Por que hiato do Angra não foi pretexto para tirar Fabio Lione, segundo Felipe Andreoli
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de outubro de 2026
Felipe Andreoli rebateu uma das teorias mais repetidas entre os fãs do Angra desde o anúncio do hiato, no fim de 2024: a de que a pausa teria sido inventada para afastar o vocalista Fabio Lione. Em entrevista ao jornalista Igor Miranda, da Rolling Stone Brasil, o baixista afirmou que a intenção era justamente a oposta. A conversa, que também teve a presença do guitarrista Marcelo Barbosa, foi gravada às vésperas dos dois shows especiais do grupo no Tokio Marine Hall, em São Paulo.
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O hiato acabou bem mais curto do que o previsto. Segundo Barbosa, a banda vivia um ritmo frenético desde que ele entrou, em 2015, alternando turnês, composição e gravações, e ficou cerca de sete meses longe dos palcos. O convite para ser headliner do Bangers Open Air, ao lado de músicos da era "Rebirth", antecipou o retorno. O guitarrista negou que a parada tenha sido fingida para vender mais e lembrou que planos mudam, desta vez por um motivo bom.
Para Andreoli, parte do público leu a história na ordem inversa. "A intenção do hiato era muito genuína, de um descanso, de um tempo para reorganizações. Muitas dessas coisas acabaram ficando pendentes, porque a gente não parou o tanto que precisava para resolver determinadas coisas. E eu devo dizer que um dos motivos desse hiato era olhar para a relação interna da banda, que já não estava muito legal, especialmente com o Fabio", contou.
"Muita gente acha que a gente inventou um hiato para tirar o Fabio, quando na verdade é o contrário. Um dos motivos desse hiato era conversar e tentar chegar num ponto comum para seguir com o Fabio. O futuro quis que as coisas não fossem assim. E aí, claro, veio a oportunidade do Bangers e tudo o que veio depois. Eu acho que o próprio Bangers e a entrada do Alírio foram um boost de ânimo para querer fazer mais."
O silêncio da banda durante esse período também ajudou a alimentar especulações. De acordo com o baixista, havia um contrato com cláusula de confidencialidade ligado ao festival, e a produção tinha cuidado redobrado com tudo o que seria dito publicamente. "A gente teve que navegar todo esse período meio em silêncio, sem poder falar nada, e aí é natural que essas teorias da conspiração acabem surgindo. Você está vendo as pessoas falando coisas que são inverídicas e não pode responder, não pode falar a verdade, porque tem ali um contrato que te amarra", disse.
Mesmo com o desgaste, Andreoli fez questão de reconhecer a passagem de Lione. Ele relembrou que o italiano chegou ao Angra como convidado de um show no cruzeiro 70000 Tons of Metal, por sugestão do organizador, numa época em que a banda chegou a planejar com a MTV um reality show para escolher um vocalista, projeto que não saiu do papel. "Tenho muito orgulho dos trabalhos que a gente fez, especialmente o 'Cycles of Pain', que eu acho que é onde a nossa relação realmente amadureceu, ao mesmo tempo que a nossa relação como compositores dentro da banda também amadureceu. A gente tem muita gratidão ao Fabio por todo o tempo que ele passou na banda", declarou.
Hoje, o microfone é de Alírio Netto, amigo dos integrantes há cerca de 30 anos e um nome que Andreoli diz que já teria escolhido 13 anos atrás. A turnê pelos 30 anos de "Holy Land" chega nesta sexta-feira (2) ao Tokio Marine Hall com participação de Luis Mariutti, baixista que gravou o disco. No sábado (3), Edu Falaschi se junta ao grupo para celebrar "Rebirth". O baterista Ricardo Confessori foi convidado, mas preferiu não participar. A agenda se encerra em 25 de outubro, num festival no Japão com Falaschi e Kiko Loureiro.
Confira o vídeo completo abaixo.
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