A música de Janis Joplin que nasceu num bar e foi gravada três dias antes de sua morte
Por Bruce William
Postado em 02 de outubro de 2026
"Mercedes Benz" parece ter sido pensada para soar como uma pequena provocação espontânea. E, de certa forma, foi exatamente isso. A música começou a tomar forma em agosto de 1970, num bar em Port Chester, perto de Nova York, poucas horas antes de Janis Joplin subir ao palco com a Full Tilt Boogie Band. O relato é da MusicRadar.

Janis estava acompanhada pelo compositor e produtor Bob Neuwirth, além de outros amigos, quando começou a repetir a frase "Oh Lord, won't you buy me a Mercedes Benz", adaptada de um pequeno poema de Michael McClure. Patti Smith, que também estava no local, recordaria depois que as pessoas começaram a bater canecas de cerveja na mesa enquanto Janis e Neuwirth desenvolviam os versos.
Neuwirth contou ao Wall Street Journal que Janis criou o primeiro verso e ele ficou encarregado de anotar tudo em guardanapos com uma caneta esferográfica. Ela ainda inventou o segundo trecho, sobre uma televisão colorida, enquanto ele ajudou com algumas palavras e com o terceiro verso. Cerca de uma hora depois, Janis já estava cantando a música no palco do Capitol Theatre. Antes de começar, avisou ao público que havia acabado de escrevê-la "no bar da esquina" e seguiu praticamente sozinha, sem arranjo pronto ou preparação da banda.
A versão conhecida seria registrada apenas em 1º de outubro de 1970, durante as sessões de Pearl. Janis gravou "Mercedes Benz" a cappella, em uma única tomada, num momento em que os outros músicos nem estavam presentes no estúdio. Três dias depois, em 4 de outubro, Janis Joplin morreu aos 27 anos.
"Mercedes Benz" acabou entrando em Pearl, lançado postumamente em janeiro de 1971, embora Bob Neuwirth tenha dito anos depois que a canção talvez nem tivesse sido incluída no álbum se Janis tivesse sobrevivido para concluir o trabalho.
O resultado foi uma das gravações mais simples de sua carreira e também uma das mais reconhecíveis. Sem banda, sem produção grandiosa e praticamente sem distância entre ideia e execução, a música preservou exatamente aquilo que havia surgido naquela mesa de bar: humor, improviso e uma voz capaz de carregar tudo sozinha.
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