O guitarrista apontado como melhor do mundo que Alex Lifeson não curte: "Não me tocava"
Por Gustavo Maiato
Postado em 01 de outubro de 2026
O rock progressivo carrega há décadas a fama de ser um gênero cerebral demais, em que a complexidade dos arranjos sufocaria qualquer emoção. O Rush é um dos exemplos que desmontam essa ideia, e boa parte do mérito é de Alex Lifeson, guitarrista capaz de unir passagens intrincadas a melodias carregadas de sentimento. Justamente por valorizar a canção acima da técnica, o músico já fez uma avaliação franca sobre Eddie Van Halen, relembrada em texto publicado pela revista britânica Far Out.

Para entender o critério de Lifeson, basta olhar para "Limelight", faixa que ele costuma apontar como dona de um de seus melhores solos. Em declaração reunida pela Far Out em uma seleção dos principais solos do guitarrista, o canadense explicou a relação afetiva com a música: "É engraçado: depois de todos esses anos, o solo de 'Limelight' é o meu favorito para tocar ao vivo. Há algo muito triste e solitário nele; ele existe em seu próprio pequeno mundo. E acho que, à sua maneira, reflete a natureza da letra da música, a sensação de isolamento em meio ao caos e à adulação."
Essa visão ajuda a explicar a resistência de Lifeson a guitarristas que tocam muito, mas não necessariamente servem à música. Eddie Van Halen reescreveu a linguagem do instrumento e popularizou o tapping, técnica em que as notas são tocadas percutindo as cordas diretamente no braço da guitarra, algo que soou como novidade absoluta para o rock da época.
"Eu certamente aprecio o Eddie e o que ele faz e o que sempre fez. Ele é um exemplo típico, porque deixou uma marca enorme em todos os guitarristas. Mas não sei se diria que o Van Halen, como grupo, era algo que eu ouvia ou algo que me tocava", afirmou Lifeson.
A publicação britânica observa uma ironia na posição do guitarrista: a crítica que muita gente faz ao rock progressivo, de privilegiar a técnica em detrimento da emoção, é a mesma que Lifeson direciona ao Van Halen. O tema aparece em outro texto do veículo sobre os mitos que cercam o gênero. Na prática, o canadense separa com clareza o respeito ao legado técnico de Eddie da experiência de ouvinte, sem negar a importância histórica do colega para gerações de guitarristas.
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