A opinião de Marcelo Barbosa sobre o Angra que chocou Andre Matos: "No Brasil, só você"
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de outubro de 2026
Marcelo Barbosa contou qual foi a reação de Andre Matos quando disse ao vocalista que era obcecado por "Holy Land", álbum lançado pelo Angra em 1996. Em entrevista ao jornalista Igor Miranda, da Rolling Stone Brasil, o guitarrista lembrou a resposta bem-humorada que ouviu e o que ela revelava sobre a recepção do disco no país. A conversa foi gravada às vésperas do show pelos 30 anos do trabalho, nesta sexta-feira (2), no Tokio Marine Hall, em São Paulo.
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O episódio aconteceu há 15 ou 20 anos, nas contas do próprio Barbosa, durante um workshop que os dois dividiram, ele na guitarra e Andre no canto. Na época, o guitarrista ainda estava longe de integrar o Angra, onde só entraria em 2015. Ele contou que ouviu o disco pela primeira vez como estudante de música e que a experiência foi mágica.
"Eu falei: 'Cara, o Holy Land...'. Fiquei obcecado por esse disco. Ele brincou e falou: 'No Brasil, só você'. Aí eu falei: 'Só eu? Como assim?'. Ele falou: 'Não, esse disco demorou a ser aceito. Na França foi unanimidade, mas no Brasil e em alguns outros países foi depois que a coisa foi sendo compreendida, o que eles estavam fazendo ali'."
Para Barbosa, a resistência inicial tem explicação no próprio som. Ele comparou o trabalho ao do Sepultura, que também incorporou elementos brasileiros, mas sobretudo pela via rítmica. Segundo o guitarrista, o Angra levou para o heavy metal harmonias da música nordestina e muito modalismo (uso de escalas diferentes da escala maior e da menor), algo pouco comum no gênero. "Tem músicas que, revisitando esse repertório tanto tempo depois, às vezes eu fico ali no momento em que está só o Alírio tocando piano, observando as harmonias. São coisas realmente muito únicas e especiais, especialmente dentro do universo do heavy metal. Então imagino isso há 30 anos", afirmou.
Já o sucesso imediato na França, na avaliação dele, combina com o perfil do público de lá. "É um país que busca muito essa coisa da novidade, da renovação, das coisas diferentes. Historicamente é assim. Então acho que talvez por isso lá foi sucesso já desde o começo", disse Barbosa.
Felipe Andreoli, que também participou da entrevista, confessou que fazia parte do grupo que torceu o nariz. O baixista tinha 16 anos quando o disco saiu e lembrou que, naquela época, a percussão era associada ao axé e ao pagode, a ponto de o som ser apelidado de "axé metal". "Não é que eu não gostei, eu nem quis ouvir. Foi só anos depois, com um ouvido mais educado, com mais repertório, com mais referências, que eu fui entender", contou.
A turnê comemorativa chega nesta sexta a São Paulo com participação de Luis Mariutti, baixista que gravou "Holy Land", e Alírio Netto nos vocais. No sábado (3), o grupo recebe Edu Falaschi para celebrar "Rebirth". Barbosa observou ainda que boa parte do público do Angra é formada por músicos ou aspirantes, algo que ele nota a cada fã que se apresenta como aluno de seus cursos de guitarra.
Confira o vídeo completo abaixo.
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