Absu: Em 2001, velocidade, ferocidade e lirismo
Resenha - Tara - Absu
Por Ricardo Cunha
Postado em 29 de maio de 2019
Banda do Texas/EUA formada em 1989 pelo baterista Proscriptor McGovern (Russley Reell Givens). Seus registros iniciais, incluindo demos e o primeiro álbum se inclinaram para o death metal, mas evoluíram mais para uma mistura de black metal e thrash metal a partir do segundo álbum e extendendo-se aos posteriores. Eles passaram a incorporar elementos do música celta, folk, jazz fusion, rock progressivo e psycodelia de onde surgiu a definição "Mythological Occult Metal", uma mistura que funde velocidade, ferocidade e lirismo.
Tara (2001), é o quarto álbum do Absu e encontra um paralelo quase perfeito em Reign In Blood, do Slayer, mas vai além. Proscriptor consegue ser tão criativo quanto Dave Lombardo e ainda aumentar a velocidade da música da banda. No que diz respeito à velocidade, este é um ponto que, a meu ver poderia ter sido melhor trabalhado, visto que a hiper velocidade acabar por tornar-se cansativa, podendo levar o ouvinte a perder o interesse pelo disco nos momentos finais. Contudo, para um disco com duração média de 50 minutos, deve agradar mais do que desgastar. Quanto a ferocidade, é realmente surpreendente que um grupo formado por músicos tão experientes e de alto nível técnico tenha optado por tocar um estilo tão brutal e esporrento. Por fim, o lirismo é um fator que deve agradar a todos os que gostam de ler e se interessam por mitologia. O conceito do álbum é muito rico, embora seja também confuso. E isto decorre em função da organização das ideias que, embora cheias de beleza em relação ao modo de vida dos povos antigos, não seguem uma sequência lógica e dificultam o acompanhamento das narrativas. De acordo com o minhas pesquisas, há até um texto de Proscriptor explicando o conteúdo, mas devido ao fato de que ele escreve como se fosse um poeta louco declamando, não ajuda muito.
Não consta nas fontes pesquisadas, quem produziu o disco. Logo, podemos crer que esse trabalho foi realizado pela própria banda. Talvez por esse motivo não tenham realizado o potencial que tinham para que o álbum fosse sucesso comercial, o que, na verdade, é uma grande besteira, pois todos sabemos que o som propositalmente sujo e cheio de ruidos é a maior marca das bandas undergrounds. Além dos mais, este disco já é considerado um clássico entre os black metalheads.
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