O álbum pesado e melancólico do Soilwork que ajudou a salvar a minha vida
Resenha - Ride Majestic - Soilwork
Por Mateus Ribeiro
Postado em 31 de agosto de 2026
Há pelo menos 20 anos, cada disco novo da banda Soilwork é uma espécie de evento para mim. Aguardo ansiosamente a data de lançamento, ouço no mesmo dia e faço questão de comprar uma cópia física.
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Com "The Ride Majestic", lançado em 28 de agosto de 2015, a expectativa era alta. Afinal, seu antecessor, o maravilhoso "The Living Infinite" (2013), havia me conquistado, e até hoje considero este último o melhor trabalho da banda.

Estava empolgado e, naquele 28 de agosto, ouvi o disco do início ao fim pelo menos três vezes. Me conectei imediatamente.
Cerca de cinco semanas após o lançamento, meu pai faleceu. Naturalmente, foi o período mais doloroso da minha vida. E "The Ride Majestic" me acompanhou durante aqueles dias terríveis e infindáveis.
A cada audição, eu me conectava mais com cada música. Intensas, sombrias, pesadas, melódicas e profundas, todas pareciam dialogar comigo e me ajudavam a superar a tristeza, a raiva, a saudade e a angústia que eu sentia.
Tempos depois, mais precisamente em 2024, estava ouvindo "Father and Son, Watching the World Go Down". Lembrei do meu pai, como acontece TODAS AS VEZES que escuto essa música, e resolvi pesquisar sobre "The Ride Majestic". Encontrei uma entrevista do vocalista Björn Strid à Billboard e me surpreendi com o que li. Abaixo, reproduzo um trecho da fala dele:
"O álbum foi amplamente inspirado por eventos trágicos que ocorreram em nossas vidas pessoais no ano passado [2014]. As letras refletem sobre o significado da existência e a arte de aceitar o fato frio e duro de que tudo tem um fim. Abordam a solidão, a saudade, a capacidade de visualizar o desastre. Em suma, a escuridão exterior e interior que todos nós experimentamos."
"Quase todos os membros da banda sofreram uma perda familiar durante a gravação do álbum. Além disso, um grande amigo nosso, de uma banda jovem e promissora chamada Chronus, de Helsingborg [Suécia], também faleceu repentinamente. Com apenas dezenove anos. Absolutamente terrível."
A partir daquele momento, passei a entender por que "The Ride Majestic" me impactou tanto. Desde então, contemplar essa obra tem me proporcionado momentos de reflexão e uma estranha alegria, que aparece em meio ao caos e à escuridão.
Sempre que ouço "The Ride Majestic", relembro aqueles dias cinzentos que sucederam o falecimento do meu pai. As horas passavam devagar, a apatia tomava conta do meu ser, mas as faixas dessa obra me ajudaram a superar aqueles momentos terríveis, por meio de audições catárticas.
Não é exagero algum afirmar que "The Ride Majestic", a exemplo de outros discos, ajudou a salvar minha vida. A música, que sempre foi uma amiga inseparável, foi primordial para meu renascimento. E eu só posso agradecer a Björn e aos demais músicos que gravaram esse álbum.
"The Ride Majestic" completou 11 anos. Para celebrar, ouvirei todas as suas faixas. Em memória do meu pai, que continua sendo meu melhor amigo. Certamente, será mais uma jornada majestosa.
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