Darkside: bem oitentista, lembrando a fase áurea do Iron Maiden

Resenha - Darkside - Fragments of Madness... ...And the Gates of Time

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Enviar correções  |  Ver Acessos

Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

A DARKSIDE (ou DARK SYDE, nome que adotou para não ser confundida com umas quatro outras bandas gringas), uma das veteranas do thrash metal nordestino acabou de relançar suas duas primeiras demos, regravadas com a formação e os recursos atuais, em um único CD. O resultado ficou muito bom e merece se juntar como lançamento independente à discografia da banda. O nome do álbum "Fragments of Madness...At The Gates of Time" vem na verdade do nome das demos "Fragments of Time" (1991) e "Gates to Madness" (1993). Depois das pedradas que foram Prayers in Doomsday (2012) e The Apocalypse Bell Part II - Legacy of Shadows (2015), a banda volta às origens e mostra como os seus primeiros sons, mesmo com quase trinta anos "nos couros" ainda permanece atual e relevante. Ambas as demos se integram de forma coesa, não deixando aparecer nenhuma margem entre este e aquele lançamento.

Separados no nascimento: Ritchie Blackmore e Mr. BeanMegadeth: fã tem siricutico ao encontrar Mustaine; veja vídeo

O som soa bem oitentista, lembrando a fase áurea do IRON MAIDEN, quando puxa mais para o NWOBHM, quanto para o thrash melodioso do KREATOR, mas não porque tenha intenção de fazer uma espécie de revival, como muitas bandas de hoje, mas porque quando as canções destas obras foram compostas, o mundo estava realmente acabando de sair dos anos 80.

Abrindo o play a instrumental "Hare Krishna" dá uma boa ideia do quanto melodias de guitarra bem construídas eram (e continuam sendo importantes no som da DARKSIDE). "Suicide" soa ainda mais polêmica hoje do que na época em que foi composta (por uns caras ainda moleques que só pensavam em metal e em encher a cara). Dar pitaco na letra, querer que fosse atualizada para deixar mais clara a intenção de retratar um caso específico ao invés de estimular alguma ação não é nosso papel aqui, até porque uma "atualização" em qualquer letra arruinaria todo o trabalho de resgate das duas demos. Mas é verdade que a canção chega a incomodar um tanto. Melhor ouvir sem prestar atenção na letra e viajar no solo (que é arrasador). A canção seguinte prova porque deu nome à demo em 91 e (parcialmente) dá nome ao disco de hoje. É uma canção que, ainda hoje, é um dos pontos altos das apresentações da DARKSIDE, mesclando de forma prefeita a agressividade e velocidade do thrash com as melodias do NWOBHM. E tem até aquela paradinha pro baixo soar sozinho (não é exatamente um solo). Outra que é clássica dos moshes é "Spiral Zone", que fechava com chave de ouro aquele primeiro trabalho, mas aqui aparece com a vantagem que não é preciso mais esperar dois anos por uma nova canelada na testa.

"Gates to Madness" já chega um segundo depois e mantem o clima de mosh na sala (a banda optou por não incluir neste lançamento a instrumental "Storms"). Um ponto bastante positivo de regravar todas as canções das demos hoje é que, além da evolução técnica da banda como entidade, de mais recursos para gravação atualmente, é a quantidade de participações especiais em todo o CD. Membros anteriores dão suas contribuições em canções em que já haviam participado anteriormente, agora com mais experiência e objetividade, como se estivessem dando um acabamento luxuoso a aquilo que já era bom. O thrash ainda continua com "Inferno", remetendo à "Divina Comédia", de Dante, mas tudo muda em "The Guardian", onde a DARKSIDE mostra mais uma de suas influências. Estonteante, a canção aponta um caminho em que a banda poderia seguir tranquilamente, por demonstrar que tem bastante know how também no metal épico "blindguardiano". Por ser tão diferente do thrash cheio de melodia apresentado nas outras canções, "The Guardian" ficou muito tempo de fora dos setlists da DARKSIDE Mas isto é um grande pecado. Assim como na fábula, o patinho feio é um baita de um cisne. "Blessed By The Dark", que continuou aparecendo em outras releases da banda (inclusive deu nome à demo seguinte), volta com um thrash ainda mais pesado e fecha esta segunda parte do álbum, mas não o CD físico.

Um atrativo da parte palpável deste lançamento (e todos nós que gostamos de metal curtimos isso bastante) são as muitas fotos e cartazes, além das letras das músicas, capas origiginais e comentários de gente grande da imprensa especializada. Hoje a formação oficial da DARK SYDE tem Marcelo Falcão nos vocais (também são dele os vocais dos últimos lançamentos oficiais), Tales Groo (único membro em todas as formações e força motriz da banda) e Anderson Menezes na guitarra, Kaio Castelo no baixo e Bosco Lacerda na bateria. Informações detalhadas de todas as formações e participações especiais neste lançamento você pode conferir no CD ou nesta matéria, do próprio Tales Groo.

Darkside: banda lança álbum com regravações

Para quem se incomodar com a limpeza das regravações, o CD físico ainda traz versões originais de "Suicide", "Inferno" e "Blessed By The Dark". Dá inclusive para atestar que, mesmo com uma guitarra ou um baixo soando "mais longe" do que deveria aqui ou ali, sim, a DARKSIDE em 1991 já era isso tudo mesmo.

Track List:

1. Hare Kroshna
2. Suicide
3. Fragments of Time
4. Spiral Zone
5. Gates of Madness
6. Inferno
7. The Guardian
8. Blessed by the Dark
9. Suicide
10. Inferno
11. Blessed By The Dark




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDsTodas as matérias sobre "Dark Side"Todas as matérias sobre "Darksyde"


Melhores de 2012: as escolhas do redator Leonardo Daniel TavaresMelhores de 2012
As escolhas do redator Leonardo Daniel Tavares


Separados no nascimento: Ritchie Blackmore e Mr. BeanSeparados no nascimento
Ritchie Blackmore e Mr. Bean

Megadeth: fã tem siricutico ao encontrar Mustaine; veja vídeoMegadeth
Fã tem siricutico ao encontrar Mustaine; veja vídeo

Batismo: Os nomes verdadeiros dos artistas do Rock e MetalBatismo
Os nomes verdadeiros dos artistas do Rock e Metal

Atores de Hollywood no mundo da músicaSeparados no nascimento: Andre Matos e Steve PerrySlipknot: Joey Jordison até hoje não sabe por que foi demitidoFênix do Rock: 5 momentos que fizeram Axl Rose renascer na música

Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

Mais matérias de Leonardo Daniel Tavares da Silva no Whiplash.Net.

adGoo336|adClio336