Napalm Death: Ame-os ou odeie-os. Não há meio-termos!
Resenha - Utopia Banished - Napalm Death
Por Ricardo Cunha
Postado em 26 de agosto de 2019
Nota: 10 ![]()
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Banda formada em 1981 por Nicholas Bullen e Miles Ratledge no vilarejo de Meriden, próximo a cidade de Birmingham, Inglaterra. Não há nenhum integrante original remanescente no grupo, que atualmente é composto por Mark Greenway (vocal), Shane Embury (baixo), Mitch Harris ( guitarra) e Danny Herrera (bateria). Vários dos integrantes do Napalm Death formaram bandas bem sucedidas mundialmente como é o caso de Carcass, Godflesh e Cathedral.
Quando ouvi falar dessa banda pela primeira vez eu estava no colegial e um colega de escola com quem compartilhava dos mesmos gostos ajudou a me aprofundar nesse tipo de som. Estávamos começando a conhecer as bandas de metal e esta me pareceu muito brutal (eu não sabia que havia música desse tipo). Porém, ao longo do processo de descoberta, tanto pela forma como se posiciona quanto pelo que representa, O "Napalm" se tornou uma das bandas mais importantes para mim.
O grupo é provavelmente o fundador do estilo, graças ao seu álbum de estreia, Scum, lançado em 1987. Na sequência, lançou os discos From Enslavement To Obliteration (1988), Mentally Murdered (EP, 1989), Harmony Corruption (1990), Mass Appeal Madness (EP, 1991), através dos quais refinou seu som para chegar neste que, para mim é o disco mais perfeito de sua trajetória.
Utopia Banished é a síntese de uma série de transformações pelas quais a sonoridade punk passou até chegar nisto a que chamamos Grindcore que, por sua vez, consolidou-se como uma das formas mais extremas de metal. Esta abordagem deu ao Napalm Death um nível de notoriedade poucas vezes experimentado por bandas do mesmo gabarito.
Gustavo Anunciação Lenza | Luis Alberto Braga Rodrigues | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
O disco começa com 1) Discordance, que nada mais é do que uma tentativa de diálogo impossível de compreender por conta de interferências sobrepostas as vozes dos interlocutores. Finalmente quando os ruídos atingem níveis insuportáveis de intensidade, são interrompidos por 2) I Abstain, que é uma das músicas mais fortes deste e de todos os álbuns da banda. Na sequência, temos 3) Dementia Access, que mostra como é possível fazer música criativa num gênero tão radical. 4) Christening of the Blind é uma das poucas músicas da banda que se pode compreender a letra. 5) The World Keeps Turning é implacável no bom e no mal sentidos (ambos te põem de joelhos). 6) Idiosyncratic é bem parecida com a anterior e, portanto, ingualmente mortal. 7) Aryanisms faz uma crítica severa ao movimento que apregoava a superioridade da raça branca. 8) Cause and Effect (Pt. II) seria apenas mais do mesmo se conceitualmente não fosse capaz de estabelecer de forma contundente a causa e o efeito das ações do homem sobre os rumos humanidade. 9) Judicial Slime é esporro sonoro puro e simples. 10) Distorting the Medium mostra um pouco de variação entre blastbeats e passagens mais cadenciadas (não que seja inovador, mas quebra o ritmo das anteriores). 11) Got Time To Kill é uma prova de que a banda tem potência para fazer o que faz sem demonstrar cansaço ou mal-estar. 12) Upward and Uninterested é só mais uma demonstração de força (nada a acrescentar). 13) Exile é uma das mais instigantes do disco, com batidas que vão do rápido ao veloz em 2 minutos. 14) Awake (To A Life of Misery) é, sem dúvida um dos momentos mais marcantes do disco, pela destreza, simplicidade e violência. 15) Contemptuous lembra Godflesh até o momento do vocal entrar e se destaca como a mais lenta do disco.
Utopia Banished é muito mais um disco de Death Metal do que de Grindcore, como dissemos anteriormente. Mas, se tem uma coisa sobre a qual ninguém pode duvidar é a de que o sentimento punk da banda se expressa mais no conteúdo do que na forma e, por isso precede à mera classificação e/ou padrão estético. Sendo assim, afirmo que – não apenas em "Utopia", mas em quaisquer de seus discos – a banda desafia a forma como muitos encaram a música pesada. Em outras palavras, você pode amá-los ou odiá-los. Nunca haverá meio termo.
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