Temperance Movement: quem disse que não se faz mais rock and roll?
Resenha - A Deeper Cut - Temperance Movement
Por Ricardo Seelig
Postado em 11 de julho de 2019
Vou começar este texto da maneira mais clara possível: "A Deeper Cut", terceiro disco do quinteto inglês The Temperance Movement, é um dos melhores discos de 2018. E agora vamos para os próximos parágrafos tentar explicar porque.

Sucessor do auto-intitulado álbum de estreia (2013) e de "White Bear" (2016), "A Deeper Cut" foi lançado em 16 de fevereiro pela Earache. Ou seja, já deu tempo de ouvir bastante e chegar a uma conclusão. Produzido pela própria banda ao lado de Sam Miller, o trabalho vem com doze músicas e marca a estreia do baterista Simon Lea, já que Damon Wilson saiu da banda em 2016.
Deixando para trás a similaridade com AC/DC e The Black Crowes presente no início da carreira, o The Temperance Movement evoluiu e ampliou a sua esfera de influências, movimento que já era bastante perceptível em "White Bear". Pintando o seu rock com tons fortes de soul e blues, além de buscar inspiração em nomes como o Faces, o grupo atinge em "A Deeper Cut" um trabalho de excelência. Tendo a voz rascante do vocalista Phil Campbell à frente, o quinteto derrama doses generosas de feeling em canções repletas de grandes refrãos e belas melodias, ao mesmo tempo que soam profundamente ligadas à árvore genealógica do rock and roll.
É preciso admitir quando uma banda faz um disco acima da média. Não é dar o braço a torcer, até porque ouvir música e escrever sobre o tema não é, e nem nunca foi, uma competição. Existem momentos em que o nosso ouvido encontra canções que se destacam na infinidade sonora que caracteriza o mundo cada vez mais dominado pelo streaming, e quanto isso acontece a sensação é gratificante.
Neste momento, ouvir um álbum como "A Deeper Cut" dá um frio na espinha. E isso acontece porque, por mais que a razão diga e afirme que o rock está longe de morrer e de produzir grandes discos, ter provas concretas e incontestáveis do que acreditamos é sempre algo que coloca um sorriso no rosto.
Não fazendo força para resistir ao trocadilho linguístico, concluo afirmando que "A Deeper Cut" fará um corte profundo no seu peito e no seu coração roqueiro, e de uma maneira que poucos discos conseguiram nos últimos anos.
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