Arrowhead: Tão profundo quanto a sua disposição para chegar ao fundo
Resenha - Coven of the Snake - Arrowhead
Por Ricardo Cunha
Postado em 04 de agosto de 2019
Nota: 8 ![]()
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Mal resenhamos o disco Desert Cult Ritual, de 2016, e já fomos positivamente surpreendidos pelo mais novo lançamento da Arrowhead. Naquela ocasião, dissemos que a banda era uma das melhores revelações do rock australiano. Agora veremos se, neste novo disco, confirmam nossas expectativas.

O novo disco assinala uma evolução clara em relação ao anterior já confirmando a hipótese de que com mais anos de estradas e melhores recursos financeiros se pode progredir de forma mais efetiva. Desse modo, ver-se que os caras estão realmente melhores como músicos e que a produção atual é muito superior a de 2016. Os vocais de Brett Pearl estão mais destacados e as guitarras de Raff Iacurto, mais "iommianas", o que significa que o som está mais evidente e mais sinistro.
Coven Of The Snake é pesado é repleto de referências ocultas. Os vocais de Brett Pearl são claros e convincentes, e isto nos permite acesso fácil às letras e às mensagens, que contam histórias que evocam uma visão maligna de um mundo subjacente. Musicalmente, a proposta da banda em nada mudou, ou seja, continuam fazendo o mesmo rock pesado e direto com um backline básico e isto revela um sendo de propósito para além da conquista de fama. Privilegiando um modo simples de compôr, a banda gosta de destacar os riffs de guitarra. Na mesma linha, gosta de criar refrões fortes e fáceis de assimilar. O trabalho de construção do álbum envolveu a substituição do baixista original, Dave Lopez, pelo não menos talentoso Arron Fletcher cuja habilidade com as baquetas mostrou-se digna do power trio. De um modo geral, as 8 faixas distribuídas em 40 minutos deixam a certeza de um disco enxuto e de fácil audição. Apesar de simples, o álbum - considerado em todas as suas variáveis - pode ser tão profundo quanto a sua disposição para chegar ao fundo do covil. Nesse sentido, meus destaques vão para a faixa de abertura, Coven Of The Snake, Root Of Evil e March Of The Reptiles.
Entretanto, quero deixar claro que, do ponto de vista do crítico, não há nada de especial no som do Arrowhead. Os músicos são experientes e têm bom gosto musical, mas nada que os coloque no topo de listas como a Bilboard ou outras do gênero. E, talvez aí, esteja a beleza da coisa: eles não parecem estar nem um pouco ansiosos pelo estrelato, embora, toquem com a convicção de quem têm capacidade para converter qualquer fã de música pesada em fã de sua própria música.
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