vinha fazendo nos álbuns anteriores, tanto na parte técnica da produção, como nos arranjos das canções, a impressão era que a banda tinha virado do avesso, para alguns era como se a banda tivesse esquecido suas origens no Thrash Metal. Porém, nos dias atuais, quase 30 anos depois de seu lançamento, fica mais fácil digerir todas aquelas harmonias e melodias com suas letras e seus refrões grudentos, grudentos em um bom sentido. Lançado em 12 de agosto de 1991, mais conhecido como "Black Album", o autointitulado "Metallica", é hoje sem dúvida nenhuma, aclamadamente um dos grandes feitos da história da música.
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