Resenha: "Hard-Fi" - Rosa Tattooada (2026)
Resenha - Hard-Fi - Rosa Tattooada
Por Geraldo Andrade
Postado em 21 de setembro de 2026
Tem disco que você coloca para tocar, tem disco que você escuta e tem disco que simplesmente entra pela caixa de som e arrebenta a porta da sala!
"Hard-Fi", novo trabalho da Rosa Tattooada, pertence à terceira categoria.
A banda gaúcha resolveu olhar para o próprio espelho, pegar nove clássicos da sua trajetória, colocar sangue novo nas veias dessas músicas e ainda acrescentar uma faixa inédita.
O resultado? Uma Rosa Tattooada que não está interessada em viver de lembranças, está interessada em continuar fazendo barulho e do bom.
Vamos deixar uma coisa bem clara: regravar clássicos pode ser uma armadilha.
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Ou você transforma as músicas em cópias pálidas do passado, ou consegue encontrar uma nova personalidade para aquilo que já conhecemos. A Rosa escolheu a segunda opção.

Em "Hard-Fi", as músicas carregam a memória de quem acompanhou a banda durante décadas, mas também carregam a experiência de músicos que continuam subindo ao palco, tocando e respirando rock.
É o passado encontrando o presente em uma bela colisão sonora, e a batida é forte!
No comando da guitarra e dos vocais, Jacques Maciel continua sendo uma das grandes referências do rock gaúcho e brasileiro. Sua interpretação tem aquela característica que não se aprende em manual: personalidade.
A voz envelheceu? Sim. E ainda bem!
Porque rock não precisa esconder cicatrizes, precisa transformá-las em atitude e Jacques faz exatamente isso.
Valdi Dalla Rosa, no baixo, e Matt Thofehrn, na bateria, formam uma cozinha que sustenta o peso necessário para que essas músicas ganhem nova vida.
Não existe maquiagem aqui, existe guitarra, baixo, bateria, suor e aquele ingrediente que nenhuma tecnologia consegue fabricar: estrada.
A Rosa Tattooada sabe tocar suas músicas, mas principalmente, sabe tocá-las com vontade.
A grande surpresa do álbum chega através da inédita: "Quem Vai Juntar Os Pedaços (Do Seu Coração)", composição de Jacques Maciel e Mumu, da Vera Loca, a faixa mostra que a Rosa ainda tem combustível para criar.
E isso é talvez o mais importante de "Hard-Fi", porque seria muito fácil simplesmente revisitar o passado, mas colocar uma música nova no meio dessa história é dizer: "Ainda não terminamos." A faixa ainda conta com a participação de Mumu no solo.
E aí a Rosa mostra que ainda sabe falar de coração partido sem perder o peso das guitarras.
Aqui precisamos fazer uma pausa, porque "Hard-Fi" não é apenas um álbum, é um objeto. É aquele tipo de lançamento que faz o colecionador olhar para a estante e pensar: "Esse eu preciso ter."
A edição em vinil, eu já garanti o meu, limitada e numerada, transforma o trabalho em uma peça especial para quem acompanha a história da banda. Em tempos de playlists infinitas, ouvir um álbum inteiro no vinil parece quase um ato de resistência.
Você coloca a agulha, espera, a música começa e durante alguns minutos você simplesmente deixa o rock acontecer, sem pular faixa, sem algoritmo, sem pressa, só Rosa Tattooada.
"Hard-Fi" não é uma banda tentando voltar ao passado, é uma banda mostrando que o passado ainda tem força.
A Rosa Tattooada revisita sua história, mas não fica acorrentada a ela, o disco tem memória, peso, melodia, atitude, e principalmente, tem aquela coisa que separa uma banda de rock de um grupo que apenas toca rock: IDENTIDADE.
Depois de tantos anos de estrada, a Rosa Tattooada poderia simplesmente descansar sobre sua própria história, mas preferiu fazer aquilo que sabe fazer melhor: ligar os amplificadores e mandar o ROCK para cima!
E que continue assim.
Porque enquanto existir guitarra, baixo, bateria, vinil e vontade de tocar…
A ROSA AINDA TEM MUITO ESPINHO!
Coloque a agulha, aumente o volume e deixe a Rosa sangrar Rock!
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