Saurom: resenha do álbum duplo Sueños
Resenha - Sueños - Saurom
Por Ricardo Pagliaro Thomaz
Postado em 21 de junho de 2018
Nota: 9 ![]()
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Em 2015 eu estava procurando um disco novo que não me lembro agora, e um dos endereços de grupos relacionados acabou me mandando para um perfil de uma banda chamada Saurom. Pensei "ué... uma banda com o nome do vilão do Senhor dos Anéis? Será que tem relação?" Me parecia interessante demais, até mesmo à julgar pela capa do disco que eles lançaram, chamado Sueños, então eu deixei o disco de molho por um tempo depois que eu fui achar ele no Spotify. Em 2016 que eu fui escutá-lo de fato, e achei fantástico. Só que por questões de tempo, eu não falei dele até hoje. Hora de corrigir isso. E que obra que eu fui escutar para descobrir esta banda maravilhosa!
Trata-se de um álbum duplo. Os dois discos tem um tema em comum, os sonhos, em qualquer interpretação possível, sonhos que todos compartilhamos, sonhos de pura imaginação, sonhos de amor, sonhos das mais variadas formas. Descobri que, pelo menos neste disco, o nome da banda tem pouca relação com a obra de Tolkien, mas há a conexão celta da qual a obra compartilha, algumas letras que são histórias fantásticas e lendas tradicionais, então há alguma ligação, mesmo que pequena. O som varia desde aquele roquinho chiclete até o metalzão melódico, com grandes pitadas de orquestra, gaita de fole, aquela sonoridade puxada para a música celta e também a espanhola, afinal o grupo em si é da Espanha, e faz as letras em espanhol.
Não chega a ser pesado como um grupo como Tierra Santa, que eu conheço alguma coisa, mas para quem se afeiçoa pelas melodias celtas, certamente é algo a ser conferido.
Apesar do disco duplo ter um tema geral, os discos tem nomes diferentes. Aí, em meio ao meu pouco tempo para escrever, fiquei pensando em como iria falar dele. Pensei: "vou dividir!" Larguei essa ideia pelo menos umas duas vezes, antes de abraçá-la por fim. É bastante material para cobrir, e material excelente. Como fui apresentado a uma banda que apesar de muito boa, tem pouca visibilidade, vou falar dela ainda como um novato, mas já com uma certa propriedade de quem vem escutando este belíssimo disco já por algum tempo.
Disco 1 - "Las Caricias Del Alma"
A faixa inrodutória "Camino A Las Estrellas" é de uma beleza descomunal e dá o tom para esta primeira parte. A faixa "Paz" é muito bonita, tem todo aquele adorno de música espanhola envolto na melodia de Rock, e o vocalista também canta bem ao estilo dos intérpretes latinos, cheio de emoção e carregado de sentimento nas palavras. A letra, muito bonita também, é um chamado a paz realmente, e faz juz ao nome da obra, mesmo porque hoje em dia, as pessoas ficam cada dia mais distantes deste sonho, tornando essa mensagem bela para nós, basicamente isso mesmo, apenas um sonho.
Mais real é a mensagem da próxima canção, a ótima "El Carnaval Del Diablo", que traz uma característica cultural da Colombia que é uma celebração muito popular por lá, enquanto alerta que todos nós nos escondemos com nossas máscaras, enquanto o tinhoso desfila seu Carnaval maldito entre nós. Letra muito boa, música também ótima, assim como a anterior, com aqueles lances de flauta e gaita de fole, construindo uma sonoridade bem interessante. "Músico de Calle" também é uma composição fantástica, contendo aquela alegria dos arranjos espanhois e um solo intermediário de violão belíssimo e muito bem colocado.
E lá vem o peso que eu estava esperando ansiosamente em "La Isla de Los Hombres Solos", uma breve, mas eficaz melodia mais pesada com letra baseada em um livro escrito por José León Sánchez, seguida da folk "Las Caricias Del Alma", breve, mas belíssima.
A balada "Dalia" também é linda, suave, porém emotiva, e muito agradável. Outra mais pesada que eu gostei bastante foi "El Reino de Las Hadas", que muito embora tenha uma sequência melódica batida, é uma canção forte e bastante enérgica, bem desenvolvida, com arranjos bacanas, um refrão sensacional e com uma letra mais fantasiosa. Este primeiro disco desta grandiosa obra termina com mais um breve tema instrumental, a belíssima "Más Allá Del Sendero Dorado", faixa que evoca muito aquela sonoridade mais de origem escocesa, com aquela atmosfera folk e um ritmo arrastado e pausado, e este disco apenas foi o bastante para me deixar atônito e refletir sobre o que eu ouvi. Não coloquei o segundo disco diretamente, fiquei por um bom tempo repetindo este primeiro e navegando na beleza sonora de tudo que eu presenciei.
Por fim, resolvi explorar a segunda parte desta obra, que continha um nome diferente, e talvez, uma abordagem diferente. Mas ligeiramente diferente, não totalmente.
Disco 2 - "La Partitura Secreta"
Começa a segunda parte, e já se inicia direto ao ponto, sem introduções. A pesada faixa celta "El Círculo Juglar" é uma canção alegre, com peso e aquela atmosfera latina misturada com o folk inglês. A segunda, "Náufrago", é minha grande favorita do segundo disco, e a interessante e metafórica letra faz um paralelo sobre o fim de um amor com a história de um náufrago. Tem uma melodia bacana, refrão que gruda na cabeça, arranjos muito bacanas e pra mim é facilmente uma faixa que agradaria qualquer pessoa em um show ao vivo. Depois tem uma outra faixa, esta tipicamente celta, chamada "Bella Luna", com aquele arranjozinho bem folk, e destaque na performance da gaita de fole.
Mais bela ainda é a canção "Pintor de Suspiros", que nos traz um trabalho melódico sensacional e inspirador, sendo uma das baladas mais bonitas deste trabalho. "Memorias de Un Héroe" também segue na mesma toada, outro destaque que tem arranjos belíssimos, uma letra linda, um refrão que gruda na cabeça, e um trabalho muito legal com a flauta em certas passagens.
Outro destaque nesta segunda parte é a belíssima e triste "Rosa Negra", somente com o violão e o teclado de fundo para o vocalista se destacar em uma performance doce e cheia de sentimento. Após este momento bem tranquilo, "Latinoamerica Juglar", acelerada e mais uma vez puxando para destacar a gaita de fole, o som celta e as melodias pesadas, em uma homenagem da banda a seus fãs latino-americanos.
Minha grande favorita desta parte final é, sem dúvidas, a pesada e melódica "La Mujer Dormida (La leyenda de Popocatépetl & Iztaccíhuatl)", pesada, mas com uma letra bem romântica sobre uma lenda mexicana sobre dois vulcões. O disco termina com uma bela balada chamada "Dulces Sueños" e com uma bonus track, a belíssima "La Musa & El Espíritu (Sueños)", que fecha o álbum em grande estilo, com calmaria e com leveza, encerrando um trabalho acima da média, excelente, e que eu mesmo já escutei tantas vezes repetidamente.
Este tempo todo escutando o disco no carro, ou no Spotify, ainda não conseguiu fazer meu fascínio pelo grupo diminuir. Irei atrás de outras obras deles, sem sombra de dúvida, e talvez volte aqui para falar delas, mas quero deixar aqui a recomendação para quem não conhece. É um trabalho visivelmente feito com paixão e forjado com grande inspiração.
Sueños (2015)
(Saurom)
Tracklist:
Disco 1: "Las Caricias Del Alma"
01. Camino A Las Estrellas
02. Paz
03. El Carnaval Del Diablo
04. Músico De Calle
05. La Isla De Los Hombres Solos
06. Las Caricias Del Alma
07. El Elixir
08. Dalia
09. ¡Vive!
10. El Duende En La Ventana
11. El Reino De Las Hadas
12. Soñando Contigo
13. Más Allá Del Sendero Dorado
Disco 2 - "La Partitura Secreta"
01. El Círculo Juglar
02. Náufrago
03. El Beso
04. Bella Luna
05. Pintor De Suspiros
06. Memorias De Un Héroe
07. ¡Por Fin Viernes!
08. Sueños Perdidos
09. La Partitura Secreta
10. Rosa Negra
11. Latinoamérica Juglar
12. La Mujer Dormida (La Leyenda De Popocatepetl & Iztaccihuatl)
13. Dulces Sueños
Bonus Track:
14. La Musa & El Espíritu (Sueños)
Selo: Maldito Records
Saurom é:
Miguel Ángel Franco Migue: voz
Raúl Rueda Raulito: guitarra, mandolin, percussão e samplers
José A. Gallardo Josele: baixo
Santiago L. Carrasco Santi: teclados, piano, acordeão e apito
Antonio Ruiz Donovan: bateria
Participações:
Daniela López Acosta: voz (1-01);
Celia Mesa García (2-06);
José Figueruela Fernández "Figue": voz (1-01, 1-03, 2-11);
Las Ninfas de los Bosques;
El Batallón de Mordor.
Discografia anterior:
- Vida (2012)
- Maryam (2010)
- Romances from Al-Ándalus (2008)
- Once Romances Desde Al-Ándalus (2008)
- JuglarMetal (2006)
- Sinfonías de Los Bosques (2006)
- Legado de Juglares (2004)
- Sombras del Este (2002)
- El Guardián de Las Melodías Perdidas (2001)
Site oficial:
http://www.saurom.com
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http://acienciadaopiniao.blogspot.com.br
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