Orphaned Land: uma crítica ao mundo cada vez mais futil
Resenha - Unsung Prophets & Dead Messiahs - Orphaned Land
Por Ricardo Seelig
Postado em 11 de julho de 2019
Algumas bandas vão muito além da música. Seja pela proposta sonora, pelo contexto, pelas letras ou pela soma de tudo, tem momentos em que nos deparamos com trabalhos em que a música é capaz de nos transportar para estágios superiores.
Orphaned Land - Mais Novidades
O Orphaned Land é um destes casos. Formada em Israel em 1992, a banda sempre se destacou por trazer uma proposta que, para muitos, não passa de utopia: a convivência pacífica entre pessoas de diferenças crenças religiosas. Se aqui no Brasil isso já é difícil, imagine essa ideia em uma região disputada a décadas por israelenses e palestinos. Musicalmente, o metal com influência étnica do sexteto deu ao mundo discos sensacionais como "Mabool" (2004) e "The Never Ending Way of ORWarriOR" (2010). Na verdade, toda a discografia do Orphaned Land é nivelada por cima, e isso se repeta mais uma vez em seu novo trabalho.
"Unsung Prophets & Dead Messiahs" é um álbum conceitual com treze faixas, todas versando sobre o mundo em que vivemos e o culto que promovemos às celebridades, os "profetas desconhecidos e messias mortos" do título. A crítica da banda abrange desde toda a fauna de Kardashians até bizarrices como o bilionário atual presidente norte-americano. Um discurso afiado e que retrata, de maneira eficaz, a banalização e a futilidade da sociedade em que vivemos.
Musicalmente, as diversas influências que compõe a sonoridade do Orphaned Land seguem presentes. A produção, novamente nas mãos Jens Bogren e da própria banda, segue o alto padrão já conhecido. Há uma pluralidade de elementos, uma profusão de ingredientes que vão desde a música tradicional israelense até o metal mais extremo, compondo assim um painel sonoro que traz sentimentos apaixonantes a qualquer pessoa que gosta de música. Mais uma vez o Orphaned Land vai muito além do metal, entregando um disco que é multifacetado e multicultural. A beleza está em diversos pontos, seja nos vocais femininos que abrem o trabalho, nas vocalizações, nos coros, nas melodias e nos ritmos, fazendo com que a banda consiga dar mais um passo considerável em sua evolução.
As participações especiais de Steve Hackett, Hansi Kürsch e Tomas Lindberg agregam ainda mais qualidade. O guitarrista do Genesis usa sua técnica e classe para colocar "Chains Fall to Gravity" um um nível superior. O desespero da voz do frontman do Blind Guardian imprime profundidade dramática em "Like Orpheus". E a agressividade do vocalista do At the Gates dá a agressividade que "Only the Dead Have Seen the End of War" necessita.
Ainda que algumas faixas soem desnecessárias, como ocorre no excesso de pieguice de "All Knowing Eye" e nos exagerados e cansativos adereços étnicos de "Yedidi", o Orphaned Land acerta na maior parte de seu sexto disco. "Unsung Prophets & Dead Messiahs" é um trabalho complexo e cheio de pequenos detalhes uma vez mais, e comprova o quão diferenciada a banda israelense está conseguindo se manter. Mesmo com a saída do guitarrista e co-fundador Yossi Sassi, substituído por Idan Amsalem, o Orphaned Land segue soando diferenciado, criativo e inovador.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Com mais de 140 shows, festival Welcome to Rockville anuncia atrações para 2027
O plano de Nicko McBrain para voltar ao estúdio no próximo álbum do Iron Maiden
Tony Iommi considera injusto comparar Jorn Lande a Ronnie James Dio
Shows do Social Distortion no Brasil são adiados para 2027
O único membro do Metallica que saiu por conta própria, segundo Lars Ulrich
Os 50 artistas de rock e metal mais ouvidos de todos os tempos no Spotify
Dark Dimensions Festival anuncia primeiras bandas
Aerosmith realiza primeiro dos dois shows comemorativos; veja setlist e convidados
A cirurgia que membros do Metallica, Slayer e Megadeth precisaram fazer, diz Hetfield
O que Nicko McBrain fez para não desabar diante dos fãs no adeus ao Iron Maiden
A música do Lynyrd Skynyrd que Dave Mustaine colocou no Metallica sem Lars Ulrich perceber
O que Nicko McBrain pensava ao ver Bruce Dickinson no palco antes da saída
Edu Falaschi retoma "Mi'raj & The Legacy Tour" e lança vídeo com os bastidores de clipe
A canção que mudou a vida de Jimi Hendrix e completou 60 anos de gravação
Como um solo de Ace Frehley ajudou Marty Friedman a mudar de vida após uma viagem que deu ruim
A surpreendente opinião do lendário Jimmy Page sobre a banda Cidade Negra
A condição imposta por Andreas que fez Derrick desistir de tocar guitarra no Sepultura
Como foi criada a bela capa de "Youthanasia", clássico do Megadeth

"Gates of Twilight", a estreia certeira do Wings of Steel
"From The Dark"; "apenas" um disco solo de Tony Iommi que evoca o Black Sabbath com Dio
Nunslaughter retorna disparando blasfêmia de grosso calibre no ótimo "Satanic Chaos Legions"
Immolation mantém a extremidade intacta com "Descent"
The Hellacopters revê sua transformação em "Cream Of The Crap! Volume 3"
O ocultismo britânico ganhou novos contornos com "Woodland Rites" do Green Lung
Biohazard retorna afiado com "Divided We Fall"
Tyketto recupera o fôlego com "Closer to the Sun", seu primeiro disco em uma década



