Attractha: prog-metal para os fãs de Heavy, Thrash e Hard
Resenha - No Fear To Face What's Buried Inside Of You - Attractha
Por Willba Dissidente
Postado em 03 de março de 2018
Nota: 8 ![]()
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Um trabalho que chama atenção pela grandiosidade é como podemos definir o primeiro disco completo do ATTRACTHA. Seja por possuir a embalagem mais bonita já apresentada no Metal Nacional, pela produção impecável de Edu Falaschi (SYMBOLS, ANGRA, ALMAH etc) ou a técnica invejável dos músicos do quarteto. O disco "No fear to face what's buried inside of you" tem um nome enorme (não tema encarar o que está enterrado dentro de você) e bem poderia se chamar "nosso álbum não teme comparação com qualquer outra banda". Acompanhe agora essa viagem pesada do Prog-Metal por paisagens sombrias da psique humana.
Formada em 2007 foi só seis anos depois que o ATTRACTHA, originalmente com o baterista Humberto Zambrin (que também assina as letras e a parte gráfica) e o guitarrista Ricardo Oliveira como membros originais, estabilizou a formação e a proposta do grupo culminando no lançamento do EP "Engraved"; seu primeiro registro fonográfico. Após o EP, passam integrar o ATTRACTHA o vocalista Cleber Krichinak, do KINGS OF STEEL (que além do tributo ao MANOWAR também tem sons próprios), e o baixista Guilherme Momesso. Porém, antes mesmo de se começar a ouvir ao disco "No Fear..." o que chama atenção é o trabalho gráfico do presente lançamento. Reiteramos que essa redação desconhece um disco de Metal no Brasil que tenha tido tamanho zelo em apresentar sua obra.
Logo ao se deslacrar o CD, a embalagem abre em quatro partes com os pedaços do nome do disco na ordem correta e da roda do zodíaco na frente com o nome e foto de um integrante na traseira. Só isso por si só já seria inovador, mas atrás do baterista está um encarte de doze páginas no formato poster! É exagerado de tão grande. De um lado estão todos os dados da produção, letras, agradecimentos e congeneres e, do outro, um poster enorme com o nome completo do disco. Imagem essa que alguns blogs e zines estão, incorretamente, apontando como capa do disco. Em uma época de música descartável que artistas do momento lançam singles e somem da noite pro dia, que a maioria da população preferindo ouvir música em aplicativos de celular e as gravadoras lançando cd's com encartes de duas páginas é preciso muito ousadia para investir na maré contrária. Só por esse fato "No Fear..." já merece ser comprado pelos fãs de Prog-Metal e, ao menos, ser conferido pelos fãs dos diversos estilos do Metal.
O som do ATTRACTHA é um Prog-Metal que enérgico e virtuoso; mas que foge dos padrões DREAM THEATER ou PORCUPINE TREE. As músicas são viscerais e apresentam muita coisa de Metal Tradicional e Hard Rock setentista aqui e acolá. Os timbres de baixo e guitarra são modernos e o técnico Ricardo de Oliveira abusa de arpejos (aquela técnica que parece fazer a guitarra gritar no final dos riffs). A batera usa muitos bumbos duplos e conduções incomuns nos pratos. A prova disso é "Bleding in Silence", que abre o disco. Nessa, a linha de vocal na ponte é mais bonita que no refrão propriamente dito. A porradaria continua com "Unmasked Files", que tem o riff mais legal de guitarra no disco, o que não impede enfase no baixo antes e durante o genial solo. "Two Three One" é aquele som de andamento mais moderno do disco, porém que tem o refrão mais pegajoso.
"Move On" é aquele som que poderia abrir o disco, ou ser um cartão de visita do conjunto. Tem andamento mais cadenciado em relação as anteriores (e mais rápido se pesarmos as seguintes), porém após o solo a bateria parece uma metralhadora no estilo do HOLOCAUSTO! "Mistakes and Scars" é um Prog-Metal mais parado (exceto no solo) que abre espaço para a balada "No More Lies"; belíssima. Com participação de Maite Gondin esse épico de seis minutos só fica "pesado" após o refrão no meio da canção. Em seguida recebemos outro número lento "Holy Journey" que tem narrações retiradas do filme "O Livro de Eli" mostrando a religião como boa ou ruim; redentora ou podendo te afundar mais. Talvez o ATTRACTHA devesse ter alterado essa opção de colocar "três baladas", ou músicas com levada mais lenta predominante na sequência, para dar mais dinâmica ao cd.
E se você estava sentindo falta de peso, vem ai "Victorious" abrindo a dupla de destaques do disco com excelente refrão e linha de baixo mais cativante do trampo. Essa ainda é cadênciada, pois vêm ai "Payback Time", a melhor do disco e que poderia ser uma ótima pedida como faixa de abertura dos shows, pois poderia estar em qualquer disco de Thrash Metal; servindo até para abrir rodas e stage divings. Porém, o grupo não abandona Progressivo que lhe é característico, pois após o refrão ela fica mais lenta.
Encerrando, não podemos deixar de notar o excelente trabalho de lírico de "No Fear". Praticamente um Heavy Metal progressivo da auto-ajuda, as letras falam de se sentir perdido, obsoleto, ter errado muito na vida, viver por períodos obscuros e deprimentes por suas próprias condutas, mas encontrar em si mesmo a força para overcoming, superar esses contra-tempos e saber que após ser vitorioso vem a redenção. Obviamente, letras tão pesadas precisam de interpretação à altura e o vocalista Krichinak fez um invejável trabalho. Ainda que ele seja conhecido por ser cover de MANOWAR, suas linhas vocais soam originais e não como se fosse o Eric Adams cantando em outra banda.
Em suma, Prog-Metal que pode vir a agradar os fãs de cearas mais xiitas da música pesada como o Heavy, o Hard e até o Thrash; basta o ouvinte não temer a música enterrada no debut do ATTRACTHA!
ATTRACTHA:
Cleber Krichinak - Vocals
Ricardo Oliveira - Guitars
Guilherme Momesso - Bass
Humberto Zambrin - Drums
Discografia:
Engraved (EP, CD, 2013).
No Fear to face what's buried inside of you (Full-length, CD, 2016).
"No Fear to face what's buried inside of you" - CD- Dunna Records - Nacional - 45"13'.
01. Bleeding in Silence (04:33)
02. Unmasked Files (Revisited) (04:17)
03. 231 (04:24)
04. Move On (05:05)
05. Mistakes and Scars (04:52)
06. No More Lies (06:15)
07. Holy Journey (05:21)
08. Victorious (05:38)
09. Payback Time (04:48)
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