Darkside: bem oitentista, lembrando a fase áurea do Iron Maiden
Resenha - Darkside - Fragments of Madness... ...And the Gates of Time
Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Postado em 22 de julho de 2018
Nota: 9 ![]()
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A DARKSIDE (ou DARK SYDE, nome que adotou para não ser confundida com umas quatro outras bandas gringas), uma das veteranas do thrash metal nordestino acabou de relançar suas duas primeiras demos, regravadas com a formação e os recursos atuais, em um único CD. O resultado ficou muito bom e merece se juntar como lançamento independente à discografia da banda. O nome do álbum "Fragments of Madness...At The Gates of Time" vem na verdade do nome das demos "Fragments of Time" (1991) e "Gates to Madness" (1993). Depois das pedradas que foram Prayers in Doomsday (2012) e The Apocalypse Bell Part II - Legacy of Shadows (2015), a banda volta às origens e mostra como os seus primeiros sons, mesmo com quase trinta anos "nos couros" ainda permanece atual e relevante. Ambas as demos se integram de forma coesa, não deixando aparecer nenhuma margem entre este e aquele lançamento.
O som soa bem oitentista, lembrando a fase áurea do IRON MAIDEN, quando puxa mais para o NWOBHM, quanto para o thrash melodioso do KREATOR, mas não porque tenha intenção de fazer uma espécie de revival, como muitas bandas de hoje, mas porque quando as canções destas obras foram compostas, o mundo estava realmente acabando de sair dos anos 80.
Abrindo o play a instrumental "Hare Krishna" dá uma boa ideia do quanto melodias de guitarra bem construídas eram (e continuam sendo importantes no som da DARKSIDE). "Suicide" soa ainda mais polêmica hoje do que na época em que foi composta (por uns caras ainda moleques que só pensavam em metal e em encher a cara). Dar pitaco na letra, querer que fosse atualizada para deixar mais clara a intenção de retratar um caso específico ao invés de estimular alguma ação não é nosso papel aqui, até porque uma "atualização" em qualquer letra arruinaria todo o trabalho de resgate das duas demos. Mas é verdade que a canção chega a incomodar um tanto. Melhor ouvir sem prestar atenção na letra e viajar no solo (que é arrasador). A canção seguinte prova porque deu nome à demo em 91 e (parcialmente) dá nome ao disco de hoje. É uma canção que, ainda hoje, é um dos pontos altos das apresentações da DARKSIDE, mesclando de forma prefeita a agressividade e velocidade do thrash com as melodias do NWOBHM. E tem até aquela paradinha pro baixo soar sozinho (não é exatamente um solo). Outra que é clássica dos moshes é "Spiral Zone", que fechava com chave de ouro aquele primeiro trabalho, mas aqui aparece com a vantagem que não é preciso mais esperar dois anos por uma nova canelada na testa.
"Gates to Madness" já chega um segundo depois e mantem o clima de mosh na sala (a banda optou por não incluir neste lançamento a instrumental "Storms"). Um ponto bastante positivo de regravar todas as canções das demos hoje é que, além da evolução técnica da banda como entidade, de mais recursos para gravação atualmente, é a quantidade de participações especiais em todo o CD. Membros anteriores dão suas contribuições em canções em que já haviam participado anteriormente, agora com mais experiência e objetividade, como se estivessem dando um acabamento luxuoso a aquilo que já era bom. O thrash ainda continua com "Inferno", remetendo à "Divina Comédia", de Dante, mas tudo muda em "The Guardian", onde a DARKSIDE mostra mais uma de suas influências. Estonteante, a canção aponta um caminho em que a banda poderia seguir tranquilamente, por demonstrar que tem bastante know how também no metal épico "blindguardiano". Por ser tão diferente do thrash cheio de melodia apresentado nas outras canções, "The Guardian" ficou muito tempo de fora dos setlists da DARKSIDE Mas isto é um grande pecado. Assim como na fábula, o patinho feio é um baita de um cisne. "Blessed By The Dark", que continuou aparecendo em outras releases da banda (inclusive deu nome à demo seguinte), volta com um thrash ainda mais pesado e fecha esta segunda parte do álbum, mas não o CD físico.
Um atrativo da parte palpável deste lançamento (e todos nós que gostamos de metal curtimos isso bastante) são as muitas fotos e cartazes, além das letras das músicas, capas origiginais e comentários de gente grande da imprensa especializada. Hoje a formação oficial da DARK SYDE tem Marcelo Falcão nos vocais (também são dele os vocais dos últimos lançamentos oficiais), Tales Groo (único membro em todas as formações e força motriz da banda) e Anderson Menezes na guitarra, Kaio Castelo no baixo e Bosco Lacerda na bateria. Informações detalhadas de todas as formações e participações especiais neste lançamento você pode conferir no CD ou nesta matéria, do próprio Tales Groo.
Para quem se incomodar com a limpeza das regravações, o CD físico ainda traz versões originais de "Suicide", "Inferno" e "Blessed By The Dark". Dá inclusive para atestar que, mesmo com uma guitarra ou um baixo soando "mais longe" do que deveria aqui ou ali, sim, a DARKSIDE em 1991 já era isso tudo mesmo.
Track List:
1. Hare Kroshna
2. Suicide
3. Fragments of Time
4. Spiral Zone
5. Gates of Madness
6. Inferno
7. The Guardian
8. Blessed by the Dark
9. Suicide
10. Inferno
11. Blessed By The Dark
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